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terça-feira, 26 de julho de 2016

O Negócio das praças de Touros

A realidade da tauromaquia na região num périplo pelas praças de touros, onde há mais prejuízo do que lucro. A rentabilidade das corridas está longe dos seus tempos áureos, também por culpa da crise.

​ Empresário da Palha Blanco:
“Público de Vila Franca é o mais exigente do país”

O empresário Paulo Pessoa de Carvalho gere a praça de Vila Franca de Xira desde 2015. Sendo possível que se mantenha até 2017 se for vontade do empresário e da entidade proprietária- a Santa Casa da Misericórdia local. “Esta é uma relação que tem estado a correr bem. Sabemos que não podemos entrar em loucuras porque em termos económicos as pessoas já não aderem tanto à tourada. Tentam conter-se o mais possível”.

Imagem
O empresário fala de uma afición difícil

Este empresário não poupa nos elogios ao profissionalismo da entidade proprietária, nomeadamente, “no brio que tem” no que concerne às condições do equipamento, cuja cereja no topo do bolo é a enfermaria que tem à frente o cirurgião Luís Ramos, “um dos melhores médicos da Península Ibérica”, dotada de “condições excelentes”. “A praça de touros é cuidada de forma exímia pela Santa Casa” que naturalmente já se encontra adaptada à nova lei. O empresário que também gere as praças de Almeirim e da Chamusca, igualmente detidas pelas santas casas locais, não tem dúvidas em salientar que prefere gerir equipamentos desta natureza não pertencentes a Câmaras, “onde por vezes se anda ao sabor dos diferentes partidos, e dos seus interesses”. “Nas instituições como as santas casas, mesmo que a direção mude, a filosofia de gestão não se altera muito, é mais institucional, e as regras não mudam. A gestão é mais pura e dura”.

No que se refere aos lucros, “não são os desejáveis nem para mim nem para a Santa Casa. Estamos sempre aquém. Mas posso dizer que as coisas não estão a correr mal face às minhas expetativas”. O empresário, a par do de Azambuja, foi o único neste trabalho que não teve problemas em avançar com o valor da renda que todos os anos entrega à Santa Casa: 17 mil euros mais Iva.

O empresário das Caldas da Rainha refere que encontrou um público difícil em Vila Franca, muito opinativo e crítico, que nem sempre vai às corridas. “Percebemos que as pessoas escolhem muito bem as praças onde querem ir. Por outro lado, a conjuntura nacional também nos afeta”. Vender os preços dos bilhetes a preços mais económicos, na ordem dos cinco euros, como alguns defendem não é visto como solução, “visto não se traduzir como mais compensatório”. O valor mínimo cobrado em Vila Franca é de 12,5 euros. Com praça esgotada, consegue no máximo chegar a uma faturação a rondar os 90 mil euros.

Para Paulo Pessoa de Carvalho, a praça de Vila Franca é um desafio, “porque foi sempre uma praça séria. A empresa que esteve antes de mim fez ali um bom trabalho”. Por outro lado, o desafio é também a afición que lhe é inerente: “a mais exigente de Portugal, e isso nem sempre se traduz em público”. Nestas duas temporadas que leva de Palha Blanco, o empresário desabafa- “Ali já tive alegrias, sofri e transpirei. Já me trataram mal, e dirigiram-me impropérios. E algumas vezes tive que me calar, encolher os ombros, e ouvir com a maior das descontrações”. As críticas normalmente vão desde “a má apresentação do touro até ao desempenho dos artistas”. “Em Vila Franca qualquer coisa serve para ralharem connosco, quando tudo corre bem, e não nos dizem nada, então é sinal que correu mesmo tudo bem”. Imagem

​A Palha Blanco tem uma lotação de 3500 lugares, com quatro corridas principais por ano, duas no Colete Encarnado e duas na Feira de Outubro. Um dos itens do caderno de encargos do contrato com a Santa Casa constam as corridas com toureio a pé em que a cidade tem tradição. “Por vezes não é fácil encontrar nomes, mas faz parte e isso significa defender as raízes da terra”. Neste aspeto há que contratar fora do país: “Comercialmente o toureio a pé não funciona. Apenas com nomes espanhóis. O toureio ficou órfão de Pedrito de Portugal que de facto tinha uma mística, mas ainda assim não tinha o toureio profundo dos espanhóis”.

Questionado sobre a dificuldade de se ser empresário neste meio, garante que já pensou muitas vezes em desistir, até porque o setor é pouco unido. “Cada vez que nós trabalhamos, e nos pomos empenhadamente a fazer as coisas, esperamos o mínimo de retorno financeiro, mas muitas vezes no final temos de ir inventar dinheiro onde ele não há. Só mesmo um maluco é que paga para trabalhar”. Por outro lado, “há empresários que estão neste meio, porque acham piada, por brincadeira, e este é mundo muito difícil”.

A rentabilidade das praças de touros também pode passar por outro género de espetáculos, nomeadamente, musicais. Esta foi uma vertente que explorou enquanto esteve à frente da praça das Caldas. No caso da Palha Blanco vai receber em breve um espetáculo de José Cid.

Já no que às ditas “trocas”, refere que há cavaleiros melhores e piores, “mas nas bilheteiras valem todos o mesmo”. “Um cavaleiro tem todo o direito de pedir sete ou mil euros, mas a verdade é que esse toureiro, normalmente, vale quase tanto como um que vá lá por mil”. Como não há um nome sonante, “isso torna tudo mais difícil”. As “trocas” são algo “que limita bastante o trabalho. “Esta moda dos empresários apoderados tem sido algo complicado, em que essa pessoa só compra o meu toureiro se eu comprar o dele”. “Trata-se de uma grande promiscuidade, que é difícil para o empresário”, não tem dúvidas. No seu caso não é apoderado atualmente de nenhum toureiro. Paulo Pessoa de Carvalho não considera que esta forma de estar nos bastidores das touradas seja limitativa do aparecimento de novos valores, “porque quem tem de romper, rompe!”, mas não deixa de ser verdade “que muitas jovens figuras vão aparecendo não tanto pelo seu talento, mas por circunstâncias económicas que geram essas oportunidades”. E ilustra o quadro – “Por vezes esse toureiro não é grande coisa e anda-se ali numa grande mentira, com o apoderado a tecer elogios que não têm nada a ver”. “Antes as pessoas apareciam claramente por mérito, mas hoje desvirtuou-se essa realidade, que no fim de contas descredibiliza a festa”. Por outro lado, alguns toureiros “recusam-se a pegar touros mais imprevisíveis como os da ganadaria Palha”, ilustra para definir a crise de talento e empenho.

A nova lei que regula a atividade taurina no entender do empresário enferma de um grave problema tendo em conta que na sua feitura, o anterior Governo decidiu ouvir os movimentos antitaurinos, “o que não faz sentido”. “Não quer dizer que quem não goste da atividade taurina não possa opinar sobre a regulamentação da atividade, pois pode ter uma palavra a dizer pela sua experiência, o que não pode acontecer é que que quem queira matar a atividade tenha o direito de vir dizer alguma coisa”.


Leia aqui o artigo completo:
 CAPT: ABOLIÇÃO da tauromaquia em Portugal e no Mundo



domingo, 5 de julho de 2015

Lamentamos pelos Touros Torturados e Cavalos abusados!


fotos taurodromo
Alguém avisou os Touros! Teve "sorte" e foi colhido na corrida de ontem, domingo!

E Queria matar?

"Pedrito tentou nos últimos dias que fossem autorizados a intervir os seus picadores, mas a IGAC não permitiu."
in farpasblog

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O touro é um animal doméstico!

Comentário de um aficionado: "eu gostava era de ver estes meninos que vêem o touro como animal doméstico a terem um na varanda!"

(risos)
- Como se doméstico fosse para ter em casa. Bom seria consultarem o dicionário.
A denominação de animais domésticos é dada àqueles animais que são treinados para ter um comportamento habitual em situações semelhantes.

Domesticação - consiste numa relação ecológica do tipo esclavagismo desenvolvido pelos seres humanos associados com outras espécies de seres vivos.
Doméstico - que convive com o ser humano.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Texto argumentativo

Touradas, um assunto capaz de dividir famílias, cidades, países. Quase se poderia dizer que se parece com futebol, só que no caso das touradas parece só haver dois clubes: os Pró e os Contra
Na minha opinião as touradas são cruéis porque com que os touros sofram. As touradas são usadas para entreter os humanos. Bem, tenho alguma dificuldade em chamar humanos, seres que se divertem com a tortura de um animal.
Uma coisa é matar os touros sem que sofram outra coisa é tortura-los espetando farpas que os deixam a jorrar sangue e pô-los cansados para no fim os matarem sem dó nem piedade. “ Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti”. Este é um ditado que se pode aplicar nesta situação, e dizer as pessoas que gostam das touradas, para que se ponham no lugar dos touros e imaginem o que é ser torturado e no fim morto. Não se trata de matar para sobreviver, trata-se de torturar e matar por divertimento! Que mal terão feito os touros? Nenhum. São apenas uma raça inferior e com menos poder, por isso podem servir de passatempo para os mais inteligentes e poderosos.
Há quem diga que os touros não sofrem com as farpas. Pobre argumento, não só não se sabe se é verdade, como mesmo que não sofram, continuam na arena a ser gozados pelas pessoas.
Acho que as touradas podem ser substituídas, por exemplo, por idas ao cinema, ao teatro, a concertos, ou a acontecimentos desportivos, pois estas actividades entretêm e divertem as pessoas e não prejudicam os touros.
Penso que as touradas são algo que deveria deixar de existir pois incentiva a crueldade. Os touros deviam ser livres e quando for necessária a sua carne, devem ser mortos rapidamente.

Filipe Esteves 11º ano

Só para os aficionados é que a Árvore Genealógica é mais interessante do que a Árvore Filogenética

Talvez os aficionados não saibam grande coisa de Biologia, mas o homem é parente do touro! Aliás, somos todos descendentes do Last Universal Common Ancestor (talvez com desenhos consigam perceber). O que significa que molestarem um animal é qualquer coisa como molestarem a vossa 'prima'.
Fonte

A ferro e fogo!


À semelhança do que acontecia aos escravos e que, hoje em dia, nos repugna, também os touros são todos marcados.

É a chamada FERRA, que acontece todos os anos nas ganadarias e é motivo de festa, para muitos.

O dia da ferra é o dia em que se separa, a título definitivo, o bezerro da mãe. A partir dessa data, nem com as demais fêmeas os bezerros poderão pastar. Mas o que, concretamente, se faz?

Pega-se no animal e depois de imobilizá-lo, são-lhe cravados ferros em brasa, em todo o lado direito do seu corpo e segundo determinadas regras. Por exemplo, o ferro da ganadaria é marcado na nádega da rês e representa o símbolo da casa onde nasceu; no dorso é-lhe gravado o número de registo da ganadaria, para ser sempre possível a sua identificação; no pescoço ou por cima do símbolo da casa é cravada a letra P (o ferro da Associação Portuguesa de Toiros de Lide); e finalmente, é-lhe ferrado na espádua, o último algarismo do ano em que nasceu. Com tantas marcas, se eu fosse ganadeiro ainda aproveitava para ganhar uns trocos, usava o animal para publicitar vendas de imóveis ou qualquer coisa do género.

Mas dizem os tauromáquicos que o touro é um animal muito feliz, pois viver na Ganadaria é como viver no Céu. Por essa ordem de ideias não sei porque é que a escravatura foi abolida. Provavelmente aos escravos só lhes faltava ver os anjos a tocar harpa.

in farpas e cornadas

Éden, o paraíso do touro!

A ganadaria é o paraíso do touro.

Aficionado que é aficionado, defende sempre que o touro é um privilegiado.

Dizem que ele é obrigado a ser toureado mas que, mesmo assim, isso lhe compensa, pela vidinha de Lord que tem até então.
Afinal, durante (mais ou menos) 5 anos o animal encontra-se no paraíso a pastar, muito feliz e contente...

Ora, se lhe damos 5 anos de bons tratamentos, é mais do que natural que, depois, o castiguemos. Aliás, eu ando a alimentar o meu cão há 7 anos, por isso, se calhar, já está na altura de lhe começar a espetar com um garfo no lombo ou a dar pontapés no focinho.

Penso que quem tem este tipo de argumentos é porque sofre do complexo da bruxa d'"A Casinha de Chocolate": Primeiro, engordamos o Hansel e depois comemo-lo.

Fonte

Procura-se aficionado honesto

Quando é que vai aparecer um aficionado, tão sincero, que diga com todas as letras:

Sim, o toiro é retirado do seu ambiente calmo e prazeroso.
Sim, o toiro é levado, sob stress, para uma praça de touros.
Sim, o toiro é espetado, com ferros, por pessoas que ganham dinheiro para fazer isso.
Sim, o toiro perde bastante sangue.
Sim, o toiro sofre dores (eu não gostava de estar no lugar dele).
Sim, o toiro, regra geral, é abatido após a lide (são raros os que têm a clemência da audiência).
Sim, a toirada, sob este ponto de vista, é uma prática cruel.

Mas SIM eu gosto de corridas de toiros!
SIM, sou aficionado!
E SIM, estou-me a borrifar para todos estes argumentos dos anti-touradas!

Fonte

A tourada vista por dentro...


O jornalista declara desde já – correndo o risco de ganhar inimigos de ambos os lados – que não é a favor nem contra as touradas. Declara-se ainda um leigo em matéria tauromáquica e por isso pediu ao empresário Paulo Pessoa de Carvalho que o sentasse ao lado de um aficionado para que este lhe desse umas dicas durante a corrida.
A crónica que se segue tem, pois, a visão e as explicações de Francisco Borges, 51 anos, ex-forcado do Grupo de Montemor, onde fez 85 pegas de caras e três de cernelha. Este bancário de profissão assiste a cerca de 30 corridas por ano e é uma figura bastante conhecida no meio tauromáquico.

São 21h45, a Praça de Touros da cidade está à pinha e cumprido o ritual de cortesia, irrompe pela arena o primeiro toiro da noite. São 510 quilos de músculos e nervo que em breve levam uma primeira estocada do cavaleiro António Ribeiro Telles que lhe desfere, certeiro, um ferro comprido. O bicho reage e persegue o cavalo, o que, para Francisco Borges, revela que o toiro é bravo porque não se intimidou com a dor e insiste em atacar o cavalo.
Segue-se um primeiro ferro curto que arranca aplausos da multidão, seguindo-se mais três até ao final da lide.

Uma lide a cavalo dura dez minutos e o cavaleiro pode desferir as farpas que quiser, mas a partir do quarto ferro curto é de bom tom pedir autorização ao director da corrida para poder continuar.
O director de hoje é Nuno Nery. Ele é a autoridade máxima dentro da praça, com poder para interromper ou cancelar a corrida, para mandar sair quem se porta mal e até para dar ordem de detenção, que deverá ser cumprida por um polícia.

Eis uma coisa curiosa do mundo da tauromaquia. O director de uma tourada é o representante do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura.
António Ribeiro Telles fez uma boa lide. É certo que o toiro também ajudou – era bravo e previsível. Agora o cornetim anuncia a pega de caras pelo Grupo de Forcados de Montemor. Francisco Borges benze-se discretamente, quase por instinto. Afinal foram 14 anos naquelas andanças e ainda hoje reconhece que sente um pico de adrenalina quando vê uma pega. Mais ainda se esta for do seu grupo de Montemor, o segundo mais antigo do país, fundado em 1939 (o primeiro foi o de Santarém).

Os rapazes saltam para a arena, posicionam-se e o forcado Filipe Mendes desafia o toiro, que não tarda em investir. A pega corre bem, muito por mérito deste jovem que soube manter-se agarrado ao toiro porque este fugiu ao grupo e tiveram que correr para o ajudar.
Segue-se Vítor Ribeiro, o segundo cavaleiro da noite, que observa, atento, o comportamento do toiro diante dos peões da brega (também designados bandarilheiros ou subalternos). Em breve desfere o primeiro ferro, destapando no toiro uma bandeira do CDS que ergue ao público, motivando um coro de aplausos. Paulo Portas, que fizera uma entrada discreta nos primeiros minutos da corrida, é o último a deixar de bater palmas.

Francisco Borges explica que as farpas actuais têm um mola que é accionada quando se espeta o toiro e que faz com que esta fique pendurada sob o dorso do animal em vez de se manter espetada. O objectivo é proteger os forcados aquando da pega porque, por mais de uma vez, houve ferimentos graves quando o animal investe e as farpas acertam no rosto do “forcado da cara” (forcado que pega o toiro).

A lide do cavaleiro Vítor Ribeiro está a ser um sucesso, apesar de ter contado com um toiro ainda mais colaborante do que o anterior. Entusiasmado, o público até bate palmas acompanhando o pasodoble, o que motiva o desagrado de quem percebe do assunto. “Vê-se que não é uma corrida de aficionados porque as pessoas batem palmas ao ritmo da música e isso pode distrair o toiro”, diz Francisco Borges. E tem razão. Há aqui dois tipos de público: o da tauromaquia e o do CDS/PP.
A intersecção destes dois grupos é que é grande.
Agora é a vez dos forcados das Caldas. Guilherme Carvalho Pinto dirige-se a Paulo Portas e oferece-lhe a pega, “com uma grande honra porque o senhor é um grande homem que defende a festa brava”. E, claro, novos aplausos.
A primeira pega não correu bem porque o forcado não se agarrou o suficiente. A segunda tentativa também falhou, mas à terceira foi de vez e Guilherme Pinto agarrou-se com genica ao animal enquanto a ajuda (o restante grupo de forcados) o imobilizava.
Às 22h20 solta-se de um lado das bancadas uma enorme faixa da Juventude Popular e ouvem-se vivas à JP. Para quem se tinha esquecido, a corrida de hoje também é política.

O terceiro toiro pesa 500 quilos e entra bem na arena, de forma bravia. Reage bem ao castigo, o mesmo é dizer, ao primeiro ferro, mas vai dar algum trabalho a Pedro Salvador, o cavaleiro que procurará por todos os meios captar a atenção de um animal que está demasiado atento ao que se passa fora da arena e reage a todos os movimentos circundantes. “O toiro não vai ao cavalo”, ouve-se dizer entre os entendidos. Por esse motivo, a dupla cavalo mais cavaleiro tem de se esforçar para lhe conseguir espetar os dois ferros compridos e quatro curtos com que termina a lide.
E segue-se a pega. O forcado de Montemor, Tiago Telles de Carvalho, pegou à primeira e mereceu os aplausos do público.

PAULO PORTAS NA ARENA
A corrida não teve intervalo, mas sim um momento em que o líder do CDS também entrou na arena e foi cumprimentar os artistas (expressão que designa os actores deste espectáculo).

A segunda parte da corrida – com os cavaleiros Brito Pães, Duarte Pinto e Soller Garcia – revelar-se-ia desastrosa para o grupo de forcados das Caldas da Rainha, com dois feridos a serem evacuados da arena. Xavier Ovídeo, que dedicou a pega a Paulo Pessoa de Carvalho, acabaria por se desprender do animal e por ele ser pisado, tendo de ser retirado em maca pelos colegas e pelos bombeiros, enquanto o toiro era mantido a uma distância prudente pelo trabalho dos peões de brega. A pega dos forcados caldenses acabaria por se concretizar com Francisco Rebelo de Andrade.

Seguiu-se o quinto toiro da noite, com 485 quilos, que foi lidado por Duarte Pinto e cuja pega – por coincidência – foi dedicada pelos forcados de Montemor ao próprio Francisco Borges. Modestamente, só nesta altura este aficionado conta que tem dois filhos no grupo de Montemor e que estão ali ambos naquela noite.

A sensação do pai ex-forcado perante os filhos que lhe seguem as pisadas é contraditória: “por um lado não queremos porque sabemos os riscos que se correm, mas por outro é um orgulho porque é uma actividade de grande camaradagem, onde se forma um grupo de amigos capazes de dar a vida uns pelos outros”.

O último toiro da noite, com 536 quilos, revelou-se o menos colaborante de todos. Ficava parado no meio da praça e recusava-se a perseguir o cavaleiro que, apesar de tudo, teve uma boa lide. Entretanto os Forcados Amadores das Caldas da Rainha decidem que este toiro será pegado de cernelha, o que significa fazer entrar os cabrestos (bois mansos que servem de guia aos touros e os encaminham para a saída) na arena para o rodearem e o obrigarem a andar no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Nessa altura, dois únicos forcados devem pegá-lo em simultâneo, um pelos costados e o outro pelo rabo, até o imobilizarem.

José Sousa Dias e Salvador Costa Pereira por duas vezes o tentaram, mas não o conseguiram, até que o primeiro acabou por ser evacuado por, ao estar atento aos movimentos do toiro, não ter reparado num cabresto que chocou contra ele e o pisou.
Os forcados caldenses decidem então realizar uma pega de caras, terminando a noite com muito espectáculo, mas nem sempre fazendo as coisas bem feitas.

Em teoria, os cabrestos deveriam ser retirados da arena e o grupo posicionar-se para pegar o toiro. Mas, algo desesperados por a noite não estar a correr da melhor maneira, os caldenses decidem pegá-lo por entre a confusão dos cabrestos, falhando um primeira tentativa.
Nova tentativa, outra vez improvisada, e Mário Cardeira, que já fora ao chão e tem a cara coberta de sangue, salva a honra do grupo e consegue pegar o maior toiro da noite, sendo bastante ovacionado pela sua coragem.

A corrida chegou ao fim.
Carlos Cipriano
in Gazeta das Caldas

“O CDS defende as touradas”
“O CDS/PP não tem uma posição oficial sobre as touradas. Há muita gente que é contra e muita gente que é a favor. Mas sempre que quiserem atacar as touradas, o CDS defende-as”. A afirmação é de Paulo Portas, no final da corrida, após ter recusado inicialmente prestar declarações, dizendo que “não confundo política com entretenimento”.
C.C.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

“Tourear é... Reduzir um Touro a Nada!"

Tourear é dar lide a um toiro, é dar-lhe toureio, é dominá-lo, impor-lhe a nossa vontade, dar cabo dele, reduzi-lo a nada. O verdadeiro toureio, por conseguinte, é aquele em que o toureiro toureia o toiro. Toureá-lo não é enfeitá-lo, repito: é dominá-lo, vencê-lo.
 D. Bernardo da Costa (Mesquitella)
Foto "gentilmente" cedida por ATCT

DOM RIDÍCULO...
O que eles dizem! O que eles aplaudem! Dominar e vencer, eis o verdadeiro toureio!
E o touro que tanto amam?
- É vencido! Humilhado! Sacrificado! Torturado!
- COBARDES!

Este é o animal que eles querem reduzir a nada! 
Tourear é reduzir um touro a nada???
Com estas palavras escritas por um aficionado, não precisamos de argumentos para abolir a tauromaquia.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A morte de um touro...

setembro 2010

... e não chegou a enfrentar, como se queria, o toiro de Murteira Grave (na foto), que entrou aos tropeções na arena e acabou moribundo, com sinais de... fractura na coluna ou outra coisa mais estranha?...

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Porquê Touradas?

O titulo que eu escolhi foi sobre as criticas que têm surgido sobre as touradas ao longo destes últimos anos, mas porquê a tourada?
Existem muitos argumentos a favor das touradas e algumas delas são:

Tudo o que é tradição merece ser preservado, a tourada é tradição, logo, a tourada merece ser preservada.
Se não fossem as Touradas e os seus adeptos, a raça dos Touros Bravos já estava extinta.
Quem não gosta ou não concorda, não veja.
Quem é contra as Touradas devia preocupar-se com outras coisas que também são feitas, nomeadamente o abandono de cães.
Quem diz que é contra as touradas é hipócrita porque muitas vezes maltrata os cães e outros animais.
O touro praticamente não sofre com o que lhe é feito na arena.
Os Touros nascem para serem lidados, são animais agressivos por natureza.
Se quem gosta, respeita a opinião de quem não gosta, porque é que quem é contra não respeita a opinião contrária?
A arte de tourear é tão bonita que seria uma pena perdê-la.
As Touradas enaltecem a nobreza do Touro.

Depois destes argumentos válidos porquê quererem acabar com as touradas?
Se é para salvar os touros, então estão enganados pois se acabarem com as touradas, acabam com a raça dos touros, pois os touros são criados muito bem, são bem alimentados, têm uma vida de luxo que até algumas pessoas não o têm, para depois subirem para a arena.
Se acabarem com as touradas os touros já nem criados são.

Por isso a minha pergunta, Porquê as touradas?
Se depois disto tudo se percebe a importância das touradas.

Fonte

domingo, 24 de junho de 2012

A Presumível Raça de Lide


Luis Gilpérez Fraile
Vice-Presidente da ASANDA 
- Asociación Andaluza para la Defensa de los Animales.

Desaparecerá a raça de lide quando acabarem as touradas?

Aqui está uma pergunta que nós defensores dos animais fazemos a nós próprios muitas vezes , e que com um tom acusatório , nos fazem os aficionados como parte da argumentação para defender a sua indefensável afição. Para nos darmos, e poder dar uma resposta razoável, em primeiro lugar temos que partir da premissa será verdade que existe o chamado “touro de lide” como raça animal, se a resposta for negativa, a afirmação “sem touradas não há touros” carece de sentido, já que não pode desaparecer o que não existe. Porém, não adiantemos conceitos, porque senão ver-nos-emos envolvidos num emaranhado de vocábulos tais como “espécie”, “raça”, “variedade”, “casta”, etc, sem saber bem do que estamos a falar, que é ao fim e ao cabo o que fazem os aficionados.

CONCEITOS BÁSICOS DE TAXONOMIA

O “nome e apelido” de qualquer animal é definido pela zoologia, pelo seu género e espécie *1*. Todos os animais que pertencem a um mesmo género têm em comum uma série de características semelhantes (características genéricas). Logo, todos os animais pertencentes ao género canis, como o cão e o lobo têm características comuns suficientemente óbvias (é este o caso) mas também características diferenciadoras *2*. Por tal, o primeiro pertence à espécie familiaris (canis familiaris) e o segundo à espécie lupus (canis lupus) * 3*. Com os bovinos sucede o mesmo: a vaca e o zebu pertencem ao género Bos, porém a primeira é da espécie taurus (Bos taurus) e o segundo é da espécie indicus (Bos indicus). Podemos portanto, dizer em termos gerais, que os animais de uma mesma espécie , além de terem as características genéricas próprias, se assemelham entre si tantos como os seus pais, e distinguem-se das demais espécies do mesmo género, e se reproduzem entre si originando descendentes fecundos.
Porém ocorre com muita frequência , que grupos de animais de uma mesma espécie apresentem entre si características quer permitem claramente diferenciá-los (por exemplo , todos os cães são da mesma espécie, porém é possível diferenciar claramente um caniche de um mastim).
Neste caso estamos perante um facto que obriga a categorias inferiores dentro das espécies: são as espécies politípicas. E são nestas subdivisões que as normas taxonómicas se apresentam mais obscuras: as espécies podem dividir-se em sub-espécies e ou em variedades, e estas em sub-variedades ou biótopos. O uso do sinónimo “raça” por “variedade” é frequente e correcto. Continuando com o nosso exemplo canino, um galgo seria um Canis familiaris de raça galgo.
Estas normas taxonómicas, um tanto simplificadas para facilitar a sua compreensão, não têm outro objectivo para os nossos propósitos senão dar uma ideia de conjunto.
Porém é importante assinalar que as características que permitem classificar um grupo de animais dentro de uma mesma raça devem cumprir inexoravelmente as seguintes regras:

a) Que sejam diferenciadores face às demais raças da espécie (as características que aparecem numa raça não servem para descrever outra).
b) Que sejam estáveis, no sentido de confirmarem e perpetuarem com a descendência (uma característica que possa não aparecer nos descendentes, não serve para descrever uma raça).
c) Que sejam susceptíveis de descrição cientifíca (uma caracaterística como “proporcionado” não é válida para marcar uma característica própria de uma raça, pois é uma apreciação subjectiva).
Enquanto que c) é uma regra de racional, a) e b) são não só por conceito cientifíco, mas também por definição semântica do vocábulo “raça”: Cada um dos grupos em que se divide uma espécie orgânica , formada por indivíduos que têm certas características comuns que os distinguem dos outros de outros gupos da mesma categoria e que se transmitem por herança. (Maria Moliner)
Não há dúvida que estas regras se aplicam perfeitamente ao nosso exemplo canino, mas será que se aplicam também aos Bos taurus que se utilizam na lide ?
Antes de dar resposta , permito-me esboçar a origem e evolução dos ditos animais.

A ORIGEM DOS ACTUAIS TOUROS DE LIDE

O seu mais antigo predecessor conhecido é o Bos planitrons que viveu durante o plioceno (final do terciário). Dele descendem pelo menos duas espécies: o Bos primigenius (o uro europeu) e o Bos nomadicus (o uro afroasiático) o Bos primigenius cruzado possivelmente com alguma espécie de cornos curtos, aparece entre 10000-8000 a.c e o Bos taurus actual, o qual começa a diversificar-se de tal forma, que já no Neolítico ( cerca de 4.000 anos a.c.) se conheciam pelo menos três espécies. A partir de então e devido à sua domesticação, sofre constantes cruzamento, muitas vezes com a intervenção do homem, que procura variedades para carne, trabalho e leite. E para não remontarmos muito mais atrás, já nos encontramos na Espanha do séc.XIV, onde se encontram dados que os touros para a lide se comprar aos carniceiros *4* , os quais, devido ao seu ofício conhecem os touros que se mostram mais bravos de entre as vacadas que comercializam. Quer dizer , escolhem-se exemplares de raças criadas para carne, não para a lide. Entre estas raças espanholas eram frequentes a Berrenda, a Cárdena, a Salmantina, a Retinta,etc. São todas raças pertencentes à espécie Bos taurus, com características fixadas ao longo de séculos ou mesmo milénios.
Porém alguns ganadeiros apercebem-se que criar reses para a lide pode ser tão rentável ou mais do que para carne, e em meados do séc. XVIII começam a aparecer as primeiras ganaderias de touros para lide. Estes vaqueiros, seleccionam e cruzam as raças ao seu alcance e começam a produzir touros condenados desde o nascimento à lide. Criaram por isso uma nova raça de Bos taurus ? Agora estamos de novo no princípio.

EXISTE A RAÇA DE LIDE ?

Sinceramente, a resposta é NÃO , e podemos argumentar sobre o assunto.
Recordemos que para poder definir uma raça são precisas cumprir três regras, basta que uma delas, uma só não se cumpra, para não se poder falar em raça. Pois bem, o denominado gado de lide, não cumpre nenhuma das três:

a) Não existem características morfológicas próprias dos touros da hipotética raça de lide, já que estas (as características morfológicas dos touros de lide) são idefiníveis por díspares. Descreva-se qualquer exemplar de qualquer ganadaria das que criam touros para lide, e poder-se-á comprovar que tal descrição não é aplicável a outros exemplares de outras ganadarias que criam exemplares com o mesmo fim*5*. Tão pouco existem características diferenciadoras definíveis entre os touros da hipotética raça de lide face a outras raças da mesma espécie.

b) As características psicológicas diferenciadores, que se supõem na hipotética raça de lide (principalmente a difícil definição de “bravura”) não parecem perpetuar-se de forma regular com a descendência, a ponto de a imensa maioria carecer dela. Segundo denunciam os próprios tauromáquicos. Aliás se assim fosse, a prova de bravura, seria desnecessária e todos os touros nascido de pais “bravos” seriam igualmente bravos. Tão pouco parecem perpetuar-se as características morfológicas : observando fotografias de exmplares de touros bravos de épocas distintas, inclusivé das mesmas ganadarias, pode observar-se que apresentam características morfológicas muito diferentes.

c) Não conhecemos uma única descrição científica das características diferenciadoras da hipotética raça de lide. E isto, apesar de ter consultado uma ampla bibliografia. A razão é a seguinte: não se pode descrever o que não existe. E, tanto assim é que nem o próprio Regulamento de Espectáculos Tauromáquicos a descreve, limitando-se a proibir que se lidem reses que não estejam inscritas no Registo de Empresas Ganadeiras de Reses de Lide, e que as mesmas tenham as caracterísitcas zootécnicas da ganadaria a que pertencem *6*.

Pelo exposto, pode dizer-se que a raça de lide só existe como ideia ou objectivo a alcançar pelos ganadeiros interessados, e mesmo aceitando que existe um fenótipo *7* ideal, o qual não é certo tanto no conceito de “touro de lide” , tanto no aspecto morfológico, como no psicológico, este vem mudando ao longo dos tempos de acordo com as modas tauromáquicas de cada momento.
A afirmação que não existe raça de lide, não é evidentemente só nossa. Por exemplo, aquele que é possivelmente o mais completo e documentado estudo publicado sobre as raças autóctones espanholas *8* , diz sobre o assunto: “O gado de lide constitui em Espanha uma população bovina heterogénea que é bastante duvidosa integrar numa raça, já que a única caracterísitca comum que se pode assinalar é a sua capacidade para mostrar um temperamento agressivo, a que os aficionados da tourada chamam bravura…Por isso, é duvidoso integrar esta diversa população bovina dentro do conceito de raça”.

O QUE SÃO ENTÃO OS TOUROS DE LIDE ?

É indiscutível e já o assinalamos anteriormente que as actuais raças bovinas espanholas são o resultado de cruzamentos com outras raças mais antigas, e estas o resultado de cruzamentos e ou diversificação de espécies ainda anteriores. Quer dizer que num dado momento se partiu de animais mestiços até que as suas características (aquelas que os seus “criadores” consideraram idóneas para os seus fins) se fixaram por selecção artificial para dar lugar a uma raça propriamente dita. A razão pela qual as características das raças autóctones se fixaram e as dos touros de lide não, têm que se procurar não já no tempo que necessariamente tem que transcorrer para que ela ocorra ( com mais de dois séculos houve tempo suficiente para tal), mas sim nos próprios interesses do negócio taurino.
Se desde um primeiro momento (ou inclusive em tempos posteriores) se tivesse decidido o prótotipo do touro que se queria alcançar, seguramente que hoje existiria uma raça de touros de lide. Porém, as modas e os interesses conduziram a que os gandeiros continuassem mestiçando continuamente *9* , de forma a que os touros de lide de hoje não se parecem com os de ontem, estes com os de anteontem, e tão pouco se parecerão com os de amanhã se se continuar pelo mesmo caminho.
Finalmente: os touros de lide actuais não são senão animais mestiços que não pertencem a nenhuma raça determinada, e só para fixar um conceito que sirva de referência, permito-me defini-los da seguinte forma “animais pertencentes a diversas pseudo-raças de Bos taurus, com a característica frequente, indefinível cientificamente, de manifestar uma agressividade instintiva quando acossados”, característica que repartem com muitas outras espécies e inclusive com exemplares de outras raças bovinas.

SÃO SINCEROS OS AFICIONADOS QUANDO SE PREOCUPAM COM A SUA POSSÍVEL DESAPARIÇÃO ?

É evidente que aos aficionados o que os preocupa é o desaparecimento das touradas, não dos touros : os simples aficionados porque perdiam o seu divertimento ; os outros – ganadeiros, críticos , matadores, etc. – porque perdiam o seu negócio. Porém, nem a uns nem a outros, lhe interessa a sorte das pseudo-raças de lide. E para fazer esta afirmação baseio-me nos seguintes factos:

a) Muitas pseudo-raças perderam-se e muitas outras se perderão, de forma provocada, e quanta a essas eles não preocupam *10*.

b) Várias raças bovinas autóctones (verdadeiras raças) desapareceram nestes últimos anos (campurriana , pasiega, lebaniega, etc) e muitas outras encontram-se em perigo eminente de extinção ( albera, blanca cacereña , cachena , murciana, etc.) e não são os aficionados que reclamam a sua protecção.

DESAPARECERÃO AS PSEUDO-RAÇAS QUANDO ACABAREM AS TOURADAS?

Os touros bravos não existem porque existem touradas, antes pelo contrário: as touradas existem porque existem touros bravos.

Recordemos que os primitivos ganadeiros de bois, tentaram durante séculos erradicar essa característica brava do seu gado, seleccionando os animais mais mansos e consequentemente mais manejáveis.

E assim, no séc. XVIII os primeiros ganadeiros de reses de lide encontraram-se a braços com exemplares cujo gene de bravura não tinha desaparecido. Todavia hoje existem exemplares entre as ganaderias de touros de carne que manifestam uma agressividade instintiva quando provocados ou acossados *11*. Não se duvide pois que este carácter se perpetuará ainda durante muito tempo de forma natural, sobretudo se não se tentar seleccionar em sentido contrário.
Portanto é primordial conservar as raças bovinas autóctones espanholas, verdadeira riqueza zoológica e zootécnica do nosso país, em vez das pseudo-raças de lide. Calcula-se que 32% encontram-se em eminente perigo de extinção e 38% em perigo moderado de extinção *12*.

Quanto às pseudo-raças de lide, com um valor ecológico muito menor que as anteriores, a sua sobrevivência às touradas é um simples problema de vontade. Haveria que decidir que fenótipos se desejam perpetuar para impedir que os ganadeiros continuem a fazê-los desaparecer. Não esqueçamos que o próprio negócio tauromáquico é o seu pior inimigo. Uma vez estabelecidas as características diferenciadoras da raça de lide, só deveriam estar inscritos no livro genealógico de raça bovina de lide os exemplares que as tivessem e em pouco anos já se poderia falar de raça de lide.
E existindo uma raça de lide , a sua protecção em herdades para o efeito seria económico e simples. Muito mais que a protecção a outros animais em perigo de extinção (linces, lobos ou ursos *13*) se tem mostrado possível.

E também não podemos esquecer que sem ser utilizados para a lide, as actuais pseudo-raças de lide são economicamente rentáveis como produtoras de carne, ou pelo menos tão rentáveis como muitas raças espanholas de criação intensiva *14*. Quer dizer, são uma verdadeira alternativa de produção em terras que não permitem manter outras raças mais delicadas, embora o seu manuseamento seja mais complicado.
Em resumo: as pseudo-raças de lide não têm que desaparecer se se acabar com as touradas, e não há dúvidas que quem agora advoga a sua abolição, serão os que a partir de então lutarão pela protecção de tão belos e magnifícos animais.

NOTAS

*1* È a chamada nomenclatura binominal . Consiste em duas palavras latinas das quais a primeira se escreve em maiscúlas e designa o género, e a segunda em minuscúlas e designa a espécie. Estas normas internacionais estão reconhecidas no Código Internacional de Nomenclatura Zoológica.
*2*Não tanto, como por exemplo entre o lobo e a raposa e o cão e a raposa. É por isso que as três espécies pertencem a uma mesma família (a dos canídeos), porém só o cão e o lobo são do mesmo género (a raposa pertence ao género Vulpes).
*3*A espécie é a mais representativa das categorias taxonómicas, e pode ser definida como “um conjunto de população natural que pode cruzar-se entre si, real ou potencialmente” (Mayr”. Em linguagem comum, a espécie designa-se por um substantivo concreto: cão, lobo, vaca, etc.
*4*Por exemplo em 1478, em Sevilha houve uma tourada “oito dos quais se compraram ao carniceiro Juan Ruíz , pagando 2.500 maravedís cada um” (Los Caireles de Oro, de Pascual Millán).
*5*A descrição normal de uma raça bovina inclui pelo menos a altura, peso médio, proporções, forma da cabeça, cornadura, pelo e cores. Como qualquer um pode comprovar , todas estas caracterísiticas são muito diferentes nos touros criados para lide. Para muito autores tauromáquicos, as características diferenciadoras dos touros de lide não são morfológicas, genéticas ou fisiológicas , mas sim psicológicas. Por exemplo para Filiberto Mira um touro de lide é aquele que tem uma “saída alegre e rápida do curro, vai ao encontro nos três esconderijos, dobra humilhado e no percurso ao ser toureado com a capa….etc”. Estes critérios são taxonomicamente inaceitáveis. Outros como Manuel Prieto y Prieto, assinalam aquelas que devem ser as características tipo das raças vacuns de lide, porém terminam como recomendação para as distinguir “os sinais ou marcas e as divisas”
*6*Há que assinalar que “características zootécnicas “ é um disparate semântico: zootecnia é “o conjunto de conhecimentos relativos à criação de animais domésticos e a prática desses conhecimentos”, portanto “características zootécnicas” não tem sentido. Também é de assinalar que para se inscrever no registo de Empresas Ganadeiras de reses de lide, não se exige ao interessado que conte com as reses da vaca de lide, mas sim com as reses inscritas no livro genealógico da raça bovina de lide, na qual se inscrevem as reses pertencentes às ganadarias de reses de lide. Uma pescadinha de rabo na boca, precisamente por não se poder definir cientificamente as características da hipotética raça de lide.
*7*Fenótipo: conjunto de propriedades genéticas, estruturais e funcionais de um organismo.
*8*Miguel A. Garcia Dory, Silvio Martinez Vicente e Fernando Orozco Piñan, Guía de Campo de las razas autóctonas españolas (Madrid, editorial : Alianza Editorial, 1990), 228.
*9*É do conhecimento geral que as “figuras “ do toureio escolhem ou vetam ganadarias consoante os touros se acomodam ou não à sua forma de tourear. E isto já acontece desde o aparecimento das primeiras ganadarias de touros de lide , sendo famoso o memorial escrito por Illo e Costillares (dois famosos matadores do séc.XVII) exigindo à autoridade que não comprasse touros da raça castelhana para os espectáculos onde iriam actuar. Estas exigências das “figuras” têm levado os ganadeiros a produzir touros ditados pelas modas.
*10*A tal ponto que das oito pseudo-raças do séc. XVII (dez, segundo outros autores) – e por pseudo-raças originárias referimo-nos às 8 ou 10 ganadarias que começaram a criar touros com a finalidade exclusiva de os dedicar à lide, e que estavam formadas por exemplares de raças autóctones espanholas – não há hoje uma só ganadaria que conserve exemplares que não sejam mestiços: quer dizer desapareceram todas. Pode mesmo afirmar-se que de algumas daquelas, até o sangue dos seus descendentes se extinguiu nas ganadarias que os tinham: por exemplo da vazqueña, da raso-portillo da jijonesa, etc.
*11*Tanto assim é, que em muitas festas populares, até à entrada em vigor do novo Regulamento Tauromáquico – que o proíbe para zelar pelos interesses dos poderosos ganadeiros de touro bravo – , vinham-se utilizando touros de ganadarias de carne, os quais, se eram bem escolhidos mostravam tanta bravura como os criados como bravos.
*12*Na actualidade restam 27 raças bovinas autóctones espanholas. De 9 delas restam menos de 1000 exemplares. Dados certos indicam que pelo menos 4 raças já desapareceram.
*13*Os ursos foram utilizados em Espanha, durante séculos e até ao séc.XX em espectáculos tauromáquicos. Abolida esta dita “manifestação cultural, os ursos não desapareceram.
*14*O rendimento da carne das reses de ganadarias de lide anda á volta de 57%. As de carne de pastagem, á volta de 55%.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A Ferra


A ferra faz parte do processo de identificação dos animais. A tradição em Portugal ordena que os equinos e os bovinos sejam ferrados a fogo.

No chamado “Gado Bravo de Lide”, a ferra é usualmente feita da seguinte forma:

1.º Imobilização – duas formas distintas, mas igualmente stressantes

Alguns rapazes agarram o bezerro ou garraio pelas orelhas ou pelas ilhargas e derrubam-no. Caído no chão, são-lhe amarradas as patas;
O animal é imobilizado numa jaula, vulgarmente designada por caixão da ferra, sendo a sua cabeça presa numa abertura da portinhola. Fica com o lado esquerdo do corpo encostado a uma placa, preso por duas cordas ou por correntes amarradas no tronco, sendo ainda agarrado pelo rabo.

2.º Um Extra - Cortes nas Orelhas

Aproveitando a imobilização do animal, não é raro que se façam vários cortes nas orelhas, com uma faca afiada, com o intuito de se deixarem marcas diferentes de ganadaria para ganadaria.

3.º Marcação com Ferros em Brasa

São feitas as seguintes marcações, todas elas do lado direito: O ferro da ganadaria é marcado na nádega como símbolo da casa onde nasceu o bovino e tem as iniciais do ganadeiro ou o brasão de família. No dorso, é-lhe gravado o número de registo. O último algarismo do ano em que nasceu, é ferrado na espádua. No pescoço, é deixada a letra “P” com o ferro da Associação Portuguesa de Touros de Lide.

A ferra faz-se aos animais quando eles ainda são muito jovens, tendo alguns, menos de um ano de idade. A ocasião é aproveitada para separar os machos das fêmeas (igualmente marcadas com ferros em brasa), que não voltarão a pastar juntos. É feita entre Outubro e Março, quase sempre na presença de um número significativo de convidados e em ambiente de festa
http://www.youtube.com/watch?v=WPMjAITr4XI

Identificar os animais pode até ser importante, mas por via de golpes nas orelhas e de marcações com ferros em brasa, é inadmissível. Provocam-se dores insuportáveis e causam-se, muitas vezes, futuras infecções, pois nem sequer é administrada qualquer anestesia ou medicação. O ideal seria a opção pela identificação electrónica, mas esta parece estar fora de questão. Já existe um método considerado “inovador”, à base de azoto líquido, possível de ser utilizado em animais de pêlo escuro, em que pelo menos o processo é feito a frio e talvez um pouco menos doloroso. Este método já está a ser utilizado em alguns países, mas em Portugal a marcação de bovinos com ferros em brasa é (mais) uma tradição que se continua a manter.

Marinhenses Anti-touradas

Era também assim que se marcavam os escravos.
Estas práticas fazem parte de um processo de banalização da violência, abuso de poder e dessensibilização para o sofrimento alheio. Enquanto não as erradicarmos, não poderemos verdadeiramente evoluir.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Tourada à Portuguesa ou nem por isso

Ao toque de uma corneta, deu-se início à função.


A multidão adivinha um bom espectáculo. Até a televisão pública está ali a transmitir em directo.
A «Festa Brava» vai começar!

Fizeram entrar na arena um touro de cornos embolados.
Assustado, o animal ainda deu umas corridas, meio estonteado com toda aquela parafernália de gente e de luz. Depois encostou-se resolutamente às tábuas.


Entretanto em Espanha....

Não havia outro remédio: entrou na arena um homem que trazia na mão uma longa vara que terminava numa ponta de ferro afiada, montado num cavalo protegido lateralmente por uma espécie de esteira.


Foi então que esse homem, o «picador» fazendo jus ao nome da sua profissão, começou a picar o touro com a longa vara. Dizem que é para o «espicaçar» e para o tornar mais «esperto» e bravo.


Contorcendo-se de dor e procurando defender-se, o touro investiu violentamente contra o cavalo. A princípio, a protecção da esteira foi eficaz a protegê-lo.
Mas uma cornada mais bem dirigida abriu-lhe um profundo golpe na barriga.
A multidão entrou em delírio à vista do cavalo a sair da arena a tropeçar nos seus próprios intestinos que arrastavam pelo chão: tínhamos touro!

Mas, como mais vale prevenir que remediar, o touro já vem dos curros, «preparado» para a arena...

Depois, entra um cavaleiro vestido num espectacular «traje de luces». Vão-lhe dando as "farpas", "bandarilhas", uns paus compridos, decorados com umas fitinhas de papel de cores garridas, dotados de uma ponta em ferro em forma de seta, o que impede a sua saída depois de espetado.

Resguardado pela sua montada, começa então o valente e garboso cavaleiro uma dança à volta do touro e, de cada vez que acha mais ou menos apropriado, espeta-lhe um daqueles ferros nas costas.
De cada vez que um ferro é espetado no animal, a multidão entra em delírio e aplaude entusiasticamente. Principalmente quando o touro se contorce com dor.

Não há touros de morte em Portugal.
A não ser, claro, que alguém entenda que a sua terra é uma excepção. Então basta desafiar o poder político durante meia dúzia de anos, e o direito a matar touros é «excepcionalmente» garantido.
Resultado de imagem para Não há touros de morte em PortugalBarrancos - Os touros de morte
Monsaraz, regime de excepção desde 2014               Barrancos, regime de excepção desde 2002

Então, como em Espanha, a população depois do ritual dos ferros nas costas do touro, ganha o direito a ver o animal a ser morto na arena à sua frente. Faz ainda parte da celebração da morte do touro o corte ritual das orelhas e do rabo, sempre sob o aplauso entusiástico do público.

Os «aficionados», como a si próprios se chamam, partilham entre si uma espécie de mística e uma sobranceria que os traz convencidos que gostar de touradas os torna superiores ao comum dos mortais.
Em vez de «touro» preferem o termo «toiro» e são frequentemente dotados de um «marialvismo fadista» e de uma fervorosa e fanática religiosidade, que conciliam perfeitamente com uma homofobia militante, o que até os leva a fazer de conta que os trajes dos toureiros não são efeminados.

Os adeptos das touradas dizem que é função nobre do touro e uma «honra» para o animal «combater» e ser lidado numa arena.
Não sei se algum deles alguma vez pediu a opinião do touro, ou até se prontificou a ser voluntário em tão nobre destino.

Dizem também que é graças às touradas que os touros não estão já extintos como espécie.
Também não sei se se preparam para realizar campanhas contra a extinção do panda ou do tigre promovendo espectáculos públicos em que lhes espetam ferros nas costas.


Não sei quando serão proibidas as touradas.
Decerto um dia o serão.

Mas talvez a solução definitiva para as touradas esteja numa rigorosa avaliação psicológica – e até mesmo psiquiátrica – não só de quem se dedica profissionalmente à tortura de animais e a espetar-lhes ferros afiados nas costas, mas também de quem se diverte a assistir e aplaude tão triste e lamentável espectáculo.



sexta-feira, 25 de maio de 2012

O sonho de matar na arena

Visitámos as três principais escolas de toureio do País, onde se treina para um objectivo difícil: ser matador de touros.

Aos 16 anos, Diogo Peseiro não tem grandes dúvidas sobre a sua vocação: "O toureio é uma arte que eu amo. Desde sempre que está presente no meu corpo". Começou a aprender as lides do toureio apeado aos cinco anos, mas uma operação cirúrgica fê-lo parar por algum tempo. Agora aposta tudo no desejo de ser matador. "Entrei na Academia do Campo Pequeno há um ano e tenho sentido uma grande evolução. A escola está a dar-me excelentes oportunidades para concretizar os meus sonhos."
Diogo faz parte do grupo de cerca de 20 alunos que aprende na Academia de Toureio do Campo Pequeno, em Lisboa. Sob a orientação dos maestros Rui Bento Vasques e José Luís Gonçalves, ambos antigos matadores, jovens dos oito aos 21 anos lutam por um lugar na arena, onde sabem que só os melhores conseguem chegar. "Sabemos que a maior parte destes jovens não vai chegar a matadores. É um mundo muito competitivo e as oportunidades são poucas. Mas, pelo menos, temos a certeza de que vão sair daqui novos aficionados da festa brava, que ajudarão a que esta arte continue viva em Portugal", explica o maestro José Luís Gonçalves, de 46 anos, que se retirou em 2010.

ESCOLAS UNIDAS
Os jovens talentos do toureio a pé têm agora uma nova oportunidade de se mostrarem ao grande público. A Academia do Campo Pequeno juntou-se à Escola José Falcão, de Vila Franca de Xira, e à Escola de Toureio da Moita para fazerem uma série de 12 novilhadas integradas em corridas de touros. A primeira acontece já este domingo, dia 6 de Maio, em Vila Franca de Xira. Ao longo da temporada, as novilhadas vão passar pelas praças da Moita (26 de Maio), Arruda dos Vinhos, Salvaterra de Magos, Montijo (todas em Junho), Alcochete, Coruche, Caldas da Rainha (Agosto), Montemor-o-Novo, Nazaré e Sobral de Monte Agraço (Setembro). A grande final acontece no Campo Pequeno, em Lisboa, a 27 de Setembro.
Por estes dias, os alunos das três escolas intensificam os treinos para mostrar a sua galhardia na arena. Em Vila Franca de Xira, a Escola José Falcão é a mais antiga do País. Fundada em 1984, usa o nome de um dos maiores matadores de touros portugueses. José Falcão morreu em 1974, mas o seu nome perdura na memória dos aficionados.
Hoje, os oito alunos da escola têm por maestro Vítor Mendes, matador ainda no activo, com uma carreira de quase 40 anos nas arenas. Tal como nas outras escolas, o treino de salão (na arena, com modelos que simulam o touro) completa-se com visitas ao campo. É nos tentaderos - sessões organizadas pelas ganadarias em que os novilhos são postos à prova para se testar a sua bravura - que os jovens toureiros têm as primeiras oportunidades de enfrentar um animal.

TOUROS NO CAMPO
A Herdade da Adema, propriedade da famosa ganadaria Palha, foi o cenário de um desses tentaderos, em que participaram cinco alunos da Escola José Falcão. Na presença do maestro Vítor Mendes e de um matador espanhol, entre outros convidados, Tiago Santos, de 19 anos, foi um dos que teve oportunidade de tourear na arena da herdade. "Comecei aos 11 anos, quando o meu pai me levou à escola do Montijo. Hoje estou na categoria de novilheiro sem picadores, mas espero chegar ainda este ano a novilheiro com picadores." O próximo degrau é ser matador de touros. Então poderá trocar os novilhos (touros com menos de três anos) por animais adultos e peso superior.
Em Espanha - pátria incontornável para quem quer fazer uma carreira no toureio a pé -, os jovens têm a oportunidade de ir à arena e matar novilhos desde cedo. Tiago Santos aproveita todas as oportunidades. "No ano passado fiz 20 corridas. Toureei em Espanha, França e na América." São 32 os animais que morreram às suas mãos. "Matar um touro é uma mistura de vários sentimentos. Sentimos que nos superamos a nós próprios, é inexplicável." Apesar da muita experiência acumulada, Tiago não sabe ainda quando poderá ascender à categoria de matador: "Este é um mundo mais de vencidos do que de vencedores. Chegar a matador é sentir-se preparado. É preciso estar à altura." Com o 12º ano feito, aposta tudo na carreira tauromáquica. Não põe de parte a ideia de ir para a universidade, mas para já concentra-se nos touros.
Vítor Mendes é severo com Tiago na arena. Corrige-o à frente de todos, irrita-se quando o vê fazer gestos incorrectos. No final, explica que não há espaço para paternalismo ou paninhos quentes no toureio. "Só somos exigentes com aqueles que têm talento. Para se ser matador é preciso procurar a perfeição."
Outro aluno da Escola José Falcão é Pedro Noronha, de 17 anos (que estará hoje na corrida de Vila Franca de Xira). Nascido em Lisboa, conta que desde pequeno vai às corridas com os pais. Entrou na Escola José Falcão em Setembro de 2007 e hoje é novilheiro sem picadores. "Desde pequeno que gosto da arte do toureio a pé." Já fez novilhadas e espectáculos de variedades taurinas, mas ainda não teve oportunidade de matar um novilho: "Sei que esse dia virá". Pedro sublinha a importância das visitas às ganadarias: "Podemos estar mais perto do touro e ver o seu comportamento no campo. Temos também a oportunidade de tourear um animal, o que é fundamental para a nossa formação."

DO CAVALO PARA O CHÃO
Foi para conhecer melhor os terrenos do touro que Maria Mira, de 21 anos, entrou para a Academia do Campo Pequeno. "Comecei por tourear a cavalo em 2007. Neste momento sou praticante. Sempre gostei muito do toureio a pé e para mim é essencial saber tourear a pé para fazê-lo bem a cavalo", explica. Maria aprendeu a montar com o pai, mas demorou até que os pais se convencessem da sua vontade. "Sempre disse que queria ser toureira, mas ninguém me levava a sério. Só quando fiz 16 anos é que o meu pai percebeu que estava mesmo convencida disto."
Maria Mira espera seguir os exemplos de Ana Batista e Sónia Matias, duas cavaleiras portuguesas que se impuseram num mundo normalmente associado a homens. "O meu grande objectivo é tirar a alternativa como cavaleira, mas não ponho de parte a hipótese de me dedicar ao toureio a pé. Veremos o que o futuro me reserva", explica esta estudante de Línguas, que vem de Évora todas as semanas para treinar no Campo Pequeno, em Lisboa.

TRADIÇÃO NA MOITA
Terra de aficionados, a Moita já teve várias escolas de toureio a pé. A Escola de Toureio e Tauromaquia da Moita abriu há um ano e conta com um filho da terra para ensinar os mais novos. Luís Procuna, de 29 anos, é matador há nove. Aprendeu ali na Moita e fez-se matador em Espanha, onde tirou a alternativa e onde passa grande parte do ano. "Para se ser matador é preciso passar por Espanha. Só lá se pode matar o touro na arena, é a pátria por excelência do toureio", explica o matador. Com a ajuda do bandarilheiro Júlio André, ensina aos cerca de 30 alunos as três artes do toureio a pé - o capote, as bandarilhas e a muleta. Esta última esconde a espada, usada para matar o touro na arena, manobra proibida em Portugal.
João Rodrigues, de 16 anos, é um dos jovens mais promissores da escola, numa terra que já formou matadores como Nuno Manuel ‘Velásquez' ou Sérgio Santos ‘Parrita'. Ambos tiveram de deixar a carreira de matadores pelas bandarilhas, sinal da extrema competitividade de uma profissão de elite. João dá os primeiros passos da sua caminhada: "Já participei em nove corridas, sempre em Portugal. Gostava de seguir esta arte e de ser um matador de touros." Nascido no Montijo, o irmão mais velho foi forcado mas abandonou a vida taurina. Empenha-se nos treinos, três vezes por semana, para alimentar o sonho de ser matador. "Sei que tenho de ir para Espanha para triunfar, mas estou preparado para isso."
Ainda não tem o traje de luzes, o fato que os toureiros levam à arena. Feito em Espanha, um traje custa entre três a seis mil euros. Um investimento grande que um toureiro terá de fazer para vingar num mundo em que se pode ganhar muito dinheiro, mas ao qual só os mais capazes têm acesso. João Rodrigues quer estar entre eles.

ESCOLA ESPANHOLA
O colega Diogo Damas, de 19 anos, fez um percurso diferente. Começou aos nove ano na Escola de Toureio da Azambuja (ainda em actividade). Há dois anos esteve na cidade espanhola de Badajoz, numa escola exclusivamente dedicada aos touros. "Lá era diferente. Éramos 90 alunos, treinávamos todos os dias, fazíamos muitos tentaderos e íamos à arena." Diogo aprendeu o que é ir à arena e enfrentar a apreciação do público. Matou novilhos em arena. "É uma sensação diferente, o público reage com muita intensidade ao que fazemos. Quando se mata um touro, submetemo-nos ao julgamento das bancadas. Se as pessoas acenarem um lenço branco, é sinal de que triunfámos. São-nos então dadas as orelhas do novilho. Se falharmos, o público guarda os lenços e saímos da arena sem nada. A mim aconteceu-me de tudo, houve dias melhore e outros piores."
As diferenças também se notam no treino: "Na escola espanhola somos treinados para entrar a matar, que é a parte mais difícil. Aqui o treino é mais diversificado, treinamos o capote, as bandarilhas e a muleta." Outra diferença é o modo como se tratam os animais: "Em Portugal não se pode picar o touro, e por isso a investida é muito mais bruta. Os touros picados em Espanha investem com mais suavidade, ficam mais fáceis de trabalhar", explica Diogo Damas.

GÉMEAS BEM DIFERENTES
Na arena da Moita destacam-se duas raparigas praticamente iguais. Paula e Ana Santos, de 13 anos, treinam na escola da Moita há um ano. Paula não tem dúvidas: "Eu quero ser matadora. Desde que me conheço que já não vejo outra coisa. Gosto muito disto". Conhece o pior lado do toureio a pé: "Já levei muitas cornadas. Custa, mas o importante é voltarmos." Apesar do ar franzino, já mostrou valentia a enfrentar vacas no campo. A irmã gémea está menos convencida. "Ainda não sei o quero fazer. Mas gosto mais de cavalos, se pudesse seria cavaleira. Ainda estou à procura de uma pessoa que me ensine."
Outra colega de escola mostra que as portas das arenas estão abertas às mulheres. Ana Marques, de 14 anos, também está na escola desde a abertura. Gosta das lides dos touros, mas para ela o futuro não será por ali. "Estou aqui para aprender mais. Sempre tive medo de touros, mas convidaram-me para vir experimentar e gostei. Mas não quero seguir esta carreira. Tenho medo de ser apanhada e ficar ferida e quero seguir carreira na representação." Uma cornada de uma vaca, uma voltareta na linguagem dos toureiros, deixou-lhe marcas no corpo e na mente. "Fiquei com uma grande nódoa negra nas costas, os meus colegas de escola disseram-me que eu era maluca por andar aqui." O seu futuro não deverá passar pelas arenas, mas garante que a aprendizagem do toureio vai deixar marcas: "O gosto pelas corridas de touros vai durar sempre."
O maestro Luís Procuna sublinha a importância de haver raparigas a querer aprender. "É muito bom, até para as mulheres verem que o mundo das touradas não está fechado nos homens. Há muitas mulheres de classe nas arenas." A espanhola Maria Paz Vega é hoje a mais conhecida matadora de touros. Em Portugal, há muito que não se vê uma mulher tourear a pé. Os mais velhos lembram Ana Mendia, da Azambuja, que brilhou nas arenas nos anos 70.
Na escola estão desde crianças de seis anos a adolescentes à beira da maioridade. As taurinhas - estruturas com cabeça de touro e rodas de bicicleta usadas para treinar as manobras com os touros - fazem as delícias dos mais novos, mas o treino é exigente para todos. "Fazemos treino físico durante uma hora e mais duas de exercícios com os pitons (cornos) e as taurinhas. Há três treinos por semana, mas no Verão abrimos a praça todos os dias. É fundamental estar no melhor da forma", explica o bandarilheiro Júlio André, um dos professores da escola da Moita.

ARTE CONTESTADA
Nos últimos anos cresceram os movimentos que defendem o fim das touradas, vistas por estes militantes como um espectáculo cruel para com os animais. Os que agora se iniciam no toureio sabem que aquilo que fazem é criticado por muitos, mas isso não os demove. Tiago Santos, da Escola José Falcão, pede mais respeito a quem contesta as touradas: "Eu percebo porque é que há pessoas que dizem que a tourada é um espectáculo bárbaro. Estão no seu direito. Desde que não tentem prejudicar-me a mim e aos meus não me importa. Mas gostava que as pessoas percebessem a razão das coisas. Era bom que procurassem entender esta arte. Há quem prefira a morte do toureiro à morte do touro e isso não posso aceitar."
Em Espanha e em Portugal várias vilas e cidades declaram-se antitaurinas. Vítor Mendes tirou a alternativa como toureiro em Barcelona, praça hoje fechada. "É uma questão política, mas tenho a certeza de que a praça vai reabrir em breve", diz o matador português.
Luís Procuna aponta a fraca capacidade de resposta do mundo taurino aos ataques de que têm sido alvos. "Os movimentos de defesa dos animais estão unidos na contestação. Nós, que vivemos da tourada, pouco fazemos para nos unirmos na sua defesa. Fala-se muito, mas faz-se pouco para responder aos ataques."
Ninguém espera que em Portugal se altere a lei que proíbe a morte dos animais na arena. Quem quer ser matador tem de ir para Espanha. O sul de França e os países da América Latina são uma extensão natural de um mercado que conta com milhões de aficionados. Em Portugal, o toureio a pé tem perdido terreno para os cavaleiros e forcados. "Não é possível fazer mais de 25 corridas por ano. Espero que venha uma nova geração que possa contribuir para mudar as coisas", diz o matador Luís Procuna.

"O MAIS IMPORTANTE É FORMAR AFICIONADOS" 
(Vítor Mendes, 54 anos, matador de touros desde 1974, ensina na escola José Falcão)
Nasce-se matador ou treina-se para se ser matador?
- Creio que se nasce matador. Para se chegar ao nível mais alto tem de ser ter uma qualidade e um talento inatos. O resto faz-se pela aprendizagem.

Estamos a viver uma crise de novos valores no toureio a pé?
- Para descobrirmos novos talentos temos de ir à mina e escavar à procura de pedras preciosas. É preciso criarem--se oportunidades. Dos 40 miúdos que estão inscritos nas escolas de Portugal, julgo que haverá quatro ou cinco com qualidade para chegarem mais longe. Houve uma sequência no toureio a cavalo, em que as novas gerações sucederam às anteriores. No toureio a pé surgiram três ou quatro nomes, que por uma série de razões acabaram por não vingar.

Os jovens percebem que estão a querer entrar num mundo altamente competitivo, que os obriga a ir para Espanha?
- Não podemos olhar só para as escolas de toureio com o objectivo de formar novos profissionais. Estamos a formar jovens com conhecimento do toureio, o que é muito importante. Importa que sejam bons aficionados e que se entusiasmem com os touros.

Como tem corrido esta nova experiência como formador?
- Aqueles que chegam à escola têm origens sociais e valores muito distintos entre si. Tem sido gratificante verificar o empenho deles em aprender.

NOTAS
CICLO
As 12 novilhadas levam às arenas os alunos das três principais escolas portuguesas.
ESCOLAS
Na Azambuja e em Alter do Chão também existem escolas que ensinam as artes do toureio.
ESPANHA
Nas academias espanholas, os jovens estão em regime de internato. Dedicam todo os dias aos touros.
Veja o vídeo
Fonte

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O comportamento do touro dentro de uma praça de touros - por Jordi Casamitjana

“As praças de touros (bullrings) são de facto anéis (rings) que tornam impossível para o touro encontrar um canto onde se possa proteger contra os ataques. (…) A resposta mais comum ao ataque seria virar-se contra o atacante e tentar empurra-lo com os cornos. Este é o comportamento que pode ser visto em muito herbívoros quando são caçados pelos predadores naturais ou pelos humanos. (…) O touro, nas touradas responde, portanto, como se não tivesse outra escolha senão atacar, uma vez que todas hipóteses de fuga estão tapadas e o touro está ferido, o que desencadeia nele este comportamento de último recurso.(…) Por outras palavras, a investida do touro não deve ser interpretada como um ataque (por isso o termo ‘lutar’ na tourada é um equívoco absoluto) mas uma forma de afastar o atacante para evitar a situação adversa".

Jordi Casamitjana (2008). “Suffering’ in bullfighting bulls; An ethologist’s perspective”

Nota:
Aqui aplica-se:
O ataque("investida") é a melhor defesa!
Vejam-se a exemplo os animais selvagens como se comportam para afastar predadores.. lutam e "investem"...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pró-Taurinos vs Anti-Taurinos

Após a informação exposta nos artigos anteriores, deste dossier, temos agora enquadramento suficiente para perceber e participar na discussão entre os apoiantes e os detractores das touradas. Abaixo são explorados os principais argumentos utilizados para a defesa e para a proibição das touradas.

A Tradição
 Pró-Touradas
Anti-Touradas
  • São uma tradição enraizada por milénios de relação entre o homem e o Touro e afirmadas como um espectáculo cultural e popular há séculos.
  • Tem uma carga cénica e uma estética deslumbrante que permitem construir uma bonita festa.
Apesar do seu valor histórico as tradições devem acompanhar os tempos e adaptar-se, ou mesmo extinguirem-se, à medida que a humanidade evolui. Os direitos dos animais são cada vez mais um dos pilares de uma consciência ética e justa. O Touro não pode e não deve ter um regime de excepção na garantia desses direitos.
Durante 500 anos a escravatura foi uma tradição e costume.
A emancipação das mulheres foi feita através de uma longa e desigual luta que conseguiu pôr fim a uma supremacia masculina em termos de direitos e exercício de cargos ou profissões.
As execuções em praça pública foram comuns durante séculos.
Este são apenas três exemplos de antigas tradições milenares ou seculares que naturalmente chegaram ao fim. Porque era o correcto e não porque toda a sociedade concordasse com o seu fim.
O que se deve sobrepôr? O perpetuar de uma tradição ou o respeitar do bem-estar humano e animal?
Conhecer e Preservar o Touro
 Pró-Touradas
Anti-Tourada
Os profissionais do mundo tauromáquico, e mesmo os afficionados em geral, são os verdadeiros conhecedores e amantes dos Touros.
Convivem com os Touros em todo os ciclos da sua vida, conhecem-nos como ninguém, seja em aspectos biológicos, seja em aspectos psicológicos e/ou comportamentais.
Sim, é verdade que quem lida com eles diariamente terá a aptidão natural de melhor os conhecer. Não é por acaso que das mais detalhadas e apaixonantes descrições sobre Touros sejam feitas por pessoas ligadas à Tauromaquia, com claro conhecimento de causa.
No entanto é de estranhar que tanta admiração e amor ao animal culminem no aceitar do seu sacríficio num espectáculo baseado no infligir de stress e dor ao Touro.
Quem de perto lida com os Touros sabe que aquele não é o seu ambiente, que investe porque não tem para onde fugir, que sente cada um dos castigos que lhe são fustigados e que tivera o Touro livre escolha e não estaria ali naquela confrontação desigual.
Sabe também quem os cria que um Touro pode viver dezenas de anos, no entanto entrega-o para as lides quando perfazem apenas 3 anos. Privar um Touro de viver as restantes décadas são demonstração de amor, apreço e respeito?
A luta entre homem e Touro na arena é uma luta justa. É o culminar de uma vida de bem-estar em liberdade podendo o Touro salvar a sua vida com um indulto sendo devolvido aos prados.Quanto á luta justa existem dados estatísticos em Espanha que dizem que desde 1771 foram mortos 445 ´artistas´ das lides Tauromáquicas (apenas 65 toureiros) e que desde 1950 foram alvo de indulto apenas 7 Touros. Estranho sentido de justiça aplicada aos centenas de milhares de Touros mortos desde 1771 ou estará a balança avariada? E que dizer do facto de 80% dos Touros indultados morrerem no dia seguinte ao da lide?
Muitos dos que gritam pelo fim das Touradas não fazem o ideia do que é um Touro e do que lhe dá ganas de viver.

O Touro anseia pela confrontação e sente-se confortável na luta. É um animal agressivo que sente prazer na lide.
Não bastará reconhecer que o conceito de forçar um animal a defender-se, de o sangrar na arena e de o ver sofrer são vis, sádicos e macabros?
Precisaremos de conhecer um animal para assumir que não terá ganas de querer sofrer e morrer? 
Muitos dos que gritam a favor das touradas não deixam que os aficionados façam ideia do que é e do que sente um Touro enfabulando e mistificando o conhecimento público sobre os Touros.
Em artigos deste dossier já foi feita a informação sobre o comportamento normal de um Touro que é completamente antagónico ao que o mundo Taurino quer fazer passar.
Sem a Tauromaquia o Touro seria extinto. É uma raça sem interesse comercial para outras actividades onde existem raças mais produtivas.
A Tauromaquia é também uma actividade que preserva milhares de hectares de montado com sistemas de produções de bovinos dos mais sustentátveis e com maior bem-estar animal em todo o mundo.
Com efeito, em três ou quatro anos de vida do touro, este apenas sofre cerca de 30 minutos, o tempo que dura a lide. O resto do tempo, não há animal que viva junto do homem que tenha vida que se lhe compare. Vive em liberdade, em estado selvagem, inteiro.
Intimamente ligado aos Touros existe também o desenvolvimento e apuramento dos Cavalos Lusitanos.
Parece um pouco um contra-senso aqueles que se dizem os principais amantes e defensores de uma espécie defenderem que se não existir algum interesse comercial a sua preservação é impraticável.
Temos em Portugal vários centros de recuperação de espécies em extinção (como o lobo e lince ibérico) e várias reservas onde existe um ecossistema que permite a vivência de espécies autóctones em equilíbrio.
Com a ajuda de biólogos e cooperação dos actuais ganadeiros certamente que seria viável criar uma reserva de alguns milhares de hectares de montado onde fosse possível que algumas manadas vivessem em liberdade. Iria até ajudar certamente a recuperação de um dos seus predadores naturais, os lobos, bem beneficiar o reforço de população de aves necrófagas.
Quanto aos cavalos são outros dos animais explorados na Tourada que felizmente hoje em dia não morrem com a frequência de outros tempos. (apesar de neste dossier não se ter explorado o tema existe também muito sofrimento psíquico e físico dos cavalos, sobretudo dos que são montados pelos picadores que são privados da visão e audição para enfrentarem as investidas do Touro sem perceber o que se passa nem poder reagir instintivamente. Sofrem também graves lesões e por vezes a morte.). Em todo o caso talvez alguns desses cavalos pudessem também ser libertos nas reservas atrás mencionadas.
Visto que aparentemente ambos os lados da barricada têm amor e respeito ao Touro certamente que não seria complicado juntar esforços e dedicação para providenciar uma vida verdadeiramente livre aos Touros.
O Touro é um dos animais na Natureza com maiores níveis de endorfinas e adrenalinas no seu sistema o que leva a que a sua sensibilidade à dor seja extremamente reduzida em alturas de stress comparativamente a outros animais.
O facto de os níveis de stress do Touro atingirem o seu pico máximo durante o transporte, em que estão confinados em espaços exíguos, e baixarem significativamente durante a lide demonstram como é um animal que se sente bem na luta.
A sua bravura suplanta em muito o seu sofrimento porque a sua fisiologia assim o permite.
Exigem estudos científicos rigorosos dos quais resulte a conclusão de forma inquestionável que os animais, e em particular o Touro, sentem, como o fazem e em que circunstâncias.
Isto contraria o facto dos ganadeiros evitarem ao máximo castigar os Touros durante a sua vida pois estes recordam-se para sempre dos castigos que sofrem e dos autores e utensílios utilizados.
Se um Touro sente as moscas que pousam no seu corpo, que reage com espamos involuntários ou com o abanar da cauda para as afastar como poderá não sentir as perfurações de lâminas com vários cm de diâmetro e profundidade?
Também um Homem em luta pela sua vida não sente a dor das lesões que sofre a quente. Se estudassem apenas os homens quando se encontram em combates de ringue não iriam tirar as mesmas conclusões?
Cientificamente está aqui rebatido esse argumentocom indicação de todas as lesões provocadas pelas sevícias a que é sujeito um Touro bem como do stress a que é sujeito.
Mesmo que o Touro nada sentisse, qual a moralidade de provocar lesões num animal que lenta e progressivamente conduzem à sua morte?
Durante séculos o nosso conhecimento sobre o bem-estar físico e psicológico dos animais era rudimentar. Ainda há duas ou três gerações era comum dizer-se que os animais não sentiam dor. Hoje em dia está comprovado que os animais, incluindo o Touro, são seres sencientes, capazes de sentir dor física e sofrimento psíquico/emcional. Negá-lo está ao nível da posição da inquisição sobre os heréticos avanços da ciência.
Outros Argumentos
 Pró-Touradas
Anti-Touradas
A Tourada é um espectáculo que ocorre em recinto fechado com bilhete pago. Só assiste quem quer. E quando dá na TV quem não quiser assistir basta mudar de canal.
Quem não gosta não vê.
Não podemos ficar indiferentes aos maus tratos a animais infligidos aos Touros durante um pretenso espectáculo cultural. O regime de excepção para com os Touros equivale a uma lei penalizadora de um crime, excepto se cometido sobre um tipo de vítimas em particular. O Touro é um animal como os outros e deve ser reconhecido e protegido como tal.
O sentimento de injustiça e intolerância são o natural para com uma tradição que parou no tempo e assenta numa violação dos direitos e bem-estar de animais.
A partir do momento que existem apoios de autarquias e televisões públicas à exaltação de um espectáculo que assenta em derrame gratuito e violento de sangue, os cidadãos portugueses têm o direito de manifestar o seu desagrado e exigir o fim de todo e qualquer apoio a esta actividade, bem como ao seu fim. 
Porque é que aqueles que se insurgem contra as Touradas não se insurgem contra o sofrimento e más condições de vida das galinhas, porcos, vacas, peixe, etc, que comem tranquilamente sem problemas de consciência?
Porque não se preocupam com os cães e gatos abandonados que são um flagelo no nosso país?
Ora, os defensores dos direitos dos animais fariam melhor em preocupar-se com os valores civilizacionais que transformaram a vida de certos animais domésticos num espectáculo verdadeiramente degradante do que com as touradas que enobrecem e perpetuam a vida dos touros bravos, proporcionando-lhes uma vida de fazer inveja à dos seus primos bois.
E porque assumem que não o fazem? Muitos dos activistas anti-tourada praticam uma dieta vegetariana e/ou defendem o bem-estar dos animais, mesmo daqueles que têm como destino o consumo humano.
Muitos estão também intimamente ligados a associações zoófilas que lidam directamente, com acções no terreno, com o problema do abandono de cães e gatos em Portugal.
Não existe uma prioridade para os horrores e resolução de problemas. A polivalência é necessária e obrigatória exactamente para não deixar agravar aqueles que são descurados.
Recentemente conseguiu-se a vitória de a prazo acabar com o uso de animais em circos. O fim das Touradas se seguirá. É mais uma de muitas batalhas em curso pelos direitos e bem-estar dos animais. 
A Tourada foi apreciada desde sempre e inspirou muitos artistas com obras marcantes sobre o tema expressas em pinturas, esculturas, música e obras literárias.Os artistas são como o resto das pessoas. Existem os aficionados e os que se oponham à Tourada. O facto de ser alvo de abordagens no trabalho de vários grandes artistas não deverá ilibá-la daquilo que é.
Também muitos artistas se inspiraram em guerras, em cenários de catástofres naturais e sofrimento humano e ninguém defende que estas devam ocorrer para estimular veias criativas.
A Tauromaquia é uma actividade auto-sustentada que gera empregos e riqueza para o país.
Não recebem quaisquer apoios financeiros do estado. 
Seria um desastre económico o fim da actividade Tauromáquica.
Auto-sustentada? A receber milhões de euros de apoios de autarquias anualmente para manutenção dos recintos e organização das ´festas´?
Todas as revoluções que têm impulsionado o desenvolvimento da nossa civilização têm provocado transformações nas actividades profissionais existentes. A revolução industrial acabou com o fabrico artesanal de milhares de produtos, a robótica e informatização extinguiram também uma série de tarefas que eram executadas por pessoas e os sectores económicos mais fortes estão em constante mudança obrigando a uma movimentação constante das massas laborais.
O fim da Tauromaquia seria apenas um desastre económico para as poucas centenas de famílias que dela dependem a 100%. E isto se não fosse estabelecido algum tipo de plano que lhes permitisse a transição gradual de actividade. Não é defendida a ruína de pessoas mas o fim de uma actividade cujos moldes podem e devem ser negociados para diminuir o seu impacto nos agentes que vivem exclusivamente dessa actividade.
As praças de Touro continuariam a existir mas o seu espaço a ser reaproveitado para actividades verdadeiramente lúdicas e culturais.
Muita gente é aficionada desde tenra idade e não é por isso que são pessoas mal-formadas, agressivas ou perigosas para com os outros ou animais.Não pode ser ignorada a força da sugestão e do subconsciente, bem como o culto de alguma ignorância.
A tourada incute a imagem errada dos Touros e sobretudo educa a tolerância à violência, ao sofrimento e a imagens sangrentas a troco de divertimento. Mesmo que apenas para com Touros, o que pode ser discutível.
Mais detalhes sobre o impacto da Tourada em crianças e jovens pode ser lido neste ensaio feito por um psiquiatra.
Os anti-taurinos atribuem aos animais características humanas para despertar proximidade e identificação confundido o que são pessoas e o que são animais.
Com a antropoformização do Touro deixam-no de ver como o animal que é com necessidades, comportamentos e reacções psíquico-físicas distintas das de um ser humano.
Touro Bravo, Fera Negra, Besta Negra, símbolo da morte e do medo, arrogante, valente, etc. São apenas alguns dos termos comuns utilizados pelos pró-Taurinos. Tão depressa o sacralizam, como diabolizam como o antropoformizam.
Descrevem-no à medida do necessário para conceder uma carga sagrada, poética, espiritual, transcendente ao acto da Tourada.
Ao dizerem que o Touro nasce para arena e que não sente dor devido ao prazer da luta estão também já cegos para com as reais necessidades, comportamentos e reacções psíquico-físicas deste animal que tão bem conhecem.
Ocorrem muitos espectáculos com Touros para fins beneméritos existindo uma forte solidariedade social com grandes benefícios para misericórdias e outras associações.Ser pró-taurino não quer dizer que não se seja solidário e voluntário para com causas sociais pelo que este é um argumento que parece ser uma lavagem de cara servindo-se daqueles que vivem com a corda no pescoço e que não podem recusar donativos. 
Mesmo assim há muitas associações zoófilas que recusam donativos oriundos de actividades que envolvam o sofrimento de animais pelo que normalmente o alvo dos donativos são associações de causas relacionadas com a melhoria de vida de pessoas mais carenciadas.
É louvavel esta atitude e distribuição de dinheiro que não deixa de ser um dinheiro sujo de sangue. 
Mas lançamos o desafio de que os apoios dados pelas autarquias em vez de serem canalizados para actividades tauromáquicas sejam directamente canalizados para associações sem fins lucrativos de apoio a pessoas e animais.
Admitem um dia colocar fim às actividades Tauromáquicas. Mas pela falta de afluência de público e não por resultado de manifestações daqueles que são contra estas práticas.As manifestações físicas e online são uma das vias para conduzir a essa falta de público. O que elas pretendem é mostrar que há muitos cidadãos incomodados com as práticas tauromáquicas e trazer a público informação e pontos de vista muitas vezes desconhecidos. 
Perspectivas
 Imagem
 Pró-Touradas
Anti-Touradas
Cientistas espanhóis clonam primeiro touro de arena do mundo.Um Touro bravo. Apesar da sua frágil aparência enquanto bezerro não se deixem enganar. Dentro de pouco tempo estará feito um Touro agressivo e lutador.

Esperemos que passe na triagem que separa os bravos dos mansos e ganhe o direito a lutar pela sua vida na arena proporcionando um bom espectáculo aos aficionados.
Um animal que como todos os outros tem direito à vida e ao bem-estar.
Se assim o deixarem viverá pacificamente, como é a sua natureza.
3 anos separam-no daquele que é verdadeiramente o seu inferno na terra: uma tourada.
Touros para a Capeia do Campo Pequeno - 2010É chegada a altura do Touro cumprir o seu destino e ser encaminhado para a arena onde poderá lutar com valentia e mestria pela sua vida.

Será conduzido ao transporte que o levará à arena onde terá meia hora de dignidade e prazer para fazer aquilo que mais gosta enfrentando os seus oponentes de igual para igual com uma bravura, fúria e força únicas.
Com menos de 20% da sua vida cumprida, acabado de terminar a sua juventude, o Touro é retirado do seu habitat com destino à lide.
Em poucas horas é ´raptado´ à força, transportado em espaço diminuto e colocado na arena onde encontrará a morte certa.
Festas de Barrancos 2010 - 2º dia O Touro descansa nos curros, recuperando da viagem que causa algum stress.

É importante que o Touro se acalme para poder combater com total discernimento.

São-lhe dadas todas as condições para que se apresenta na máxima força no momento da tourada.
Após o transporte é colocado nos curros onde aguarda pela hora em que é forçado à luta.
Apesar de menos stressado do que durante a viagem encontra-se num ambiente totalmente diferente daquele que teve em toda a sua vida e é alvo de várias práticas de preparação como por exemplo o embolamento que consiste na serração da ponta dos seus cornos.
Por vezes começam aqui a prática de actos para a sua debilitação para que não se apresente na sua máxima força e se consiga uma lide mais controlada e sem danos para os homens e cavalos.
Faltou público na Homenagem a ZoioO Touro entra na praça e imediatamente demonstra a sua bravura e agressividade percorrendo o recinto e investindo contra os homens de capa que o provocam.

Olha para a platéia como que desafiando toda aquela multidão a enfrentá-lo.
O Touro entra desorientado na praça, ainda confuso pelo facto de há poucas horas estar a viver livre num prado rodeado dos seus.
Encontra-se agora só, em local incerto, foi sujeito a práticas que correspondem a agressões físicas e psicológicas. 
Por instinto procura a fuga e estuda o espaço para verificar se esta é possível.
TOURADA EM MADRID – CORAGEM OU COVARDIA?O picador faz o seu trabalho com mestria de preparação da lide.

O Touro demonstra a sua bravura e força investido de encontro ao Cavalo praticamente sem sentir os golpes infligidos.
Um Cavalo vendado e com tampões nos ouvidos para que não perceba o que está a acontecer e não reaja por instinto. A malha que o envolve protege-o de perfurações contra cornos embulados mas não o protege de lesões causadas pelo impacto que podem ser fatais. Para esta tarefa são escolhidos cavalos considerados menos valiosos, não treinados, pelo que caso ocorra uma morte ou lesão grave não é considerado um grande prejuízo.
O Touro por sua vez reaje às provocações da forma que lhe resta depois de interiorizado que não existe fuga possível.
As feridas causadas garantem que fica pelo menos incapacitado de erguer a cabeça e que terá hemorragias contínuas que o farão perder força e discernimento ao longo da lide.
Portalegre, 9 de Julho - Mouras versus CaetanosSeguem-se as lides a Cavalo. O Touro investe tentando derrubar cavalo e cavaleiro.

Demonstra a sua valentia e bravura não desistindo da perseguição e aceitando os castigos dos arpões das bandarilhas sem virar a cara à luta.
O Touro já debilitado defende-se como pode das agressões causadas pelos cavaleiros. Um olhar atento conseguirá verificar que o Touro apenas investe quando o cavaleiro o ataca, investindo o Cavalo contra si para cravar as bandarilhas.
É até comum que após cravar a bandarilha o cavaleiro se dê ao luxo de colocar o seu cavalo a efectuar manobras artísticas como trotes elegantes ou rodopios.
Se o Touro fosse verdadeiramente agressivo e não estivesse numa postura de defesa não iniciaria uma perseguição contínua ao cavalo até conseguir o choque ou que um dos dois se fatigasse?
Não haveria espaço e tempo para movimentos artísticos se estivesse uma fera agressiva na praça.
TOURADA EM MADRID – CORAGEM OU COVARDIA?O toureio a pé é um desafio cara-a-cara em que a inteligência e coragem do homem tenta exercer o seu domínio sobre a natureza do Touro.

Valroiza-se a mestria do homem que consegue ler o Touro e levá-lo a investir e movimentar-se como se estivessem sincronizados numa coreografia previamente ensaiada.
O Touro neste momento já está desgastado pelas lides a cavalo e pela grande quantidade de sangue que perdeu durante as partes anteriores da Tourada.
Inclusive estará limitado fisicamente em termos de locomoção tendo os ligamentos, que lhe permitiam manobrar a cabeça sem limitações, dilacerados logo na fase do picadeiro.
O Toureiro beneficia de anos de aprendizagem com bezerros, vacas, Touros mansos, e da experiência acumulada de lidar com Touros em touradas.
O Touro por sua vez está pela primeira vez naquela situação, sujeito aquele tipo de ataques, não tendo qualquer preparação para lidar com ela.
Morais (Bragança) Forcados de Arronches vencem prémio para a 
melhor pega Os forcados. Únicos no mundo da Tauromaquia em todo o mundo.

Um grupo de amadores que enfrenta o Touro numa demonstração de um misto de força, coragem e saber.

São a verdadeira extensão do povo que nas bancadas sente nas entranhas o impacto do Touro no corpo durante a pega de caras.
Talvez a parte mais justa da tourada em que não é infligida dôr física adicional ao Touro.
Pena que só ocorra na parte final em que o Touro já está repleto de lesões externas e internas e completamente fatigado.
Apesar de ainda reprovável do ponto de vista ético, já que continua a usar-se um animal para um espectáculo, talvez se devesse considerar a actuação de forcados em Touros que não tenham sido alvo dos picadores, cavaleiros, e toureio a pé.
Seria a verdadeira demonstração de coragem e força.
Touro salta 
para bancada e fere 40 pessoas em EspanhaUm Touro demonstra a sua bravura, ferocidade e agressividade saltando as barreiras protectoras e investindo aleatoriamente por entre a plateia.Os chamados Touros voadores mais não são animais que atingem um nível de stress tão elevado que se transcendem e conseguem o seu objectivo principal, normalmente impossível, a fuga.
O Touro salta a bancada para fugir do que se passa na arena e não para investir na platéia. A sua fisionomia não está preparada para o subir e descer de escadas pelo que a sua locomoção trapalhona fere mais pessoas por atropelamento e quedas do que por cornadas.
Touradas O Touro sempre morre e é conduzido para matadouros onde será convertido em produtos alimentares.

Teve a sua oportunidade para indulto e despediu-se em exaltação e glória.

Esta vida é preferível à de uma vida numa unidade de exploração intensiva para fins alimentares.
Antes da sua morte o Touro é submetido a actos atrozes para gáudio e divertimento de humanos que não se dão ao trabalho de conhecer e compreender esta espécie animal.
O facto de o destino certo ser a morte não justifica que o processo para lhe chegar seja um suplício infernal.
CortesiasOs artistas tauromáquicos. Gente respeitada e respeitadora.

Arriscam a vida num espectáculo de enorme beleza para gáudio dos aficionados.

Merecedores de admiração pela sua coragem e mestria na arte de lidar com Touros.

Profundos conhecedores e defensores dos Touros e da Festa Brava.
Os agentes da indústria Tauromáquica exploram comerciamente um espectáculo que assenta no sofrimento de animais.
Vivem numa realidade completamente desajustada relativamente aos dias de hoje.
Beneficiam de um estranho status e são protegidos por lobbies que apesar da grande influência representam uma pequena parte dos Portugueses.
Como amantes dos Touros deveriam dá-lo a conhecer ao público tal como ele é e não deturpar a imagem pública de uma espécie para que seja aceitável explorá-la na Tauromaquia.
Deveriam reconhecer os estudos científicos que demonstram que o Touro é um animal senciente que sente dor física e tem estados emocionais e comportamentais que podem levar ao sofrimento psíquico.
Campo Pequeno reabre a 7 de MaioOs aficionados.

É por eles que existe a Festa Brava.

Os verdadeiros amantes de um espectáculo único e cultural.

Boa gente ciente do valor da tourada para a cultura Portuguesa e para a defesa do Touro e do Cavalo Lusitano.
Muitos dos aficionados desconhecem completamente o que é e como vive um Touro. Acreditam piamente que o Touro não sente dor nem desespero e sente-se confortável ao ser toureado. 
Os que não têm falta de informação poderão no mínimo ser chamados de sádicos pois retiram prazer de actos de tortura e mutilação sobre um animal.
Portugueses manifestam-se em Lisboa contra as touradasCambada de gente pseudo-intelectual que quer acabar com uma tradição secular.

Terroristas que não têm noção da dimensão dos seus actos que atropelam direitos de liberdade de expressão, colocam em perigo o sustento económico de numerosas famílias e podem levar o Touro à extinção.

Podem fazer barulho onde e quando quiserem pois os apoiantes da Festa Brava são muitos mais, têm a razão do seu lado e darão a cara sempre que fôr preciso.
Os activistas da luta contra as touradas são pessoas como as outras que simplesmente dão mais valor a certos valores éticos e morais relacionados com os direitos e o bem-estar dos animais.
A tourada é considerada um divertimento, um espectáculo, e assenta no infligir de sofrimento físico e psíquico a uma espécie animal.  
Estamos no século XXI e não na época medieval. Sabemos hoje em detalhe que o Touro sofre durante a tourada.É visível que a Tourada assenta em actos violentos para com um animal, tolerar a tourada é tolerar a violência e o  derramar de sangue por entretenimento. O Touro não teve escolha. Está ali obrigado.