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domingo, 7 de agosto de 2016

Pérolas: A defesa do indefensável

Existem tantos outros sociólogos e professores que defendem a Nossa Causa, Abolicionistas. O sociolólogo Luis Capucha tem tanto direito como nós temos, de defender a Abolição dum espectáculo degradante. Ser sociólogo não lhe dá mais direitos.
Uma resposta que ficará para a História "Negra"  e sangrenta desta cidade e deste país.




«Carta Aberta à Diretora do “Público”

Em defesa do bom jornalismo e da liberdade cultural

Exma. Senhora Diretora

Resolveu V. Exa. no Editorial de ontem, 22 de julho, do “Público” alinhar com os argumentos anti-taurinos cujas materializações numa série de projetos de Lei foram chumbados recentemente na Assembleia da República, por uma maioria de deputados superior a 80%.

Sem reflexão ou justificação acusou os Partidos que chumbaram esses projetos de se moverem em função de meros interesses clientelares, entrando dessa forma numa linha de argumentação perigosamente populista. Melhor seria ter-se informado, como devem fazer os jornalistas e, por maioria de razão, os diretores de jornais, sobre os fundamentos dos factos que toma por verdades, quando na realidade não passam de puras falsidades. Como cidadã, a Diretora do Público pode ter a opinião que entende, incluindo sobre ideias erradas nos planos moral e ético, como o que se esconde atrás da ideia de “direitos dos animais” (embora ninguém explique quais são os correspondentes deveres). Mas não tem o direito de se servir do cargo para emitir meras opiniões assentes em puros e simples preconceitos. Passo a especificar aquilo que a Senhora Diretora deveria ter mandado investigar, ou ter procurado o contraditório antes de cair nos erros em que cai, em vez de alinhar pelas posições que alinhou.

Diz-se no referido Editorial que “quando um pouco por toda a parte tendências de comportamento e movimentos cívicos evidenciam uma crescente sensibilização aos direitos dos animais, a Assembleia da República mostra o quanto está distante dessas preocupações e desses avanços civilizacionais”. Estranho civismo este que esquece o mais importante: um pouco por todo o lado o que cresce é a violência, o autoritarismo, o ódio, o terrorismo, a injustiça social e económica, o recuo dos direitos humanos, as agressões ao ambiente. O recuo do humanismo, o avanço da misantropia e a transferência dos afetos para com os nossos semelhantes para os afetos para com os animais de companhia não fará parte do ambiente cultural em que vingam todos estes grande problemas humanos?

Diz-se depois que o projeto de Lei do PAN sobre financiamento à tauromaquia é o “mais bem fundamentado, com argumentos e muitos dados por certo desconhecidos da maioria dos portugueses”, e que é “…doloroso transcrever parte da descrição pormenorizada feita no documento do PAN sobre os efeitos que a lide taurina provoca num animal”. Com pouco esforço, facilmente poderia um estagiário da sua Redação constatar que os dados avançados pelo PAN são falsos, pura mistificação e mentira demagógica. Quer quanto aos dinheiros, quer quanto ao ritual de que o Toiro Bravo é o centro. Já é costume esse tipo de propaganda completamente indiferente à verdade dos factos e aos resultados da investigação científica por parte dos animalistas, mas a uma jornalista isso fico mal.

Não falta depois o vitupério contra os seus concidadãos que gostam de toiros, Senhora Diretora. Não é a “…exposição nua e crua da tortura animal” que os anima. São valores profundamente inscritos na cultura tauromáquica e que integram a sua identidade cultural. A Senhora Diretora não é melhor cidadã do que nós, e não compreendemos a presunção de superioridade para connosco que transparece do seu Editorial. Se não compreende nem conhece a tauromaquia e os seus valores, nem quer compreender ou conhecer, respeito essa opção. Mas nesse caso não julgue o que não entende, porque a ignorância não é boa conselheira.

Por fim, fecha essa a parte em apreço do Editorial com uma pergunta: “Ou será por acaso que os quatro partidos apoiantes das touradas são os únicos que dispõem de corte camarária?” Pergunto-lhe, Senhora Diretora, se pode pensar na resposta a outra pergunta: não será que os partidos sem presença nos municípios não estão nessa situação porque são incapazes de sair dos meios elitistas de que são originários para tentar compreender, de forma próxima e vivida, os sentimentos dos portugueses, naquilo que eles têm de especificamente local?»


Vila Franca de Xira, 23 de julho 2016
Luís Capucha, Sociólogo, Professor no ISCTE-IUL

sexta-feira, 27 de março de 2015

Se acabarem as touradas acabam os touros bravos?

«Perceberam agora?», perguntou a Helena Matos, «Que se acabarem as touradas acabam os touros bravos?»(1) e, como exemplo, deu uma notícia que não tem nada que ver com touradas mas com gado abandonado (2). À parte da incoerência, o argumento de continuar as touradas para preservar os touros bravos é uma treta. 

O touro bravo não é uma espécie. É seleccionado e criado para ser agressivo mas não tem importância para a diversidade genética dos bovinos. Nem é uma coisa muito natural. «A raça Brava resulta de um processo de selecção e transformação, até à obtenção de um animal que, não perdendo as suas características de investida, permite ser submetido, através do toureio»(3). É um bicho de circo. Se deixarem de criar estes animais, biologicamente não se perde nada. 

O argumento de que se crie o touro bravo pelo valor ecológico do montado também não colhe, e até é inconsistente. É verdade que o montado é um ecossistema importante, com grande biodiversidade e abrigando espécies em perigo como o Lince Ibérico e a Águia Imperial. Tem também um grande valor económico, por exemplo pela produção de cortiça. Mas o touro não faz lá falta e, se o montado é assim tão importante, certamente que não vai desaparecer só por se deixar de fazer touradas. Os montados em Portugal estão legalmente protegidos e, ao contrário do que este argumento assume, o mais plausível é que os proprietários das ganadarias simplesmente aproveitem os montados para criar estes touros. Não é plausível que os montados só sejam úteis por causa dos touros. Parece-me contraditório afirmar que o montado é muitíssimo importante mas que sem o touro bravo ninguém quer montados para nada. 

Mas o maior erro da Helena Matos é julgar que torturar os animais em espectáculos públicos é uma forma adequada de os proteger. Se quisermos preservar o touro bravo, então o melhor será criar reservas naturais para esses animais. A solução da Helena faz tanto sentido como incentivar as lutas de cães para promover a criação do Dogue Argentino. Mas isso, dirão os aficionados da tauromaquia, é uma coisa completamente diferente. A tourada é uma tradição milenar na qual o bravo animal é homenageado pelo público por enfrentar o sofrimento até à sua gloriosa morte. A luta de cães, pelo contrário, é um espectáculo bárbaro e antiquada no qual a assistência se entretém vendo animais a sofrer até à morte. Perceberam agora? 

1- Blasfémias, Perceberam agora?
2- Esta, no Jornal de Notícias, mas ver também esta, no Público, mais detalhada.
3- Café Portugal, Touro bravo é estudado na Faculdade de Medicina Veterinária



Fonte: ktreta

domingo, 30 de setembro de 2012

Fim do Abono

 Campo Pequeno

A exêmplo do seu colega das Finanças, que na 4ª feira esteve presente na TV anunciando o "Fim do Abono" (para famílias "ricas", que ganham 8.800 Euros por ano) também a Sra. Ministra da Cultura marcou presença no "Fim do Abono" da época 2010, no Campo Pequeno.

    Curiosamente, ela escapou por um triz a um atentado à integridade física, perpetrado, imagine-se, pelo cavalo do Joaquim Bastinhas.
    Sim senhor eu estava ali ao lado e vi perfeitamente quando o cavalo que abriu a corrida, atirou com uma ferradura pelos ares.
    O sapato da cavalgadura foi acertar em cheio na cabeça de uma elegante senhora que estava na primeira fila, ao lado da varanda do "Inteligente", não muito longe das figuras ilustres aqui na imagem.
    O voo daquela ferradura, que passou mesmo à minha frente, parecia retirado de uma cena de um filme de "ninjas".
    Ficou na minha memória o som do ferro em alta rotação, silvando no ar e a embater na cabeça da senhora, que ainda assim, teve o reflexo de levantar a mão à frente da cara e depois saiu em maca para a enfermaria e não voltou. Pudera! Duvido que alguma vez ela volte a sentar-se no sector 1 daquela praça.

    Conclusões:
    1 - Será que vai pegar a moda de atirar sapatos à cabeça dos governantes - que pena o outro Ministro não ter ido à tourada...
    2 - Esta coisa das touradas, não é só difícil para os toureiros e forcados, também é perigosa para os espectadores, principalmente os das primeiras filas.
    3 - Para a próxima corrida, estou a pensar levar o meu "Capacete de Cozinheiro".

Nota:
Não sei ao certo, mas acho que o "Abono", na gíria tauromáquica, é o conjunto de corridas programadas para uma época, numa Praça.

fonte

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Macaquinhos de imitação

A sério, farto-me de rir com os aficionados, por toda a sua criatividade.

Reparem:

Se nós criamos um grupo anti-touradas no Facebook, eles criam a Frente de Acção Pró Taurina (FAPT); se nós enviamos e-mails para um organismo, eles também enviam com pedido inverso; se organizamos uma manifestação, eles falam, logo, em manifestações; se criamos uma petição, eles uma petição criam...

Os macaquinhos de imitação são muito engraçados.

E a melhor, finalmente, quando têm uma iniciativa não copiada por nós, o que é que sai dali?

Um Oscar® virtual para os aficionados que mais defenderam a causa.

Um Óscar? Mas isso não são prémios de cinema?
Ah Ah Ah Muito bom!

Em vez de criarem um prémio virtual próprio da FAPT, acharam mais arrojado usar o Óscar.
Não se lembraram do Prémio Nobel, foi o que foi...

E o melhor é que quem "recebeu" o Óscar, agradeceu com um discurso comovido como em Hollywood. Genial!



Bernardo Mesquitella um dos rostos da Frente!

A página da Frente de Acção Pró Taurina na rede social facebook atinge os 30.000. Criada por alguns aficionados que não pretendem qualquer protagonismo, amantes do mais belo espectáculo do mundo.

PARA DEFENDER A FESTA É PRECISO SOBRETUDO AGIR!
Missão
Objectivos desta página:

1) Denuncia de todas as Entidades, Organizações e Empresas que tomam medidas discriminatórias em relação à Festa Brava, à cultura Taurina, sua actividade e seus milhares e milhares de seguidores.

2) Defesa e Contra-Ataque organizado a todas as campanhas e acções com origem em organizações sectárias e fundamentalistas, de pessoas cujo objectivo final de luta, é obrigar todo e qualquer ser humano a tornar-se num vegetariano ( vide estatutos ). Deturpam a verdade tentando transpor o imaginário da corrida à espanhola para a realidade portuguesa , quando uma não tem nada a ver com a outra! Rotulam e enxovalham, sempre que podem, as centenas de milhares de pessoas que anualmente participam em eventos taurinos de toda a ordem e um pouco por todo o país , numa profunda demonstração de ódio, ressabiamento social e cultura fundamentalista anti-democrática.

A estes e aos outros, dizemos ……. BASTA !!
A partir de agora, já nada será como foi até aqui !!!
Por isso anti-taurinos, vos dizemos !! Acabou-se a vossa exclusividade no panorama mediático, a vossa soberba, a constante deturpação de factos e a demagogia de um discurso urbano-depressivo decalcado de outras culturas, que não a nossa, que nos querem impor à viva força, mesmo que não representem mais do que uma ínfima minoria.

Se estava farto do cenário que via, se interiormente perguntava onde estão todos, porque não fazemos nada, então, ESTA é a sua página .

Que fiquem 2 coisas MUITO bem claras . À moda Taurina, sem rodeios e de “caras” !!

1. Adira a esta página APENAS se for para AGIR.
2. Em hipótese alguma esta página tem a pretensão de substituir ou ocupar o espaço que no futuro caberá à Plataforma oficial de defesa da Tauromaquia. Quando muito servirá para motivar quem de direito a assumir as suas responsabilidades.

Bernardo Mesquitella
http://farpasecornadas.blogspot.pt/search?updated-max=2010-03-30T10:50:00%2B01:00&max-results=7&reverse-paginate=true
http://diariotaurino.blogspot.pt/2012/04/frente-de-accao-pro-taurina-30-mil-no.html

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O touro é um animal doméstico!

Comentário de um aficionado: "eu gostava era de ver estes meninos que vêem o touro como animal doméstico a terem um na varanda!"

(risos)
- Como se doméstico fosse para ter em casa. Bom seria consultarem o dicionário.
A denominação de animais domésticos é dada àqueles animais que são treinados para ter um comportamento habitual em situações semelhantes.

Domesticação - consiste numa relação ecológica do tipo esclavagismo desenvolvido pelos seres humanos associados com outras espécies de seres vivos.
Doméstico - que convive com o ser humano.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Texto argumentativo

Touradas, um assunto capaz de dividir famílias, cidades, países. Quase se poderia dizer que se parece com futebol, só que no caso das touradas parece só haver dois clubes: os Pró e os Contra
Na minha opinião as touradas são cruéis porque com que os touros sofram. As touradas são usadas para entreter os humanos. Bem, tenho alguma dificuldade em chamar humanos, seres que se divertem com a tortura de um animal.
Uma coisa é matar os touros sem que sofram outra coisa é tortura-los espetando farpas que os deixam a jorrar sangue e pô-los cansados para no fim os matarem sem dó nem piedade. “ Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti”. Este é um ditado que se pode aplicar nesta situação, e dizer as pessoas que gostam das touradas, para que se ponham no lugar dos touros e imaginem o que é ser torturado e no fim morto. Não se trata de matar para sobreviver, trata-se de torturar e matar por divertimento! Que mal terão feito os touros? Nenhum. São apenas uma raça inferior e com menos poder, por isso podem servir de passatempo para os mais inteligentes e poderosos.
Há quem diga que os touros não sofrem com as farpas. Pobre argumento, não só não se sabe se é verdade, como mesmo que não sofram, continuam na arena a ser gozados pelas pessoas.
Acho que as touradas podem ser substituídas, por exemplo, por idas ao cinema, ao teatro, a concertos, ou a acontecimentos desportivos, pois estas actividades entretêm e divertem as pessoas e não prejudicam os touros.
Penso que as touradas são algo que deveria deixar de existir pois incentiva a crueldade. Os touros deviam ser livres e quando for necessária a sua carne, devem ser mortos rapidamente.

Filipe Esteves 11º ano

Só para os aficionados é que a Árvore Genealógica é mais interessante do que a Árvore Filogenética

Talvez os aficionados não saibam grande coisa de Biologia, mas o homem é parente do touro! Aliás, somos todos descendentes do Last Universal Common Ancestor (talvez com desenhos consigam perceber). O que significa que molestarem um animal é qualquer coisa como molestarem a vossa 'prima'.
Fonte

Só se manifestam onde?

Quem quer marrar nos manifestantes?
Uma das minhas questões favoritas, muitas vezes colocada por aficionados nervosos, é a seguinte:

"Porque é que os anti-touradas protestam sempre à porta do Campo Pequeno e não se manifestam em Santarém, na Chamusca, em Vila Franca de Xira, etc?"

Quando é feita esta interrogação é sempre no sentido de que se os "anti" forem para essas terras levam uns "amassos" dos "pró".

E porque é que eu adoro esta pergunta? Por três motivos:

1º- Só demonstram que são uns boçais e que só conseguem levar a deles a avante, através da violência física;

2º- Desprestigiam as localidades de onde são habitantes. Afinal, qual é a vontade de ir conhecer Vila Franca, por exemplo, quando se imagina que essa cidade está repleta de arruaceiros?

3º- Subentende-se que os aficionados de Lisboa são uns "bananas" porque não fazem nada. E é giro ouvi-los a dizer mal uns dos outros...

Fonte

A tourada vista por dentro...


O jornalista declara desde já – correndo o risco de ganhar inimigos de ambos os lados – que não é a favor nem contra as touradas. Declara-se ainda um leigo em matéria tauromáquica e por isso pediu ao empresário Paulo Pessoa de Carvalho que o sentasse ao lado de um aficionado para que este lhe desse umas dicas durante a corrida.
A crónica que se segue tem, pois, a visão e as explicações de Francisco Borges, 51 anos, ex-forcado do Grupo de Montemor, onde fez 85 pegas de caras e três de cernelha. Este bancário de profissão assiste a cerca de 30 corridas por ano e é uma figura bastante conhecida no meio tauromáquico.

São 21h45, a Praça de Touros da cidade está à pinha e cumprido o ritual de cortesia, irrompe pela arena o primeiro toiro da noite. São 510 quilos de músculos e nervo que em breve levam uma primeira estocada do cavaleiro António Ribeiro Telles que lhe desfere, certeiro, um ferro comprido. O bicho reage e persegue o cavalo, o que, para Francisco Borges, revela que o toiro é bravo porque não se intimidou com a dor e insiste em atacar o cavalo.
Segue-se um primeiro ferro curto que arranca aplausos da multidão, seguindo-se mais três até ao final da lide.

Uma lide a cavalo dura dez minutos e o cavaleiro pode desferir as farpas que quiser, mas a partir do quarto ferro curto é de bom tom pedir autorização ao director da corrida para poder continuar.
O director de hoje é Nuno Nery. Ele é a autoridade máxima dentro da praça, com poder para interromper ou cancelar a corrida, para mandar sair quem se porta mal e até para dar ordem de detenção, que deverá ser cumprida por um polícia.

Eis uma coisa curiosa do mundo da tauromaquia. O director de uma tourada é o representante do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura.
António Ribeiro Telles fez uma boa lide. É certo que o toiro também ajudou – era bravo e previsível. Agora o cornetim anuncia a pega de caras pelo Grupo de Forcados de Montemor. Francisco Borges benze-se discretamente, quase por instinto. Afinal foram 14 anos naquelas andanças e ainda hoje reconhece que sente um pico de adrenalina quando vê uma pega. Mais ainda se esta for do seu grupo de Montemor, o segundo mais antigo do país, fundado em 1939 (o primeiro foi o de Santarém).

Os rapazes saltam para a arena, posicionam-se e o forcado Filipe Mendes desafia o toiro, que não tarda em investir. A pega corre bem, muito por mérito deste jovem que soube manter-se agarrado ao toiro porque este fugiu ao grupo e tiveram que correr para o ajudar.
Segue-se Vítor Ribeiro, o segundo cavaleiro da noite, que observa, atento, o comportamento do toiro diante dos peões da brega (também designados bandarilheiros ou subalternos). Em breve desfere o primeiro ferro, destapando no toiro uma bandeira do CDS que ergue ao público, motivando um coro de aplausos. Paulo Portas, que fizera uma entrada discreta nos primeiros minutos da corrida, é o último a deixar de bater palmas.

Francisco Borges explica que as farpas actuais têm um mola que é accionada quando se espeta o toiro e que faz com que esta fique pendurada sob o dorso do animal em vez de se manter espetada. O objectivo é proteger os forcados aquando da pega porque, por mais de uma vez, houve ferimentos graves quando o animal investe e as farpas acertam no rosto do “forcado da cara” (forcado que pega o toiro).

A lide do cavaleiro Vítor Ribeiro está a ser um sucesso, apesar de ter contado com um toiro ainda mais colaborante do que o anterior. Entusiasmado, o público até bate palmas acompanhando o pasodoble, o que motiva o desagrado de quem percebe do assunto. “Vê-se que não é uma corrida de aficionados porque as pessoas batem palmas ao ritmo da música e isso pode distrair o toiro”, diz Francisco Borges. E tem razão. Há aqui dois tipos de público: o da tauromaquia e o do CDS/PP.
A intersecção destes dois grupos é que é grande.
Agora é a vez dos forcados das Caldas. Guilherme Carvalho Pinto dirige-se a Paulo Portas e oferece-lhe a pega, “com uma grande honra porque o senhor é um grande homem que defende a festa brava”. E, claro, novos aplausos.
A primeira pega não correu bem porque o forcado não se agarrou o suficiente. A segunda tentativa também falhou, mas à terceira foi de vez e Guilherme Pinto agarrou-se com genica ao animal enquanto a ajuda (o restante grupo de forcados) o imobilizava.
Às 22h20 solta-se de um lado das bancadas uma enorme faixa da Juventude Popular e ouvem-se vivas à JP. Para quem se tinha esquecido, a corrida de hoje também é política.

O terceiro toiro pesa 500 quilos e entra bem na arena, de forma bravia. Reage bem ao castigo, o mesmo é dizer, ao primeiro ferro, mas vai dar algum trabalho a Pedro Salvador, o cavaleiro que procurará por todos os meios captar a atenção de um animal que está demasiado atento ao que se passa fora da arena e reage a todos os movimentos circundantes. “O toiro não vai ao cavalo”, ouve-se dizer entre os entendidos. Por esse motivo, a dupla cavalo mais cavaleiro tem de se esforçar para lhe conseguir espetar os dois ferros compridos e quatro curtos com que termina a lide.
E segue-se a pega. O forcado de Montemor, Tiago Telles de Carvalho, pegou à primeira e mereceu os aplausos do público.

PAULO PORTAS NA ARENA
A corrida não teve intervalo, mas sim um momento em que o líder do CDS também entrou na arena e foi cumprimentar os artistas (expressão que designa os actores deste espectáculo).

A segunda parte da corrida – com os cavaleiros Brito Pães, Duarte Pinto e Soller Garcia – revelar-se-ia desastrosa para o grupo de forcados das Caldas da Rainha, com dois feridos a serem evacuados da arena. Xavier Ovídeo, que dedicou a pega a Paulo Pessoa de Carvalho, acabaria por se desprender do animal e por ele ser pisado, tendo de ser retirado em maca pelos colegas e pelos bombeiros, enquanto o toiro era mantido a uma distância prudente pelo trabalho dos peões de brega. A pega dos forcados caldenses acabaria por se concretizar com Francisco Rebelo de Andrade.

Seguiu-se o quinto toiro da noite, com 485 quilos, que foi lidado por Duarte Pinto e cuja pega – por coincidência – foi dedicada pelos forcados de Montemor ao próprio Francisco Borges. Modestamente, só nesta altura este aficionado conta que tem dois filhos no grupo de Montemor e que estão ali ambos naquela noite.

A sensação do pai ex-forcado perante os filhos que lhe seguem as pisadas é contraditória: “por um lado não queremos porque sabemos os riscos que se correm, mas por outro é um orgulho porque é uma actividade de grande camaradagem, onde se forma um grupo de amigos capazes de dar a vida uns pelos outros”.

O último toiro da noite, com 536 quilos, revelou-se o menos colaborante de todos. Ficava parado no meio da praça e recusava-se a perseguir o cavaleiro que, apesar de tudo, teve uma boa lide. Entretanto os Forcados Amadores das Caldas da Rainha decidem que este toiro será pegado de cernelha, o que significa fazer entrar os cabrestos (bois mansos que servem de guia aos touros e os encaminham para a saída) na arena para o rodearem e o obrigarem a andar no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Nessa altura, dois únicos forcados devem pegá-lo em simultâneo, um pelos costados e o outro pelo rabo, até o imobilizarem.

José Sousa Dias e Salvador Costa Pereira por duas vezes o tentaram, mas não o conseguiram, até que o primeiro acabou por ser evacuado por, ao estar atento aos movimentos do toiro, não ter reparado num cabresto que chocou contra ele e o pisou.
Os forcados caldenses decidem então realizar uma pega de caras, terminando a noite com muito espectáculo, mas nem sempre fazendo as coisas bem feitas.

Em teoria, os cabrestos deveriam ser retirados da arena e o grupo posicionar-se para pegar o toiro. Mas, algo desesperados por a noite não estar a correr da melhor maneira, os caldenses decidem pegá-lo por entre a confusão dos cabrestos, falhando um primeira tentativa.
Nova tentativa, outra vez improvisada, e Mário Cardeira, que já fora ao chão e tem a cara coberta de sangue, salva a honra do grupo e consegue pegar o maior toiro da noite, sendo bastante ovacionado pela sua coragem.

A corrida chegou ao fim.
Carlos Cipriano
in Gazeta das Caldas

“O CDS defende as touradas”
“O CDS/PP não tem uma posição oficial sobre as touradas. Há muita gente que é contra e muita gente que é a favor. Mas sempre que quiserem atacar as touradas, o CDS defende-as”. A afirmação é de Paulo Portas, no final da corrida, após ter recusado inicialmente prestar declarações, dizendo que “não confundo política com entretenimento”.
C.C.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A tauromaquia, abominada em todo o mundo civilizado, é a vergonha de Espanha!

CARTA A SERGIO RAMOS

Ayer, 1 de julio de 2012, la selección española de fútbol, de la que tú formas parte, hacía historia logrando su segundo título consecutivo en un Campeonato de Europa, dos años después de proclamarse campeona del mundo en Sudáfrica. Ninguna nación hizo algo similar. Mi enhorabuena por lo conseguido. El eterno equipo perdedor se ha convertido en los últimos cuatro años en el eterno ganador. Ya estamos buscando rival para la final del 2014 en el campeonato del mundo de Brasil.

Debo reconocer que ya no me emociono con estos acontecimientos. Debe ser que los años y la experiencia acumulada, me hacen medir con prismas distintos según qué cosas ocurren a mi alrededor. He dicho que no me emocionan, lo que no quiere decir que no me alegren, eso si, con moderación. Dicen que dada la situación económica de nuestro país, que se desmorona, no vienen mal este tipo de satisfacciones. Es posible.

Hoy, las calles de Madrid se llenarán de hinchas entusiastas, de gente que agobiada por los problemas cotidianos, dará rienda suelta a sus instintos patrióticos celebrando vuestro gran éxito y os recibirá en olor de multitud. Ya sabes: “Yo soy español, español, español…” “No hay dos sin tres…" “Soy español: ¿a qué quieres que te gane?"

Y aclarado todo esto, hay algo que me ha producido una sensación desagradable, que me ha incomodado y por qué no decirlo, me ha provocado asco. Te aseguro que fuimos muchos los que no nos identificamos con tu gesto, muchos los que apretamos los puños e insultamos a la pantalla del televisor e indirectamente a ti cómo resulta lógico y fácil de imaginar. Por si no lo sabes, aunque estoy seguro de que eres consciente de ello (ahí están tus declaraciones justificando lo que hiciste), en nuestro país hay una amplia mayoría de detractores de lo que quisiste representar, y de paso fomentar y promocionar. Estamos en contra del maltrato animal, del que los festejos taurinos son el máximo exponente. Y digo el máximo, porque están autorizados y sirven de diversión. Si tú le hicieras a un perro o a un caballo lo que le hace un torero a un toro, serías detenido, juzgado y condenado. Lo de la pena que te caería ya es otra historia.

No es la primera vez que lo haces. Te he visto festejar tus merecidos triunfos de la misma forma en varias ocasiones, pero es la primera que haces extensiva tu celebración a tus compañeros de equipo. Dicen, en la página del medio de información taurino “Aplausos”, que en un diálogo vía Twitter con Talavante de la Puebla (el torero que al parecer te había dado su capote) hacías la siguiente afirmación:

“La selección se alegra de lo que hacéis los toreros”.

No sé la razón por la que te atreves a declarar esto. De hecho, las imágenes que vimos por televisión la noche del 1 de julio nos mostraron a UN jugador, tú, en una esquina del campo, que capote en mano daba unos pases de torero y saludaba al “respetable” una vez terminada la “faena” con el toro imaginario. ¿Dónde estaban el resto de los compañeros que se alegraban de la representación que ponías en escena? ¿Había más capotes en el vestuario de la selección esperando el triunfo? Lo pregunto por qué no vi a ninguno de los jugadores de la selección española aplaudirte o acompañarte en tu particular celebración tras el éxito obtenido. Tampoco puedo describir con estas letras las caras que ponían mientras hacías la exhibición, ya que sus rostros no nos los mostraron las cámaras de televisión. Y digo esto sabiendo que no eres el único miembro del equipo que es aficionado a los toros. Sé que lo son Casillas y también el seleccionador Vicente del Bosque, aunque seguro que hay algunos más. La diferencia entre tú y ellos es el respeto. Respeto a una mayoría, sí, mayoría de ciudadanos que nos molesta que se identifique a nuestro país con una práctica cruel de maltrato animal. No creo que sea difícil de entender para tu capacidad intelectual. ¿Lo es? De ser así, es decir, que seas incapaz de entenderlo, flaco favor le estás haciendo al mundo de la tauromaquia, que aprovechando la coyuntura se ha hecho eco de tu excelsa faena en la hierba del estadio de Kiev, calificándola como un “guiño favorable”. Reconozco que este tipo de actitudes, las de los medios taurinos, son comprensibles.

Nosotros también “aprovechamos” el gesto de Maite Martínez, cuando hace cinco años despreció, devolviéndola al lugar de donde se le había lanzado , una bandera de España con la silueta del toro, el día que obtuvo la medalla de bronce en los Mundiales de Osaka en la modalidad atlética en la que competía (800 metros lisos). También nos hemos “aprovechado” de todo el equipo nacional de gimnasia artística masculina (incluido su cuerpo técnico) y de parte del equipo femenino, así como de algunas nadadoras del equipo nacional de natación sincronizada, que rompieron una lanza contra el Toro de Tordesillas y que recientemente han firmado un manifiesto en contra de las subvenciones que recibe la tauromaquia y de los recortes en sanidad y educación; manifiesto que muy pronto verá la luz. Si he de serte sincero, nos sentimos orgullosos de contar con todos ellos, porque representan el esfuerzo y la superación en el deporte sin recibir grandes prebendas materiales por su trabajo. En definitiva, por amor, sin más. Espero que entiendas la diferencia que podemos establecer entre unas actitudes y las otras, sin despreciar el duro camino que tú y todos tus compañeros de selección habéis recorrido para llegar donde habéis llegado. Evidentemente es para sentirse orgulloso.

Los otros miembros de la selección española de fútbol, mientras no se manifiesten públicamente, no se muestran favorables a nada, es decir, no pueden ser tus cómplices. A los abolicionistas nos encantaría que algunos jugadores de “La Roja” nos dijeran públicamente que es lo que piensan de tus “excesos” taurinos, aunque me temo que no va a ser imposible. ¿Algún voluntario?

De 23 jugadores, además de los miembros del cuerpo técnico, has sido el único que mostró su alegría de esa forma.

Soy consciente de que con esta reflexión no seré capaz de hacerte cambiar. Sé que la próxima vez que alcances algún triunfo, sin duda merecido, volverás a sacar el capote, vete a saber de qué torero, y que muchos nos sentiremos ofendidos y molestos, y que volveremos a insultar al televisor, en el que, no lo olvides, estarás tú con tu capote. Sé que te dará lo mismo.

Dado tu privilegiado estatus social, lo que opinemos de tus acciones los demás (no todos, cómo resulta evidente) será como la embestida de un toro imaginario a tu capote, al que te quitarás de encima con una verónica, ya que los naturales ceñidos los dejaremos para tu amigo Talavante, que los hace ajustados y como nadie.

Atentamente

José Enrique Zaldívar Laguía.

in BLOG VETERINARIO



EXQUISITA CARTA DIRIGIDA A LOS ESPAÑOLES QUE AÚN CREEN QUE EL TOREO ES SEÑA DE IDENTIDAD ESPAÑOLA Y QUE APORTA ALGO BUENO A NUESTOS VALORES PATRIOS Y PERSONALES
de  Rafael Luna Murillo

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Spartacus, Touradas e Consciência

Ao ler o título poderá perguntar-se o que é que Spartacus tem a ver com Touradas e mais ainda, o que é que ambos tem a ver com a Consciência.

Espero ao longo das próximas linhas poder esclarecê-lo.

Spartacus e as Touradas são temas que me despertavam interesse na juventude e adolescência.

Spartacus porque sempre gostei bastante de assistir a grande produções cinematográficas.


As Touradas porque, talvez como uma grande maioria dos portugueses, era "obrigado" a assistir em minha casa. Nunca assisti um espetáculo de Tourada ao vivo. Porém como a minha família, em especial meu pai, assistia, eu assistia também embora com um sentimento contraditório!

Se meu pai, como meu exemplo, assistia, é porque era bom, então eu imitava-o, quase como qualquer criança que admira seus pais, esperando vir a gostar também. No entanto dentro de mim sentia que o espetáculo não era tão bom assim como aparentava. Era também ela uma grande realização, mas o que estava a ser transmitido por detrás daquelas aparências grandiosas e maravilhosas, ou seja a verdadeira mensagem do espetáculo não era o que parecia...

Com Spartacus a história é diferente. O escravo que luta com as mesmas armas dos outros, seja corpo a corpo, seja com armas idênticas, provocou em mim, por este motivo, uma admiração especial.

A admiração seria ainda maior no caso de Spartacus se tomasse em linha de conta o seu ideal de libertação da escravatura. Já no caso das Touradas continuo a ter dificuldade em encontrar algum motivo válido que justifique a sua realização.

Vivi aquele conflito durante muitos anos. Como a minha vida não dependia destas questões, nunca parei para refletir sériamente sobre o tema e tomar uma decisão clara, gostar ou não gostar de Touradas. Até ao final de Julho passado em que voltei a Portugal e quando dei por mim, uma das noites, estava junto de meu pai, como tantas outras vezes, sobretudo na infância e adolescência, a assistir a mais uma Tourada, na televisão.

Esta reflexão pretende questionar apenas as formas de luta (afinal bem vistas as coisas, a tourada é uma luta entre um homem e um animal) e não as suas motivações!

Como seria uma Tourada em que apenas se realizasse o toureio a pé e sem bandarilhas? Estaria mais de acordo com a luta entre escravos?


Porquê utilizar um nobre animal como o cavalo para fazer um espetáculo assim? Será que em nome da "racionalidade" o homem se serve da "irracionalidade" animal para sua própria diversão? Será que o fato de um homem se achar mais forte que um animal (afinal em que plano ele é mais forte?) lhe dá o direito de utilizar armas que reforçam mais o seu poderio? Que força é essa afinal?

Hoje já se chega ao ponto de proteger os chifres do animal, não para proteger esse mesmo animal mas sim o "ser humano" que lhe vai fazer frente.

Qual a relação que existe entre o que tenho comentado e a chacina dos indios pelos homens brancos com a utilização de armas? Será o mesmo tipo de "superioridade"?

Seria interessante prender os animais a alguma distância e matá-los através de tiros de espingarda? Quem sabe pode vir a tornar-se numa futura modalidade com interesse para os humanos!

A Consciência é um tema que entrou na minha vida apenas depois de ter alcançado a idade adulta e por uma necessidade de busca relacionada com a minha própria sobrevivência.

E ... será que Spartacus ou as Touradas tem alguma relação com a Consciência?

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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Porquê Touradas?

O titulo que eu escolhi foi sobre as criticas que têm surgido sobre as touradas ao longo destes últimos anos, mas porquê a tourada?
Existem muitos argumentos a favor das touradas e algumas delas são:

Tudo o que é tradição merece ser preservado, a tourada é tradição, logo, a tourada merece ser preservada.
Se não fossem as Touradas e os seus adeptos, a raça dos Touros Bravos já estava extinta.
Quem não gosta ou não concorda, não veja.
Quem é contra as Touradas devia preocupar-se com outras coisas que também são feitas, nomeadamente o abandono de cães.
Quem diz que é contra as touradas é hipócrita porque muitas vezes maltrata os cães e outros animais.
O touro praticamente não sofre com o que lhe é feito na arena.
Os Touros nascem para serem lidados, são animais agressivos por natureza.
Se quem gosta, respeita a opinião de quem não gosta, porque é que quem é contra não respeita a opinião contrária?
A arte de tourear é tão bonita que seria uma pena perdê-la.
As Touradas enaltecem a nobreza do Touro.

Depois destes argumentos válidos porquê quererem acabar com as touradas?
Se é para salvar os touros, então estão enganados pois se acabarem com as touradas, acabam com a raça dos touros, pois os touros são criados muito bem, são bem alimentados, têm uma vida de luxo que até algumas pessoas não o têm, para depois subirem para a arena.
Se acabarem com as touradas os touros já nem criados são.

Por isso a minha pergunta, Porquê as touradas?
Se depois disto tudo se percebe a importância das touradas.

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segunda-feira, 30 de junho de 2003

Reportagem da SIC "Vermelho e Negro"

A exigência ética do fim das touradas

A SIC exibiu, durante esta semana que passou, em cada emissão do "Jornal da Noite", com repetição integral no "Jornal das 10" da SIC Notícias de ontem, a excelente reportagem "Vermelho e Negro", a respeito das touradas em Portugal.

Neste trabalho de grande qualidade, da autoria da jornalista Cristina Boavida, foi possível conhecer melhor o mundo das corridas de touros em Portugal, nomeadamente permitindo reforçar ainda mais a ideia de que este é um meio de violência e crueldade em que as vítimas são os touros (e também os cavalos), perseguidos, molestados, feridos e sacrificados que são, em nome daquilo que é na verdade um negócio, mais do que uma tradição. E, como é óbvio, mesmo que a única razão fosse a tradição, nada se seguiria daí que pudesse justificar uma tal barbaridade.

O requinte do sadismo que caracteriza os cavaleiros tauromáquicos foi revelado por aquele que é considerado o maior de todos eles: João Moura. Como se pode ver nesta reportagem, a forma que este toureiro (responsável pela morte de milhares de touros na sua carreira de barbérie) encontrou de compensar o cavalo que, segundo o mesmo, mais o ajudou e do qual mais gostou, foi usar as suas patas para fazer uma mesa de centro para a sua sala de estar, assim como expor a sua crina e outras partes anatómicas deste animal, nomeadamente a cabeça, presa numa parede juntamente com a cabeça de alguns dos muitos touros que João Moura massacrou durante a sua actividade taurina.

Pode, de resto, ver-se João Moura e João Moura Júnior (filho do primeiro) a treinarem com bezerras de muito pouca idade, espetando os seus frágeis e ainda pouco desenvolvidos corpos com as habituais farpas que usam como seus privilegiados instrumentos de tortura. Pudemos ver as bezerras visivelmente incomodadas com a dor causada por esta prática abjecta, para além de uma delas estar com os chifres serrados de tal maneira que não paravam de sangrar (os chifres são serrados para lhes serem retiradas as defesas naturais e, assim, estarem numa luta ainda mais desigual com os seus agressores, os toureiros e forcados). E estes treinos acontecem numa base quase diária, o que significa que o martírio de animais - nomeadamente de animais muito jovens ou mesmo bébés, como foi o caso da bezerra que Moura levou para o programa "Herman SIC" há umas semanas atrás - é muitíssimo frequente.

Ainda a propósito da família Moura, foi deveras preocupante e assustador ver João Moura Júnior, um adolescente de apenas quatorze anos, já iniciado nestas práticas hediondas, habituado já a, tal como o pai, torturar animais com fins ora lúdicos, ora económicos. Como disse este jovem, "é a profissão". De valores éticos, não sabe, pois evidentemente não teve quem lhos transmitisse (e, segundo mesmo, nem em termos de habilitações académicas quer avançar, pois pretende ficar apenas com o 9º ano de escolaridade, num país que está a determinar o 12º ano como escolaridade mínima obrigatória). É de notar que João Moura, para além das suas primevas actividades tauromáquicas, é também conhecido por organizar provas equestres ilegais (os chamados "raides equestres") sem autorização da Federação Equestre Portuguesa e sem observar qualquer regulamento da mesma ou qualquer legislação vigente, levando, nestas provas, vários cavalos à morte por exaustão para seu gáudio. É, portanto, um homem para quem a moral e a lei nada dizem, sobretudo quando isso possa constituir um obstáculo às suas inclinações mais primitivas.

Nesta reportagem, pudemos ainda conhecer melhor Luís Rouxinol, um cavaleiro tauromáquico também propenso a ter comportamentos ilícitos decorrentes das suas tendências violentas que não só se dirigem contra animais não-humanos como também contra humanos. A prova disso é que, no Verão do ano passado, quando um grupo de activistas anti-tourada se manifestava, no pleno exercício dos seus direitos civis e constitucionais, contra uma corrida de touros que estava a decorrer na Praça da Touros de Torres Vedras e em que participava este cavaleiro tauromáquico, Rouxinol contornou propositadamente a barreira de protecção policial que determinava o espaço reservado aos manifestantes e que os resguardava, e atirou-se com o seu cavalo (outra das suas muitas vítimas) literalmente para cima destes activistas. Quando dois agentes da PSP presentes no local o tentaram deter e fazer com que descesse do cavalo, Rouxinol destinou-lhes o mesmo tratamento que destinou aos activistas, agredindo os agentes da autoridade. Tanto assim que o próprio Comando da PSP de Torres Vedras acabou por proceder judicialmente contra este cavaleiro tauromáquico. É, aliás, importante destacar que é comum ver aficionados das touradas, forcados e toureiros agredirem activistas dos direitos dos animais quando estes legitimamente - e, como sempre, dentro da legalidade - se manifestam contra as corridas de touros nas quais estes participam ou a que assistem. Ainda sobre Luís Rouxinol, é de referir que este cavaleiro tauromáquico foi um dos participantes na Corrida de Touros que aconteceu em Santarém no passado dia 10 de Junho, considerado pelos mesmos o "Dia da Raça", tendo esta sido, supostamente, a "Corrida do Dia da Raça", o que mostra também a tendência xenófoba destas pessoas.

A injustificabilidade das corridas de touros era já conhecida. Contudo, esta reportagem também nos permitiu confirmar ainda mais esta ideia. Quando vimos que os dois cavaleiros praticantes entrevistados (nomeadamente João Moura Júnior) responderem com frases como "É muito complicado explicar agora" ou "não sei" quando lhes foi perguntado se não achavam que o que faziam era cruel, facilmente concluímos que estas pessoas nem rudimentares justificações conseguem apresentar para aquilo que fazem. Por outro lado, o forcado entrevistado deixou também muito claro o que os machistas são os indivíduos ligados às touradas, vendo as mulheres como instrumentos, enfeites ou apoio. Isso ficou também muito claro num célebre debate televisivo sobre as touradas, exibido o ano passado na RTP ("Gregos & Troianos"), quando Gonçalo da Câmara Pereira, aficionado assumido, falou em "namoradas mansas e namoradas bravas" numa muito infeliz analogia com "touros mansos e touros bravos", sugerindo que as primeiras não precisariam de ser domadas mas que as segundas já precisariam de ser dominadas, tal como os touros. O entendimento destas pessoas é, pois, o seguinte: as mulheres estão na mesma linha dos touros, ou seja, são também instrumentos, que deverão ou não ser dominados (eventualmente pela força) consoante sejam "mansas" ou "bravas". Ora, este quadro mental dispensa comentários.

Neste contexto, a cavaleira tauromáquica Sónia Matias, também entrevistada nesta reportagem, orgulhar-se-á de ser respeitada pelos seus pares. Muito possivelmente, não consegue compreender que estas pessoas estão demasiadamente condicionadas do ponto de vista moral, cultural e mesmo intelectual para saberem o que é o respeito, nomeadamente a própria Sónia Matias. Está, claramente, iludida. Também esta lamentável figura do meio tauromáquico português revelou a sua inconsciência sem pejo, pois, quando lhe foi perguntado se alguma tinha sentido pena dos touros, Sónia Matias respondeu prontamente com um "não", soltando imediatamente a seguir uma gargalhada cuja causa ninguém conseguiria compreender: rir-se-ia do facto de não ter pena dos touros que tortura e mata, rir-se-ia de si mesma por não ter pena dos touros que tortura e mata ou rir-se-ia da pergunta? Diremos talvez que o melhor será não apurar a resposta.

Nesta reportagem, ficou também claro que as touradas são um negócio, sendo que João Moura é dos cavaleiros tauromáquicos mais bem sucedidos (dado que é aquele que aufere maiores rendimentos por tourada). É elementar salientar que, no fundo, aquilo que move estas pessoas - desde os toureiros aos ganadeiros e empresários tauromáquicos - não é mais do que os rendimentos que conseguem obter nestas práticas, para além de um suposto estatuto social que, em círculos de uma confrangedora pobreza moral, cultural e civilizacional, é reconhecido e apreciado por pessoas cujo carácter é, no mínimo, duvidoso. Mas foi interessante notar que Manuel Gonçalves, empresário tauromáquico também entrevistado nesta reportagem, reconheceu que, actualmente, "é mais fácil perder cinco mil contos do que ganhar quinhentos contos" neste negócio, dizendo também que "uma praça de touros que tenha capacidade para dez mil pessoas tem apenas mil ou mil e quinhentas pessoas na assistência", o que confirma aquilo que as organizações portuguesas e espanholas de defesa dos animais bem sabem: as touradas são um negócio em franco declínio, quer em Portugal, quer em Espanha. O público das corridas de touros é, de resto, numa grande percentagem, o mesmo público, pois compõe-se de um grupo de pessoas que percorre a maioria das corridas de touros que se realizam em Portugal. As diversas sondagens que ao longo dos anos se têm feito (por diversos centros de sondagens) são, de resto, muito claras: dos resultados habitualmente conseguidos, entre 80% a 85% da população portuguesa não concorda com a existência de touradas.

A verdade, porém, é que, embora as corridas de touros estejam condenadas a um fim que se afigura cada vez mais próximo, Portugal continua de algum modo refém desta triste realidade, que nos choca e envergonha. Milhares de bezerros e touros continuam a ser torturados e mortos anualmente em Portugal em actividades tauromáquicas. A título de exemplo, no domingo passado, dia 8 de Junho, na Labrujeira (concelho de Torres Vedras), três bezerras de quatro meses foram literalmente espezinhadas por populares a cavalo num suposto toureio a cavalo sem farpas. As bezerras ficaram caídas, com ferimentos graves e inconscientes, na arena improvisada desta aldeia. Evidentemente, isto infringiu leis vigentes, desrespeitando até o próprio Regulamento de Espectáculos Tauromáquicos. Alertada para o caso, a ANIMAL dirigiu-se à Labrujeira, encontrando uma população afogada em álcool e preparada para, depois deste massacre, assistir a uma largada de touros que aconteceria horas depois. Chegada ao posto da GNR mais próximo, a equipa da ANIMAL identificou-se (nomeadamente Miguel Moutinho, como dirigente da organização), pedindo aos agentes da autoridade que identificassem a Comissão de Festas responsável por este massacre. A GNR, seguindo os procedimentos que também se "tradicionalizaram" depois de Barrancos, não se dispôs a identificar a Comissão de Festas, remetendo para uma eventual queixa que a ANIMAL apresentasse no Ministério Público, após a qual seria solicitada a esta força policial a identificação dos responsáveis. Só nesta tarde, três bezerras de quatro meses perderam a vida depois de um sofrimento brutal, ao que se seguiu a tortura de mais três touros. A ANIMAL nada mais pôde fazer, desde logo perante a total passividade das autoridades policiais.

Perante tudo isto, o fim das touradas apresenta-se como uma exigência ética que deve urgentemente ser cumprida. Não é admissível que Portugal continue a permitir a perseguição e tortura de animais, nomeadamente nas circunstâncias em que isto acontece no meio tauromáquico. A continuação destas práticas é um autêntico escândalo moral, como defendeu Artur Mendes, Presidente da ANIMAL, quando entrevistado na reportagem "Vermelho e Negro". A ANIMAL está cada vez mais empenhada na defesa dos animais e na promoção do fim de todos os actos cruéis a que sejam submetidos, estando especialmente concentrada (sobretudo numa altura do ano em que a época tauromáquica está no seu auge) em combater as corridas de touros.

É por esta razão e por entender que é altura de, num tom ainda mais elevado, afirmar a necessidade e o dever de respeitar e proteger os animais, que a ANIMAL apela a todas as pessoas para que participem na 2ª Marcha Anti-Tourada e de Defesa Animal, a acontecer a 18 de Julho, a partir das 17h, no Parque Eduardo VII, em Lisboa.

‎"Vermelho e Negro" é uma reportagem da autoria de Cristina Boavida, da SIC. Foi transmitida em Junho de 2003 mas não há vídeos em lado nenhum. Há esta transcrição com alguns ficheiros mp3, mas dá para ficar a conhecer um pouco melhor o "antes e depois" de uma tourada...
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