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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Anatomia do sofrimento de um touro (quando espetado pelo 'matador' na praça de touros)


Há algo que gostaria de partilhar, visto que a informação está a ser publicada de forma galopante pelos meios de comunicação social.
Eu não pude ficar indiferente à informação fraudulenta que por aí circula, numa tentativa de justificar o injustificável! Ainda por cima vindo de "profissionais" da área, isto é verdadeiramente triste, senão vergonhoso!

Analisando a imagem:
Primeiro que tudo existem vários tipos de stress, segundo as hormonas corticosteróides, como o cortisol, não são catecolaminas (Adrenalina, epinefrina, etc.), terceiro é lógico que o cortisol esteja mais elevado durante o transporte, afinal ele está relacionado principalmente com respostas de stress a longo prazo, não a curto! A informação da imagem não tem valor científico algum! Apenas vem afirmar o que consta há 50 anos nos livros de Fisiologia! Se os defensores das touradas querem ser levados a sério façam uma pesquisa dos níveis dos mediadores da dor (bradicinina, serotonina, substância P, etc.) e das catecolaminas, aquando de todos os processos que o animal é sujeitado!
Dizer que o animal não sofre porque apresenta níveis de cortisol mais baixos do que em transporte é algo surreal!
Estão a misturar os pés com as mãos.
 E isto não sou eu que estou a inventar, consta em todos os manuais de Fisiologia, é uma das bases da fisiologia e um falha gravíssima atentar contra isto!

Dor ≠ Cortisol - Não podemos deixar que moldem os factos em favor das circunstâncias!
O pior é que isto até foi publicado no jornal de notícias e tem vindo a ser utilizado como argumento!
Um aplauso à ignorância gratuita!

Na minha óptica isto é VERGONHOSO!
É preciso filtrar a informação, pois há muita gente que acredita neste artigo falacioso!


Outras publicações:

"Toros Libres"

Artigos

Referência à nossa publicação no site ANDA

domingo, 11 de março de 2012

A tourada, razão da existência do touro bravo?

Hugo Evangelista – Biólogo

"Um dos argumentos frequentemente mencionados em debates sobre touradas é o da importância em manter a espécie do touro bravo. Os proprietários das ganadarias mantêm os touros nos seus terrenos, não porque tenham uma grande consciência ecológica e ambiental, mas porque daí retiram dinheiro. Muito dinheiro. No dia em que os touros deixarem de ser vendidos a 2000 euros cada (sem contar com chorudos subsídios europeus), cerca de 2600 animais por ano (DN, 2007), os proprietários das ganadarias rapidamente se esquecerão de qualquer importância ecológica ou da biodiversidade do touro bravo. É esta a principal, senão a única, verdadeira razão para a continuação das touradas no nosso país - um forte interesse económico de um pequeno grupo de pessoas. É claro que, para desculpar o indesculpável, atiram para os olhos o argumento de se querer proteger uma espécie. Mas nem o touro bravo é uma espécie, porque é sim uma raça ou subespécie, nem a extinção desta raça é irremediável e obrigatória quando as touradas acabarem. A extinção desta raça não é irremediável nem obrigatória porque nada impede a criação parques naturais, santuários ou outras soluções viáveis para a conservação destes animais. O que não pode nunca acontecer é justificarmos a crueldade para com uma animal para o poder "conservar". Cabe na cabeça de alguém que a conservação do panda passe por lhe espetar bandarilhas no dorso? Que o repovoamento do lince ibérico na Península Ibérica passe por lhe cortar as orelhas e rabo? A conservação de espécies / raças, não é argumento para continuar as touradas. É um papel que tem de ser assumido pelos portugueses e pelo Estado e não por empresas que da exploração desses animais retiram avultados lucros. Existe outro argumento frequente, que é o da conservação dos ecossistemas, mas este é ainda mais frágil. É que estamos a falar de um animal totalmente domesticado, que só existe por selecção artificial de características de interesse, que no caso do touro bravo é essencialmente a bravura. Ou seja, o touro bravo não existe no campo por estar em total equilíbrio e conjugação com a Natureza. Está lá porque os ganadeiros assim o fizeram e ali o colocaram. Isto significa que um touro bravo é, no mínimo, um elemento supérfluo na manutenção dos montados portugueses. Voltamos então ao único argumento de peso para a manutenção das touradas. Os interesses económicos. Interesses esses que vivem de um espectáculo que promove a ideia de que existe justiça e igualdade em colocar um animal num local estranho e com regras definidas pelos humanos; que coloca animais numa luta que estes não desejam mas são forçados a entrar; que vive da diabolização da imagem de um herbívoro territorial e faz disso um espectáculo de entretenimento.

É vital rejeitarmos esta visão subversiva da realidade. É preciso dizer que a tourada não é uma fatalidade e que podemos acabar com uma das formas mais indignas e desumanas de tratamento dos animais da actualidade. O caso muito recente de Viana do Castelo dá-nos força e entusiasmo. É vital agora a maioria silenciosa que se opõe às touradas mostrar o seu descontentamento, de forma pró-activa e com um único compromisso: o respeito pelos animais e pela Natureza."

Consequências de ver videos de touradas em crianças


Um grupo de investigação de uma universidade espanhola realizou um estudo sobre os efeitos que assistir a uma tourada produz em crianças espanholas.
O estudo efectuou-se com 240 crianças oriundas de Madrid, 120 rapazes e 120 raparigas com idades compreendidas entre os 8 e os 10 anos, de vários contextos socioeconómicos. Foi-lhes mostrado vídeos de touradas com 3 narrações distintas, uma justificando-a como uma “festa nacional”, outra relatando-a como violenta e uma terceira narração que pretendia ser imparcial e neutra.
No presente estudo, 60% das crianças referiu a morte do touro como a parte que menos gostavam das touradas. Ao nível emocional e cognitivo, 52% sentiu mágoa ao ver o evento; mais de metade achou que não se devia fazer mal ao animal e um quarto da amostra, referiu que era um exemplo claro de mal trato animal.
As crianças que viram o vídeo com a narração de que era uma festa nacional (descrevendo a tourada mas ignorando as suas consequências negativas), obtiveram pontuações mais altas na escala de agressão e de ansiedade, em comparação com as que viram o vídeo com uma narração neutra. Dentro do mesmo grupo, os rapazes de nove anos alcançaram níveis de agressividade superiores às raparigas.
O vídeo com uma narração violenta causou maior impacto emocional negativo nas crianças, em comparação com as que viram o vídeo com uma narração neutra e imparcial. A principal conclusão é que a mensagem que acompanha o vídeo, produz grandes consequências na agressividade e ansiedade. As narrações “festivas” produzem maiores níveis de agressão e ansiedade, enquanto que, as narrações focadas nos aspectos negativos, produzem um maior impacto emocional nas crianças.
Assistir e ver episódios ou cenas violentas tem um maior impacto em crianças e no seu comportamento, do que em adultos, esta susceptibilidade dos mais jovens prolonga-se até aos 19 anos de idade (Viemero, 1986; Viemero e col., 1998). As raparigas parecem saber distinguir melhor entre realidade e ficção, enquanto que os rapazes tendem a analisar se o que vêem é possível e se corresponde ao que é esperado deles, identificando-se mais facilmente com personagens agressivas (Huesmann, 1986; Huesmann e col., 1998).
Ao passo que as justificações dadas ás cenas agressivas vão aumentando, também a tolerância das crianças a estes comportamentos violentos vai crescendo, aumentando por sua vez o seu nível de aceitação geral em relação a comportamentos agressivos (Drabman e Thomas, 1975; Drabman e col., 1977; Peña e col.,1999; Ramirez, 1991, 1993; Ramirez e col., 2001).

Podem ler o artigo completo em: “Agressive Behavior. volume 30, pag 16-28, (2004)”.
Fonte


Altera a Lei N.º 27/2007, de 30 de Julho, designando espectáculos tauromáquicos como susceptíveis de influírem negativamente na formação da personalidade de crianças e adolescentes
Março de 2011

Multiplicam-se os estudos académicos que têm, de forma sustentada, demostrado os efeitos negativos das crianças e adolescentes assistirem a touradas na formação da sua personalidade.
Num desses estudos, do Departmento de Psicologia Clínica de Madrid, foram estudados os comportamento de 240 crianças espanholas, com idades compreendidas entre os 8 e os 10 anos, de vários contextos socioeconómicos. A um dos grupos de crianças foram mostrados vídeos de violência contra os animais durante as touradas, tendo de seguida sido observados os níveis mais altos na escala de agressão e de ansiedade, em comparação com outros grupos controlo. Dentro do mesmo grupo, os rapazes alcançaram níveis de agressividade superiores às raparigas.
A realidade é que a transmissão televisiva de touradas parece causar, de forma sustentada no conhecimento que está disponível até hoje, um impacto emocional negativo nas crianças, porque produz graves consequências na agressividade e ansiedade das crianças. Esta situação leva a que aumentem as justificações dadas às cenas agressivas, aumentando a tolerância das crianças a estes comportamentos violentos, aumentando por sua vez o seu nível de aceitação geral em relação a comportamentos agressivos.
Esta situação já levou a que vários países tenham limitado ou proibido a emissão televisiva de touradas.
Fonte





Televisão pública espanhola deixa de transmitir touradas
As touradas, uma das mais emblemáticas tradições espanholas, vão deixar de se ter transmitidas pela televisão pública nacional. A Radiotelevision Espanola (RTVE) justifica a medida com o risco de exposição das crianças à violência contra animais.

Decorrente da recente actualização do seu livro de estilo, a RTVE anunciou no sábado que deixará de transmitir corridas de touros, especialmente porque elas coincidem com as horas em que as crianças ainda estão a ver televisão, normalmente durante a tarde.

Esta medida terá, porém, pouco impacto na programação actual, uma vez que a estação já tinha deixado de transmitir regularmente corridas de touros em 2007, por razões comerciais (muitas vezes não conseguia comprar os direitos de transmissão) e optando por transmitir eventos mais populares, nomeadamente jogos de futebol.

O novo livro de estilo da estação estatal passa a consagrar as touradas como um acto de violência contra os animais e escuda-se nesta revisão das normas para justificar a sua decisão.

A Espanha tem vindo a intensificar o debate acerca do fim das corridas de touros, especialmente depois dos decisores da Catalunha terem votado, em Julho último, a favor do fim das touradas naquela região a partir de 2012. Uma medida semelhante tinha já sido posta em vigor nas Ilhas Canárias, que baniram a prática em 1991.

A decisão da Catalunha encorajou grupos de defesa dos animais, que reforçaram os seus protestos em Espanha e no norte de França, onde cerca de 100 touradas decorrem todos os anos.

Pelo contrário, os defensores das touradas vieram criticar a decisão da RTVE, apelidando-a de hipocrisia motivada por razões políticas. “Parece hipócrita que o mesmo critério não seja aplicado a outro tipo de conteúdos. Há muito mais cenas violentas, não apenas contra animais mas contra pessoas, mostradas em filmes e série de televisão e que são transmitidas em canais público”.

Este argumento é, porém, falacioso, uma vez que os filmes e as séries são ficção e as touradas são reais.

RTVE indica, porém, que a decisão não vai ficar “indiferente à relevância do universo das corridas de touros” em Espanha, sublinhando que irá continuar a oferecer “programação que destaque as dimensões artísticas, literárias, ambientais e sociais das touradas”.

As corridas de touros continuam a ser a pièce de résistance das festas que decorrem em muitas localidades espanholas, sobretudo no sul do país, onde esta prática está muito enraizada. Mesmo em Madrid, a praça de touro de Las Ventas, conta com cerca de 19 mil espectadores com bilhete de época.

Em sentido contrário, alguns canais de televisão passaram a desviar mais recursos para a transmissão de corridas de touros, nomeadamente o Canal Plus, um operador privado que introduziu em Maio uma opção que permite aos telespectadores verem uma tourada em 3D, indica o “NY Times”.

A Espanha tem vindo a intensificar o debate acerca do fim das corridas de touros, especialmente depois dos decisores da Catalunha terem votado, em Julho último, a favor do fim das touradas naquela região a partir de 2012

Público


Does bullfighting represent a psychological danger for young spectators ?
Why is it important to raise the question of youth attendance at bullfights ?
The particular nature of bullfighting violence
Traumatic effect of bullfighting spectacles
Habituation or incitement to violence
Does culture protect from the effects of violent spectacles ?
Are the parents who take their children to see bullfights bad parents ?
Learning to bullfight
Conclusion