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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Ao ataque: 'bombásticas' e inesperadas...

Empresário Tauromáquico Ataca APET
 Rafael Vilhais publicou um post no Facebook onde afirma que a tauromaquia está podre e chama a Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos de coveiro da festa.
E afirma também que há toureiros que pagam para tourear.
Mas que grande novidade, afinal ele só vem reafirmar aquilo que todo o mundo sabe, ou seja que há toureiros que pagam para tourear, ganadeiros que drogam bovinos, toureiros que drogam cavalos, forcados que pagam para abusar de animais e por aí fora já que entre esta gente e a máfia não existe qualquer diferença!
Prótouro
Pelos touros em liberdade

rafael vilhais post facebook

... declarações feitas por Rafael Vilhais, na sua página pessoal de Facebook, sobre a realização de Festivais Taurinos, fora do tempo acordado pelos membros da APET, procurou o TouroeOuro saber junto da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos, qual a posição da mesma face ao escrito que agitou o meio taurino.
Paulo Pessoa de Carvalho falou ao TouroeOuro...

A propósito das afirmações de Rafael Vilhais na sua página de Facebook e que passamos a citar 'A tauromaquia em Portugal não está doente, está podre!!! A Associação de Empresários 'APET' (de coveiros da festa) à qual eu infelizmente pertenço e que não me sinto representada por ela! Em Assembleia Geral neste início de 2016, em que acordámos que não eram permitidos Festivais Taurinos, entre as datas de 25 de Abril, em Sobral de Monte Agraço e terça-feira nocturna de Vla Franca, em plena temporada para não prejudicar os eventos das empresas, bem como dos toureiros chamados de profissionais??? Todo o contrário!!! Está tudo dito!! Eu no que me diz respeito, até já terminei a época, a actividade empresarial! Uma vergonha quando isto está a ser apoiado com gente que deveria ser responsável ou não? Desde empresários que pagam para tourear. Há que pôr o dedo na ferida! Eu nasci nisto! E quem não serve tem um caminho, la calle!'.

A este desabafo do novel empresário, responde no mesmo espaço, Ricardo Levesinho, visto que a ilustração a este post, se fazia com os cartazes dos festivais do fim-de-semana passado, Carregado (com organização a cargo da Tauroleve) e Alandroal. Diz o empresário que 'Rafael Francisco Vilhais você pode dizer o que entender já que estamos num estado de direito democrático mas utilizar as palavras que utilizou referindo se a artistas onde estão Vitor Mendes, Ana Batista, Antonio João Ferreira, Manuel Telles Bastos, Marcelo Mendes e Cuqui só para me referir ao Festival previsto a mais de um ano no Carregado (antes da deliberação ocorrida já este ano) e devidamente autorizada pela Direcção da APET penso que além de não ser correcto é algo injusto para quem colaborou desintressadamente a favor de uma paróquia que possui a sua responsabilidade valências de solidariedade. E para mim e para a minha empresa foi uma honra estar integrado neste projecto e repito totalmente dentro do respeito pelas instituições conforme solicitações devidamente formalizadas e aceites. Se tem dúvidas coloque a quem de direito pois tem toda a legitimidade para tal mas recomendava se me permite que use estas plataformas com o uso da informação correcta pois é tão fácil alavancarmos temas que depois provocam comentários que aqui já circulam e que em nada beneficiam ninguém. Nem mesmo de quem os provocou pois a Tauromaquia e a Festa como estamos ambos totalmente de acordo são superiores a interesses e protagonismos colectivos e pessoais. Um abraço Rafael e estou totalmente disponível para debater consigo onde e quando quiser pois tenho a honra de o respeitar e de sentir reciprocidade.'

Sobre o pertinente tema, procurou saber o TouroeOuro junto da APET, qual a sua posição face à inflamação e sobretudo, querendo obter um esclarecimento sobre a legitimidade ou não da realização de Festivais Taurinos durante o auge da temporada. Paulo Pessoa de Carvalho, Presidente da Associação Portuguesa de Empresários Taurinos, respondeu da seguinte forma, 'Perante o que me pergunta e que sinceramente não vi e não sei se vou ver, o que me constou foi que haveria criticas duras sobre a não união ou respeito dentro da APET sobre regras definidas e assumidas. Algumas pessoas falaram-me sobre o que o Rafael Vilhais escreveu e sobre alguns infelizes comentários a esse texto. O que sei, é que recebi um telefonema do Rafael Vilhais ontem, a dizer-me que o que tinha escrito, não era nada referido a mim, mas sim a outras pessoas (associados APET) que em Assembleia Geral tomam posições e no terreno negam-nas completamente, através das suas atitudes. O que tenho sobre o assunto a dizer é pouco, entristece-me que se venha para os Facebook's da vida escrever estes desabafos, pois é um caminho que não nos leva a lado nenhum. Há espaços próprios para se tratar dos assuntos e acima de tudo, as pessoas devem quando têm intenções sérias em resolver problemas ou aclarar situações, esclarecer-se antes de opinar seja o que for, pois há sempre metade da história que lhes dá razão e outra metade (a não contada) que lhes tira a razão. Eu não conto histórias, mas a propósito deste assunto e sobre o qual também gastei algum tempo, apenas informo que antes dos festivais postos em causa deste último fim de semana (Carregado e Alandroal), houve pelos menos outros cinco, dos quais apenas tive conhecimento à posteriori da sua realização, pois a sua legalização é efectuada no Fundo de Assistência dos toureiros e daí em diante está tudo 'bem', nem nada nem ninguém tem 'força' para parar seja o que for, cabendo ao bom senso, palavra e idoneidade de cada um, fazer cumprir a palavra e os compromissos assumidos, ou pura e simplesmente porque outros interesses pessoais se levantam, ignorar. Assim e para Vosso conhecimento e dos interessados, houve cinco festivais antes destes dois da polémica (informação fornecida pela ANT) que abaixo indico, com o elenco participante e as empresas promotoras dos mesmos.'

touroeouro
«Rafael Vilhais acusa APET: "Associação de Coveiros da Festa"!» in farpasblogue

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Tourada à Portuguesa ou nem por isso

Ao toque de uma corneta, deu-se início à função.


A multidão adivinha um bom espectáculo. Até a televisão pública está ali a transmitir em directo.
A «Festa Brava» vai começar!

Fizeram entrar na arena um touro de cornos embolados.
Assustado, o animal ainda deu umas corridas, meio estonteado com toda aquela parafernália de gente e de luz. Depois encostou-se resolutamente às tábuas.


Entretanto em Espanha....

Não havia outro remédio: entrou na arena um homem que trazia na mão uma longa vara que terminava numa ponta de ferro afiada, montado num cavalo protegido lateralmente por uma espécie de esteira.


Foi então que esse homem, o «picador» fazendo jus ao nome da sua profissão, começou a picar o touro com a longa vara. Dizem que é para o «espicaçar» e para o tornar mais «esperto» e bravo.


Contorcendo-se de dor e procurando defender-se, o touro investiu violentamente contra o cavalo. A princípio, a protecção da esteira foi eficaz a protegê-lo.
Mas uma cornada mais bem dirigida abriu-lhe um profundo golpe na barriga.
A multidão entrou em delírio à vista do cavalo a sair da arena a tropeçar nos seus próprios intestinos que arrastavam pelo chão: tínhamos touro!

Mas, como mais vale prevenir que remediar, o touro já vem dos curros, «preparado» para a arena...

Depois, entra um cavaleiro vestido num espectacular «traje de luces». Vão-lhe dando as "farpas", "bandarilhas", uns paus compridos, decorados com umas fitinhas de papel de cores garridas, dotados de uma ponta em ferro em forma de seta, o que impede a sua saída depois de espetado.

Resguardado pela sua montada, começa então o valente e garboso cavaleiro uma dança à volta do touro e, de cada vez que acha mais ou menos apropriado, espeta-lhe um daqueles ferros nas costas.
De cada vez que um ferro é espetado no animal, a multidão entra em delírio e aplaude entusiasticamente. Principalmente quando o touro se contorce com dor.

Não há touros de morte em Portugal.
A não ser, claro, que alguém entenda que a sua terra é uma excepção. Então basta desafiar o poder político durante meia dúzia de anos, e o direito a matar touros é «excepcionalmente» garantido.
Resultado de imagem para Não há touros de morte em PortugalBarrancos - Os touros de morte
Monsaraz, regime de excepção desde 2014               Barrancos, regime de excepção desde 2002

Então, como em Espanha, a população depois do ritual dos ferros nas costas do touro, ganha o direito a ver o animal a ser morto na arena à sua frente. Faz ainda parte da celebração da morte do touro o corte ritual das orelhas e do rabo, sempre sob o aplauso entusiástico do público.

Os «aficionados», como a si próprios se chamam, partilham entre si uma espécie de mística e uma sobranceria que os traz convencidos que gostar de touradas os torna superiores ao comum dos mortais.
Em vez de «touro» preferem o termo «toiro» e são frequentemente dotados de um «marialvismo fadista» e de uma fervorosa e fanática religiosidade, que conciliam perfeitamente com uma homofobia militante, o que até os leva a fazer de conta que os trajes dos toureiros não são efeminados.

Os adeptos das touradas dizem que é função nobre do touro e uma «honra» para o animal «combater» e ser lidado numa arena.
Não sei se algum deles alguma vez pediu a opinião do touro, ou até se prontificou a ser voluntário em tão nobre destino.

Dizem também que é graças às touradas que os touros não estão já extintos como espécie.
Também não sei se se preparam para realizar campanhas contra a extinção do panda ou do tigre promovendo espectáculos públicos em que lhes espetam ferros nas costas.


Não sei quando serão proibidas as touradas.
Decerto um dia o serão.

Mas talvez a solução definitiva para as touradas esteja numa rigorosa avaliação psicológica – e até mesmo psiquiátrica – não só de quem se dedica profissionalmente à tortura de animais e a espetar-lhes ferros afiados nas costas, mas também de quem se diverte a assistir e aplaude tão triste e lamentável espectáculo.



sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pró-Taurinos vs Anti-Taurinos

Após a informação exposta nos artigos anteriores, deste dossier, temos agora enquadramento suficiente para perceber e participar na discussão entre os apoiantes e os detractores das touradas. Abaixo são explorados os principais argumentos utilizados para a defesa e para a proibição das touradas.

A Tradição
 Pró-Touradas
Anti-Touradas
  • São uma tradição enraizada por milénios de relação entre o homem e o Touro e afirmadas como um espectáculo cultural e popular há séculos.
  • Tem uma carga cénica e uma estética deslumbrante que permitem construir uma bonita festa.
Apesar do seu valor histórico as tradições devem acompanhar os tempos e adaptar-se, ou mesmo extinguirem-se, à medida que a humanidade evolui. Os direitos dos animais são cada vez mais um dos pilares de uma consciência ética e justa. O Touro não pode e não deve ter um regime de excepção na garantia desses direitos.
Durante 500 anos a escravatura foi uma tradição e costume.
A emancipação das mulheres foi feita através de uma longa e desigual luta que conseguiu pôr fim a uma supremacia masculina em termos de direitos e exercício de cargos ou profissões.
As execuções em praça pública foram comuns durante séculos.
Este são apenas três exemplos de antigas tradições milenares ou seculares que naturalmente chegaram ao fim. Porque era o correcto e não porque toda a sociedade concordasse com o seu fim.
O que se deve sobrepôr? O perpetuar de uma tradição ou o respeitar do bem-estar humano e animal?
Conhecer e Preservar o Touro
 Pró-Touradas
Anti-Tourada
Os profissionais do mundo tauromáquico, e mesmo os afficionados em geral, são os verdadeiros conhecedores e amantes dos Touros.
Convivem com os Touros em todo os ciclos da sua vida, conhecem-nos como ninguém, seja em aspectos biológicos, seja em aspectos psicológicos e/ou comportamentais.
Sim, é verdade que quem lida com eles diariamente terá a aptidão natural de melhor os conhecer. Não é por acaso que das mais detalhadas e apaixonantes descrições sobre Touros sejam feitas por pessoas ligadas à Tauromaquia, com claro conhecimento de causa.
No entanto é de estranhar que tanta admiração e amor ao animal culminem no aceitar do seu sacríficio num espectáculo baseado no infligir de stress e dor ao Touro.
Quem de perto lida com os Touros sabe que aquele não é o seu ambiente, que investe porque não tem para onde fugir, que sente cada um dos castigos que lhe são fustigados e que tivera o Touro livre escolha e não estaria ali naquela confrontação desigual.
Sabe também quem os cria que um Touro pode viver dezenas de anos, no entanto entrega-o para as lides quando perfazem apenas 3 anos. Privar um Touro de viver as restantes décadas são demonstração de amor, apreço e respeito?
A luta entre homem e Touro na arena é uma luta justa. É o culminar de uma vida de bem-estar em liberdade podendo o Touro salvar a sua vida com um indulto sendo devolvido aos prados.Quanto á luta justa existem dados estatísticos em Espanha que dizem que desde 1771 foram mortos 445 ´artistas´ das lides Tauromáquicas (apenas 65 toureiros) e que desde 1950 foram alvo de indulto apenas 7 Touros. Estranho sentido de justiça aplicada aos centenas de milhares de Touros mortos desde 1771 ou estará a balança avariada? E que dizer do facto de 80% dos Touros indultados morrerem no dia seguinte ao da lide?
Muitos dos que gritam pelo fim das Touradas não fazem o ideia do que é um Touro e do que lhe dá ganas de viver.

O Touro anseia pela confrontação e sente-se confortável na luta. É um animal agressivo que sente prazer na lide.
Não bastará reconhecer que o conceito de forçar um animal a defender-se, de o sangrar na arena e de o ver sofrer são vis, sádicos e macabros?
Precisaremos de conhecer um animal para assumir que não terá ganas de querer sofrer e morrer? 
Muitos dos que gritam a favor das touradas não deixam que os aficionados façam ideia do que é e do que sente um Touro enfabulando e mistificando o conhecimento público sobre os Touros.
Em artigos deste dossier já foi feita a informação sobre o comportamento normal de um Touro que é completamente antagónico ao que o mundo Taurino quer fazer passar.
Sem a Tauromaquia o Touro seria extinto. É uma raça sem interesse comercial para outras actividades onde existem raças mais produtivas.
A Tauromaquia é também uma actividade que preserva milhares de hectares de montado com sistemas de produções de bovinos dos mais sustentátveis e com maior bem-estar animal em todo o mundo.
Com efeito, em três ou quatro anos de vida do touro, este apenas sofre cerca de 30 minutos, o tempo que dura a lide. O resto do tempo, não há animal que viva junto do homem que tenha vida que se lhe compare. Vive em liberdade, em estado selvagem, inteiro.
Intimamente ligado aos Touros existe também o desenvolvimento e apuramento dos Cavalos Lusitanos.
Parece um pouco um contra-senso aqueles que se dizem os principais amantes e defensores de uma espécie defenderem que se não existir algum interesse comercial a sua preservação é impraticável.
Temos em Portugal vários centros de recuperação de espécies em extinção (como o lobo e lince ibérico) e várias reservas onde existe um ecossistema que permite a vivência de espécies autóctones em equilíbrio.
Com a ajuda de biólogos e cooperação dos actuais ganadeiros certamente que seria viável criar uma reserva de alguns milhares de hectares de montado onde fosse possível que algumas manadas vivessem em liberdade. Iria até ajudar certamente a recuperação de um dos seus predadores naturais, os lobos, bem beneficiar o reforço de população de aves necrófagas.
Quanto aos cavalos são outros dos animais explorados na Tourada que felizmente hoje em dia não morrem com a frequência de outros tempos. (apesar de neste dossier não se ter explorado o tema existe também muito sofrimento psíquico e físico dos cavalos, sobretudo dos que são montados pelos picadores que são privados da visão e audição para enfrentarem as investidas do Touro sem perceber o que se passa nem poder reagir instintivamente. Sofrem também graves lesões e por vezes a morte.). Em todo o caso talvez alguns desses cavalos pudessem também ser libertos nas reservas atrás mencionadas.
Visto que aparentemente ambos os lados da barricada têm amor e respeito ao Touro certamente que não seria complicado juntar esforços e dedicação para providenciar uma vida verdadeiramente livre aos Touros.
O Touro é um dos animais na Natureza com maiores níveis de endorfinas e adrenalinas no seu sistema o que leva a que a sua sensibilidade à dor seja extremamente reduzida em alturas de stress comparativamente a outros animais.
O facto de os níveis de stress do Touro atingirem o seu pico máximo durante o transporte, em que estão confinados em espaços exíguos, e baixarem significativamente durante a lide demonstram como é um animal que se sente bem na luta.
A sua bravura suplanta em muito o seu sofrimento porque a sua fisiologia assim o permite.
Exigem estudos científicos rigorosos dos quais resulte a conclusão de forma inquestionável que os animais, e em particular o Touro, sentem, como o fazem e em que circunstâncias.
Isto contraria o facto dos ganadeiros evitarem ao máximo castigar os Touros durante a sua vida pois estes recordam-se para sempre dos castigos que sofrem e dos autores e utensílios utilizados.
Se um Touro sente as moscas que pousam no seu corpo, que reage com espamos involuntários ou com o abanar da cauda para as afastar como poderá não sentir as perfurações de lâminas com vários cm de diâmetro e profundidade?
Também um Homem em luta pela sua vida não sente a dor das lesões que sofre a quente. Se estudassem apenas os homens quando se encontram em combates de ringue não iriam tirar as mesmas conclusões?
Cientificamente está aqui rebatido esse argumentocom indicação de todas as lesões provocadas pelas sevícias a que é sujeito um Touro bem como do stress a que é sujeito.
Mesmo que o Touro nada sentisse, qual a moralidade de provocar lesões num animal que lenta e progressivamente conduzem à sua morte?
Durante séculos o nosso conhecimento sobre o bem-estar físico e psicológico dos animais era rudimentar. Ainda há duas ou três gerações era comum dizer-se que os animais não sentiam dor. Hoje em dia está comprovado que os animais, incluindo o Touro, são seres sencientes, capazes de sentir dor física e sofrimento psíquico/emcional. Negá-lo está ao nível da posição da inquisição sobre os heréticos avanços da ciência.
Outros Argumentos
 Pró-Touradas
Anti-Touradas
A Tourada é um espectáculo que ocorre em recinto fechado com bilhete pago. Só assiste quem quer. E quando dá na TV quem não quiser assistir basta mudar de canal.
Quem não gosta não vê.
Não podemos ficar indiferentes aos maus tratos a animais infligidos aos Touros durante um pretenso espectáculo cultural. O regime de excepção para com os Touros equivale a uma lei penalizadora de um crime, excepto se cometido sobre um tipo de vítimas em particular. O Touro é um animal como os outros e deve ser reconhecido e protegido como tal.
O sentimento de injustiça e intolerância são o natural para com uma tradição que parou no tempo e assenta numa violação dos direitos e bem-estar de animais.
A partir do momento que existem apoios de autarquias e televisões públicas à exaltação de um espectáculo que assenta em derrame gratuito e violento de sangue, os cidadãos portugueses têm o direito de manifestar o seu desagrado e exigir o fim de todo e qualquer apoio a esta actividade, bem como ao seu fim. 
Porque é que aqueles que se insurgem contra as Touradas não se insurgem contra o sofrimento e más condições de vida das galinhas, porcos, vacas, peixe, etc, que comem tranquilamente sem problemas de consciência?
Porque não se preocupam com os cães e gatos abandonados que são um flagelo no nosso país?
Ora, os defensores dos direitos dos animais fariam melhor em preocupar-se com os valores civilizacionais que transformaram a vida de certos animais domésticos num espectáculo verdadeiramente degradante do que com as touradas que enobrecem e perpetuam a vida dos touros bravos, proporcionando-lhes uma vida de fazer inveja à dos seus primos bois.
E porque assumem que não o fazem? Muitos dos activistas anti-tourada praticam uma dieta vegetariana e/ou defendem o bem-estar dos animais, mesmo daqueles que têm como destino o consumo humano.
Muitos estão também intimamente ligados a associações zoófilas que lidam directamente, com acções no terreno, com o problema do abandono de cães e gatos em Portugal.
Não existe uma prioridade para os horrores e resolução de problemas. A polivalência é necessária e obrigatória exactamente para não deixar agravar aqueles que são descurados.
Recentemente conseguiu-se a vitória de a prazo acabar com o uso de animais em circos. O fim das Touradas se seguirá. É mais uma de muitas batalhas em curso pelos direitos e bem-estar dos animais. 
A Tourada foi apreciada desde sempre e inspirou muitos artistas com obras marcantes sobre o tema expressas em pinturas, esculturas, música e obras literárias.Os artistas são como o resto das pessoas. Existem os aficionados e os que se oponham à Tourada. O facto de ser alvo de abordagens no trabalho de vários grandes artistas não deverá ilibá-la daquilo que é.
Também muitos artistas se inspiraram em guerras, em cenários de catástofres naturais e sofrimento humano e ninguém defende que estas devam ocorrer para estimular veias criativas.
A Tauromaquia é uma actividade auto-sustentada que gera empregos e riqueza para o país.
Não recebem quaisquer apoios financeiros do estado. 
Seria um desastre económico o fim da actividade Tauromáquica.
Auto-sustentada? A receber milhões de euros de apoios de autarquias anualmente para manutenção dos recintos e organização das ´festas´?
Todas as revoluções que têm impulsionado o desenvolvimento da nossa civilização têm provocado transformações nas actividades profissionais existentes. A revolução industrial acabou com o fabrico artesanal de milhares de produtos, a robótica e informatização extinguiram também uma série de tarefas que eram executadas por pessoas e os sectores económicos mais fortes estão em constante mudança obrigando a uma movimentação constante das massas laborais.
O fim da Tauromaquia seria apenas um desastre económico para as poucas centenas de famílias que dela dependem a 100%. E isto se não fosse estabelecido algum tipo de plano que lhes permitisse a transição gradual de actividade. Não é defendida a ruína de pessoas mas o fim de uma actividade cujos moldes podem e devem ser negociados para diminuir o seu impacto nos agentes que vivem exclusivamente dessa actividade.
As praças de Touro continuariam a existir mas o seu espaço a ser reaproveitado para actividades verdadeiramente lúdicas e culturais.
Muita gente é aficionada desde tenra idade e não é por isso que são pessoas mal-formadas, agressivas ou perigosas para com os outros ou animais.Não pode ser ignorada a força da sugestão e do subconsciente, bem como o culto de alguma ignorância.
A tourada incute a imagem errada dos Touros e sobretudo educa a tolerância à violência, ao sofrimento e a imagens sangrentas a troco de divertimento. Mesmo que apenas para com Touros, o que pode ser discutível.
Mais detalhes sobre o impacto da Tourada em crianças e jovens pode ser lido neste ensaio feito por um psiquiatra.
Os anti-taurinos atribuem aos animais características humanas para despertar proximidade e identificação confundido o que são pessoas e o que são animais.
Com a antropoformização do Touro deixam-no de ver como o animal que é com necessidades, comportamentos e reacções psíquico-físicas distintas das de um ser humano.
Touro Bravo, Fera Negra, Besta Negra, símbolo da morte e do medo, arrogante, valente, etc. São apenas alguns dos termos comuns utilizados pelos pró-Taurinos. Tão depressa o sacralizam, como diabolizam como o antropoformizam.
Descrevem-no à medida do necessário para conceder uma carga sagrada, poética, espiritual, transcendente ao acto da Tourada.
Ao dizerem que o Touro nasce para arena e que não sente dor devido ao prazer da luta estão também já cegos para com as reais necessidades, comportamentos e reacções psíquico-físicas deste animal que tão bem conhecem.
Ocorrem muitos espectáculos com Touros para fins beneméritos existindo uma forte solidariedade social com grandes benefícios para misericórdias e outras associações.Ser pró-taurino não quer dizer que não se seja solidário e voluntário para com causas sociais pelo que este é um argumento que parece ser uma lavagem de cara servindo-se daqueles que vivem com a corda no pescoço e que não podem recusar donativos. 
Mesmo assim há muitas associações zoófilas que recusam donativos oriundos de actividades que envolvam o sofrimento de animais pelo que normalmente o alvo dos donativos são associações de causas relacionadas com a melhoria de vida de pessoas mais carenciadas.
É louvavel esta atitude e distribuição de dinheiro que não deixa de ser um dinheiro sujo de sangue. 
Mas lançamos o desafio de que os apoios dados pelas autarquias em vez de serem canalizados para actividades tauromáquicas sejam directamente canalizados para associações sem fins lucrativos de apoio a pessoas e animais.
Admitem um dia colocar fim às actividades Tauromáquicas. Mas pela falta de afluência de público e não por resultado de manifestações daqueles que são contra estas práticas.As manifestações físicas e online são uma das vias para conduzir a essa falta de público. O que elas pretendem é mostrar que há muitos cidadãos incomodados com as práticas tauromáquicas e trazer a público informação e pontos de vista muitas vezes desconhecidos. 
Perspectivas
 Imagem
 Pró-Touradas
Anti-Touradas
Cientistas espanhóis clonam primeiro touro de arena do mundo.Um Touro bravo. Apesar da sua frágil aparência enquanto bezerro não se deixem enganar. Dentro de pouco tempo estará feito um Touro agressivo e lutador.

Esperemos que passe na triagem que separa os bravos dos mansos e ganhe o direito a lutar pela sua vida na arena proporcionando um bom espectáculo aos aficionados.
Um animal que como todos os outros tem direito à vida e ao bem-estar.
Se assim o deixarem viverá pacificamente, como é a sua natureza.
3 anos separam-no daquele que é verdadeiramente o seu inferno na terra: uma tourada.
Touros para a Capeia do Campo Pequeno - 2010É chegada a altura do Touro cumprir o seu destino e ser encaminhado para a arena onde poderá lutar com valentia e mestria pela sua vida.

Será conduzido ao transporte que o levará à arena onde terá meia hora de dignidade e prazer para fazer aquilo que mais gosta enfrentando os seus oponentes de igual para igual com uma bravura, fúria e força únicas.
Com menos de 20% da sua vida cumprida, acabado de terminar a sua juventude, o Touro é retirado do seu habitat com destino à lide.
Em poucas horas é ´raptado´ à força, transportado em espaço diminuto e colocado na arena onde encontrará a morte certa.
Festas de Barrancos 2010 - 2º dia O Touro descansa nos curros, recuperando da viagem que causa algum stress.

É importante que o Touro se acalme para poder combater com total discernimento.

São-lhe dadas todas as condições para que se apresenta na máxima força no momento da tourada.
Após o transporte é colocado nos curros onde aguarda pela hora em que é forçado à luta.
Apesar de menos stressado do que durante a viagem encontra-se num ambiente totalmente diferente daquele que teve em toda a sua vida e é alvo de várias práticas de preparação como por exemplo o embolamento que consiste na serração da ponta dos seus cornos.
Por vezes começam aqui a prática de actos para a sua debilitação para que não se apresente na sua máxima força e se consiga uma lide mais controlada e sem danos para os homens e cavalos.
Faltou público na Homenagem a ZoioO Touro entra na praça e imediatamente demonstra a sua bravura e agressividade percorrendo o recinto e investindo contra os homens de capa que o provocam.

Olha para a platéia como que desafiando toda aquela multidão a enfrentá-lo.
O Touro entra desorientado na praça, ainda confuso pelo facto de há poucas horas estar a viver livre num prado rodeado dos seus.
Encontra-se agora só, em local incerto, foi sujeito a práticas que correspondem a agressões físicas e psicológicas. 
Por instinto procura a fuga e estuda o espaço para verificar se esta é possível.
TOURADA EM MADRID – CORAGEM OU COVARDIA?O picador faz o seu trabalho com mestria de preparação da lide.

O Touro demonstra a sua bravura e força investido de encontro ao Cavalo praticamente sem sentir os golpes infligidos.
Um Cavalo vendado e com tampões nos ouvidos para que não perceba o que está a acontecer e não reaja por instinto. A malha que o envolve protege-o de perfurações contra cornos embulados mas não o protege de lesões causadas pelo impacto que podem ser fatais. Para esta tarefa são escolhidos cavalos considerados menos valiosos, não treinados, pelo que caso ocorra uma morte ou lesão grave não é considerado um grande prejuízo.
O Touro por sua vez reaje às provocações da forma que lhe resta depois de interiorizado que não existe fuga possível.
As feridas causadas garantem que fica pelo menos incapacitado de erguer a cabeça e que terá hemorragias contínuas que o farão perder força e discernimento ao longo da lide.
Portalegre, 9 de Julho - Mouras versus CaetanosSeguem-se as lides a Cavalo. O Touro investe tentando derrubar cavalo e cavaleiro.

Demonstra a sua valentia e bravura não desistindo da perseguição e aceitando os castigos dos arpões das bandarilhas sem virar a cara à luta.
O Touro já debilitado defende-se como pode das agressões causadas pelos cavaleiros. Um olhar atento conseguirá verificar que o Touro apenas investe quando o cavaleiro o ataca, investindo o Cavalo contra si para cravar as bandarilhas.
É até comum que após cravar a bandarilha o cavaleiro se dê ao luxo de colocar o seu cavalo a efectuar manobras artísticas como trotes elegantes ou rodopios.
Se o Touro fosse verdadeiramente agressivo e não estivesse numa postura de defesa não iniciaria uma perseguição contínua ao cavalo até conseguir o choque ou que um dos dois se fatigasse?
Não haveria espaço e tempo para movimentos artísticos se estivesse uma fera agressiva na praça.
TOURADA EM MADRID – CORAGEM OU COVARDIA?O toureio a pé é um desafio cara-a-cara em que a inteligência e coragem do homem tenta exercer o seu domínio sobre a natureza do Touro.

Valroiza-se a mestria do homem que consegue ler o Touro e levá-lo a investir e movimentar-se como se estivessem sincronizados numa coreografia previamente ensaiada.
O Touro neste momento já está desgastado pelas lides a cavalo e pela grande quantidade de sangue que perdeu durante as partes anteriores da Tourada.
Inclusive estará limitado fisicamente em termos de locomoção tendo os ligamentos, que lhe permitiam manobrar a cabeça sem limitações, dilacerados logo na fase do picadeiro.
O Toureiro beneficia de anos de aprendizagem com bezerros, vacas, Touros mansos, e da experiência acumulada de lidar com Touros em touradas.
O Touro por sua vez está pela primeira vez naquela situação, sujeito aquele tipo de ataques, não tendo qualquer preparação para lidar com ela.
Morais (Bragança) Forcados de Arronches vencem prémio para a 
melhor pega Os forcados. Únicos no mundo da Tauromaquia em todo o mundo.

Um grupo de amadores que enfrenta o Touro numa demonstração de um misto de força, coragem e saber.

São a verdadeira extensão do povo que nas bancadas sente nas entranhas o impacto do Touro no corpo durante a pega de caras.
Talvez a parte mais justa da tourada em que não é infligida dôr física adicional ao Touro.
Pena que só ocorra na parte final em que o Touro já está repleto de lesões externas e internas e completamente fatigado.
Apesar de ainda reprovável do ponto de vista ético, já que continua a usar-se um animal para um espectáculo, talvez se devesse considerar a actuação de forcados em Touros que não tenham sido alvo dos picadores, cavaleiros, e toureio a pé.
Seria a verdadeira demonstração de coragem e força.
Touro salta 
para bancada e fere 40 pessoas em EspanhaUm Touro demonstra a sua bravura, ferocidade e agressividade saltando as barreiras protectoras e investindo aleatoriamente por entre a plateia.Os chamados Touros voadores mais não são animais que atingem um nível de stress tão elevado que se transcendem e conseguem o seu objectivo principal, normalmente impossível, a fuga.
O Touro salta a bancada para fugir do que se passa na arena e não para investir na platéia. A sua fisionomia não está preparada para o subir e descer de escadas pelo que a sua locomoção trapalhona fere mais pessoas por atropelamento e quedas do que por cornadas.
Touradas O Touro sempre morre e é conduzido para matadouros onde será convertido em produtos alimentares.

Teve a sua oportunidade para indulto e despediu-se em exaltação e glória.

Esta vida é preferível à de uma vida numa unidade de exploração intensiva para fins alimentares.
Antes da sua morte o Touro é submetido a actos atrozes para gáudio e divertimento de humanos que não se dão ao trabalho de conhecer e compreender esta espécie animal.
O facto de o destino certo ser a morte não justifica que o processo para lhe chegar seja um suplício infernal.
CortesiasOs artistas tauromáquicos. Gente respeitada e respeitadora.

Arriscam a vida num espectáculo de enorme beleza para gáudio dos aficionados.

Merecedores de admiração pela sua coragem e mestria na arte de lidar com Touros.

Profundos conhecedores e defensores dos Touros e da Festa Brava.
Os agentes da indústria Tauromáquica exploram comerciamente um espectáculo que assenta no sofrimento de animais.
Vivem numa realidade completamente desajustada relativamente aos dias de hoje.
Beneficiam de um estranho status e são protegidos por lobbies que apesar da grande influência representam uma pequena parte dos Portugueses.
Como amantes dos Touros deveriam dá-lo a conhecer ao público tal como ele é e não deturpar a imagem pública de uma espécie para que seja aceitável explorá-la na Tauromaquia.
Deveriam reconhecer os estudos científicos que demonstram que o Touro é um animal senciente que sente dor física e tem estados emocionais e comportamentais que podem levar ao sofrimento psíquico.
Campo Pequeno reabre a 7 de MaioOs aficionados.

É por eles que existe a Festa Brava.

Os verdadeiros amantes de um espectáculo único e cultural.

Boa gente ciente do valor da tourada para a cultura Portuguesa e para a defesa do Touro e do Cavalo Lusitano.
Muitos dos aficionados desconhecem completamente o que é e como vive um Touro. Acreditam piamente que o Touro não sente dor nem desespero e sente-se confortável ao ser toureado. 
Os que não têm falta de informação poderão no mínimo ser chamados de sádicos pois retiram prazer de actos de tortura e mutilação sobre um animal.
Portugueses manifestam-se em Lisboa contra as touradasCambada de gente pseudo-intelectual que quer acabar com uma tradição secular.

Terroristas que não têm noção da dimensão dos seus actos que atropelam direitos de liberdade de expressão, colocam em perigo o sustento económico de numerosas famílias e podem levar o Touro à extinção.

Podem fazer barulho onde e quando quiserem pois os apoiantes da Festa Brava são muitos mais, têm a razão do seu lado e darão a cara sempre que fôr preciso.
Os activistas da luta contra as touradas são pessoas como as outras que simplesmente dão mais valor a certos valores éticos e morais relacionados com os direitos e o bem-estar dos animais.
A tourada é considerada um divertimento, um espectáculo, e assenta no infligir de sofrimento físico e psíquico a uma espécie animal.  
Estamos no século XXI e não na época medieval. Sabemos hoje em detalhe que o Touro sofre durante a tourada.É visível que a Tourada assenta em actos violentos para com um animal, tolerar a tourada é tolerar a violência e o  derramar de sangue por entretenimento. O Touro não teve escolha. Está ali obrigado.


O Touro e o Homem ao Longo dos Tempos

O Touro representa desde sempre a força e virilidade, duas qualidades fundamentais do ideal masculino. Ao longo da história foi sacralizado e endemoninhado representado para o Homem a encarnação ou manifestação de características sobrenaturais e transcendentes.


Pré-História
Pintura nas Cavernas em Lascaux, França
Existem pinturas do Paleolítico que representam explicitamente os Aurochs, antepassados dos actuais Touros. Algumas das pinturas ilustram colhidas mortais com figuras humanas tombadas sob um Auroch.

É inegável o fascínio do Homem para com o Touro desde os primórdios da nossa civilização. Talvez isto se deva ao facto de serem abundantes nos prados e era frequente o contacto e a observação mútua. Especula-se que os machos Auroch eram significativamente mais agressivos que os actuais Touros e eram alvo de caçadas nas quais muitas vezes existiam ´danos colaterais´ para os humanos o que cultivou o respeito pela sua bravura e potência na defesa da sua vida e dos seus.

A sua domesticação deu início à criação das subespécies de gado doméstico que hoje abundam no planeta.


Grécia Antiga
Fresco de Cnossos na Grécia 
Minóica
De 2 000 a 1 425 AC surge a idade de ouro da arte Taurina.

O culto do Touro prevalecia na vida da Grécia Minóica. O Rei / Governante, designado por Minos, era o sacerdote do culto do Sol que venerava Cnossos. Uma das entidades divinas adoradas era o Minotauro para o qual construiram o famoso Labirinto de Creta.

Um dos rituais fundamentais era o sacrifício de jovens rapazes, oriundos de antigas aldeias da península Helénica, ao Touro Sagrado que representava a entidade Minotauro. Estas vítimas inocentes tinham a possibilidade de salvar a sua vida se conseguissem, por mestria, agilidade, sorte e capacidade próprias, evitar as investidas de um Touro durante tempo suficiente para serem poupados.

Naturalmente isso raramente acontecia.

Os sacerdotes do Minotauro, que o Touro Sagrado não atacava por com eles conviver desde tenra idade, executavam acrobacias sobre o seu corpo, lançando-se e apoiando-se sobre os seus cornos. No final da cerimónia o Touro era sacrificado e o seu sangue, considerado altamente fecundo, era espalhado sobre os campos como fertilizante.

Suspeita-se também que a lenda do Unicórnio tenha surgido na Grécia através da observação de Touros pois de perfil aparenta ter um único corno.


Império Romano
Touro nos sanguinários espectáculos dos 
Coliseus Romanos
Os Aurochs eram utilizados nos ´espectáculos´ nos Coliseus Romanos que duraram até ao século IV.


Júlio César ficou fascinado com os Aurochs descrevendo-os da seguinte forma "... os animais que são chamados Uri. Estes são um pouco inferiores ao elefante em tamanho e têm a aparência, cor e forma de um Touro. A sua força e velocidade são extraordinárias;.. não poupam nem homem nem besta selvagem que possam ter avistado. Os alemães conduzem-nos a grande custo em covas para matá-los. Os jovens fortalecem-se com este exercício, e praticam este tipo de caça, e aqueles que mataram o maior número deles, apresentando os chifres em público, para servir como prova, recebem um grande elogio. Mas nem mesmo quando tomados muito jovens podem estes animais ​​familiarizar-se para com os homens e serem domados. O tamanho, forma e aparência dos seus cornos, difere muito da dos cornos de nossos bois. Estes são muito procurados, e cobertas as suas pontas de prata, e usados como copos ornamentais ..."

Os Romanos praticavam também uma religião a que chamavam os Mistérios de Mithra, oriunda da pérsia antiga. Mithra representa o Deus da Luz que perseguiu, dominou e matou o Touro divino cuja morte era necessária para a renovação do mundo.


Idade Média

Na idade média existe registo de actividade tauromáquica regular pelo menos desde o século XI na Andaluzia.

Existe uma disputa relativamente aos criadores das corridas de Touros que estão na génese das lides actuais. Cristãos ou Mouros ambos praticavam a tauromaquia.

Depois da queda do Império Romano os seus anfi-teatros ficaram ao abandono e em ruínas tendo sido reaproveitados para a realização de Touradas.

Apesar de por natureza ser um espectáculo popular apresenta-se e afirma-se como um ritual marcadamente aristocrático. Por esta altura o Touro já tinha passado de representação de divindade venerada a representação de entidades demoníacas merecedora da violência da lide. Para os pagãos o touro era uma entidade divina, para os cristãos uma entidade demoníaca. Na península Ibérica a invasão moura foi determinante para acabar com a luta pagã e cristã culminando num reforço da Tauromaquia que tanto apreciavam.


Idade Moderna

A Tauromaquia passa a ser fortemente representada na arte, sobretudo na pintura.

A primeira corrida real em Madrid ocorre em 1502.
A Plaza Mayor, com capacidade para 50 000 espectadores, foi construída em Madrid em 1617.

Os Cavalos assumem grande protagonismo. O toureiro toureava a Cavalo, muitas vezes até que este fosse morto, após o que continuavam a lide a pé sendo suportados por dezenas de homens ao seu dispôr. Os Cavalos são quase considerados carne para canhão. Naturalmente um Cavalo nunca confrontaria um Touro, fá-lo porque são treinados para temer mais a desobediência ao cavaleiro do que a confrontação do Touro.

Em 1725 começa a afirmar-se em Espanha a personagem do matador a pé. Fruto sobretudo da falta de cavalos provocada pela guerra da Sucessão Espanhola de 1701-1714.


A partir de 1740 "La Fiesta" assume uma faceta artística que alarga a sua aceitação a todas as classes sociais.

A partir da 2ª metade do século XIX as técnicas fotográficas revolucionam a reprodução impressa e os esquemas tradicionais. Do ponto de vista plástico a visão humanista da Tauromaquia é substituida pela visão objectiva. O romantismo dá lugar ao realismo e impressionismo.



Portugal (maior detalhe)

Os Touros bravos, que por cá abundavam, eram usados no treino dos senhores feudais e das suas montadas. A tauromaquia era praticada por realeza e nobreza a cavalo, acompanhada da sua criadagem, que era seguida pelo povo a pé.


1516-1746 
Ocorrem mudanças em Espanha, começando por D. Carlos IV, Rei de Espanha de 1516 a 1555, que privou a nobreza espanhola dos jogos com Touros e mais tarde Filipe V, Rei de Espanha entre 1700 e 1746, veta os jogos com Touros em Espanha. Estas restrições no país vizinho impulsionaram esses jogos em Portugal que se desenvolveram e se afirmaram com o aumento da procura, em boa parte proveniente do interesse nas regiões fronteiriças que obtinham em Portugal o prazer das lides que lhes foi dificultado em Espanha.

1683-1706
D. Pedro II era um grande aficcionado e toreava. D. Maria Sofia, sua esposa apaixonada e preocupada com os males que poderiam suceder ao seu marido, conseguiu que o Rei emitisse um decreto que tornava obrigatório o embalamento (corte da ponta dos cornos e seu envolvimento em material resistente que lhe retire capacidade de perfuração mortal) em todas as corridas portuguesas. Isto foi considerado uma fraude no restante mundo taurino onde consideram essencial que o Touro se apresenta na plenitude das suas capacidades.

1777 
Marquês de Pombal proibe as Touradas após uma em que faleceu uma figura nobiliárquica muito estimada pelo actual Rei D. José, voltando a ser permitidas anos mais tarde.

1777-1816 
D. Maria I não era adepta da touradas e desagradavam-lhes as brutalidades e barbaridades presentes nas práticas tauromáquicas. Foi no seu reinado que foram eliminadas práticas como o picar do touro por parte dos populares antes das lides e o cortar dos tendões das patas traseiras para debilitar o Touro a que se seguia uma largada de matilhas de cães para o dominarem. Interviu na organização das lides para atenuar a barbárie e civilizar o povo.

1816-1826 
Durante o reinado de D. João VI a Tauromaquia foi relegada para segundo plano não lhe sendo dada a importância e relevo que teve no passado.

1826-1828
A neta de D. João VI, D. Maria II, chega mesmo a condenar publicamente a Tauromaquia considerando-a bárbara.

1828-1834 
D. Miguel I anula a tendência da sua sobrinha D. Maria II e restaura o estatuto da Tauromaquia incentivando a sua recuperação.

1836
D. Maria II, novamente no poder, tenta novamente a proibição total o que provocou o insurgir de nobres e plebeus contra a sua medida. Curiosamente, ou talvez não, neste mesmo ano é criada a Inspecção Geral de Teatros e Espectáculos que está intimamente ligada à Tauromaquia.

1889-1908 
D. Carlos I afirma a presença da Tauromaquia na cultura de Portugal e em 1892 é inaugurada a praça do Campo Pequeno em Portugal.

1930 
Só nesta altura os Cavalos passam a ser protegidos por uma malha protectora para impedir a perfuração por parte dos cornos dos Touros. Até aqui era frequente que nas touradas morressem mais Cavalos do que Touros sendo quase considerados como instrumentos dispensáveis para atingir o fim da lide.

Fonte