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quinta-feira, 11 de março de 2010

Festival Taurino a favor da Associação dos Amigos dos Animais gera polémica


Uma tourada nunca pode ser "a favor" dos animais
Apesar da presidente da Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira, Telma Ferreira, já ter declarado que faz questão de recusar quaisquer verbas provenientes de eventos tauromáquicos, já que tal atitude seria "contrária aos princípios das associações de apoio aos animais" (leia a notícia n'O Mirante), continua a ser anunciado em Vila Franca de Xira um festival taurino "a favor do canil/gatil dos amigos dos animais". O evento estava marcado para o passado dia 28 de Fevereiro, tendo sido cancelado devido à chuva e adiado para 20 de Março. 

Partido pelos Animais e pela Natureza sublinha, uma vez mais, a sua veemente oposição a que uma associação dita de defesa dos animais beneficie do sofrimento destes, apenas por serem de espécies diferentes daqueles a que habitualmente se dedica.

Solicitamos aos promotores da tourada o bom senso e a honestidade de respeitar a posição da presidente da associação e de se abster de anunciar nos seus cartazes um apoio pecuniário insensato e indesejado a uma entidade cujos princípios colidem frontalmente com a actividade por si promovida.

 A empresa "Tauroleve" divulgou hoje o novo cartaz do (também novo) festival que realizará no próximo dia 20 (sábado, às 21h30) na "Palha Blanco", em Vila Franca de Xira, depois de ter ficado anulado, pelo mau tempo, aquele que esteve previsto para o passado dia 28 de Fevereiro.
Este espectáculo, a favor do Canil/Gatil dos Amigos dos Animais, sofreu algumas alterações no cartel, agora definitivamente composto pelos cavaleiros Vitor Ribeiro, Manuel Telles Bastos, Manuel Caetano e Tomás Pinto, pelo matador Luis "Procuna" e pelo novilheiro Nuno Casquinha, bem como pelo Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, na estreia do seu novo cabo Ricardo Castelo.

"Os sócios deviam destituir a direcção"
No domingo realiza-se um Festival Tauromáquico a favor da Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira (AAAVFX). Como é que a Associação Animal vê esta angariação de fundos?
É moralmente indecente aceitar dinheiro da tortura de uns animais para beneficiar outros. Não importa a designação da instituição, se é um talho ou uma associação de defesa dos animais, mas os seus actos. Não se pode aceitar esse dinheiro.
Mas AAAVFX voltou atrás e já não vai aceitar este donativo. E até explicou que só o tinha aceitado para poder construir o novo canil...
As associações são muito bem--intencionadas, mas não são bem geridas. A intenção não chega e falta bom senso.
A direcção da AAAVFX deve então assumir a responsabilidade?
O caso é tão grave que os sócios deviam destituir a direcção. Isto nunca pode acontecer e põe em causa a nossa luta em defesa dos animais. Espero que esta direcção seja substituída por alguém que saiba o que está a fazer. Este caso põe os tauromáquicos do nosso lado, quando eles só defendem alguns animais e torturam outros. Isso dificulta a nossa luta.
As dificuldades económicas justificam a atitude da direcção da AAAVFX?
A Associação Animal compreende o que é viver com dificuldades económicas mas a moral não se compra.

Festival Taurino a favor da Associação dos Amigos dos Animais
2010-01-21  
A Tauroleve e a Associação da Casa dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, vão organizar em conjunto um Festival Taurino para angariação de receitas, no próximo dia 28 de Fevereiro (Domingo), na Praça de Toiros Palha Blanco em Vila Franca de Xira.
Metade do valor das receitas revertem a favor da Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira, instituição de utilidade pública desde 1995.
Em comunicado os organizadores afirmam: 
"ao levarmos a efeito este Festival Taurino que beneficia uma Entidade de Defesa dos Animais estamos a dar um importante apoio na construção de um local de abrigo para os muitos animais que a Associação dos Amigos dos Animais tem à sua guarda. Com este evento iremos todos contribuir para que o projecto de construção já existente mas há demasiados anos esquecido por incapacidade financeira de um Canil se torne realidade e assim se consiga criar extraordinárias condições de vivência para centenas de animais diariamente abandonados."
A restante percentagem de lucro reverterá na totalidade a favor da Casa dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, para apoio aos seus projectos.
Em breve será anunciado o cartaz oficial do Festival, sendo certa a participação do Maestro Victor Mendes e do novilheiro Nuno Casquinha.


24-01-2010
A Tauroleve e a Associação da Casa dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, estão a organizar um Festival Taurino no dia 28 de Fevereiro, na Praça de Vila Franca de Xira, para angariação de receitas a favor da Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira.
Refere a organização do espectáculo que 50% do lucro reverterá para a Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira, de forma a apoiar na construção de um local de abrigo para os animais que a associação tem à sua guarda.

Contactos:
- Tauroleve - Sociedade Tauromáquica Letra da Neta, Lda: tauroleve@gmail.com
info@forcadosdevilafranca.com e cabo@forcadosdevilafranca.com



A Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira declara que
RECUSA e recusará sempre, qualquer contrapartida financeira de qualquer
iniciativa relacionada com actividades tauromáquicas, nomeadamente do
Festival Taurino a realizar no próximo dia 28 de Fevereiro, em Vila
Franca de Xira.
A Presidente da Direcção,
Maria Telma Ferreira
25 de Janeiro de 2010

Declaração Pública da Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira
A Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira (AAAVFX) recusou quaisquer donativos por parte do Festival Taurino, agendado para o próximo dia 28 de Fevereiro em Vila Franca de Xira.Os defensores dos animais de todo o mundo congratulam a AAAVFX pela decisão e encorajam todos a ajudar esta associação, para que possa ajudar mais animais.http://aaa.leziria.com/NIB: 003600489910008053995aamigosanimaisvfx@gmail.com26 de Janeiro de 2010

Chovem críticas a tourada a favor de animais abandonados
Metade da receita será entregue à Associação dos Amigos dos Animais.
No próximo dia 28, realiza-se em Vila Franca de Xira um Festival Taurino, cujas receitas revertem, em parte, para a Associação dos Amigos dos Animais do concelho. A organização não vê "nada de estranho" nesta decisão, mas as críticas não se fizeram esperar.
A organização do Festival Taurino está a cargo da Associação da Casa dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira e conta com o apoio da Tauroleve, empresa concessionária da Praça de Toiros Palha Blanco, que cede gratuitamente o espaço para o evento.
Metade das verbas angariadas reverterá a favor da entidade organizadora (que almeja abrir um espaço museológico) e a outra metade será entregue à Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira, instituição de utilidade pública desde 1995, que se debate com grandes problemas financeiros e de falta de condições de acolhimento para centenas de animais abandonados.
Este terá sido um dos motivos que deu origem ao festival, de acordo com Vasco Dotti, cabo dos forcados amadores de Vila Franca de Xira. "Sei das dificuldades com que a associação se debate todos os anos e que ainda não conseguiu construir um canil de raiz, devido à falta de verbas. Por isso, apresentámos esta ideia aos responsáveis da associação, que a aceitaram", explicou, ao JN.
Associação já não quer verbas
Na sequência, as três entidades assinaram um protocolo e os preparativos arrancaram, estando já confirmada a presença do maestro Victor Mendes e do novilheiro Nuno Casquinha. Só que a Associação dos Amigos dos Animais voltou atrás com a palavra.
Ao JN, Maria Telma Ferreira, presidente da Direcção, referiu que a associação foi bastante criticada por entidades congéneres e particulares e, por isso, decidiram não aceitar o dinheiro. Em comunicado divulgado na última semana, a mesma responsável afirma que associação "recusa e recusará, sempre qualquer contrapartida financeira de qualquer iniciativa relacionada com actividades tauromáquicas, nomeadamente este Festival Taurino. Mas Vasco Dotti garante que o festival vai realizar-se tal como sempre esteve planeado, até porque há um protocolo assinado e o material publicitário está já na gráfica. A divulgação do evento foi já feita na imprensa e nos sites ligados à tauromaquia, tanto em Portugal como em Espanha.
"Não entendo o porquê das críticas. As pessoas ligadas à tauromaquia também se preocupam com os animais. E há muitos defensores dos animais que são aficionados", frisa Vasco Dotti.
Opinião diferente tem, por exemplo, a Associação Animal. "A ser verdade que essa instituição vai beneficiar de um festival que tortura animais, consideramos que tal é moralmente condenável", diz Rita Silva, a presidente. "Sabemos as dificuldades pelas quais passam as associações, mas isso seria o mesmo que uma associação de protecção de crianças receber dinheiro de uma associação de pedófilos"


Festival Taurino a favor da Associação dos Amigos dos Animais gera polémica
4/2/2010
Tauroleve e a Associação da Casa dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira uniram-se numa iniciativa conjunta de angariação de fundos para a Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira construir um canil.

A associação aceitou, mas veio agora recusar os fundos por pressão de várias entidades de defesa dos direitos dos animais(...)

A Associação Animal considerou porém que a aceitação da verba seria “moralmente condenável”. Segundo a presidente Rita Silva, apesar das dificuldades pelas quais passam as associações, “isso seria o mesmo que uma associação de protecção de crianças receber dinheiro de uma associação de pedófilos”....


Receita para construir um novo canil foi recusada 
Festival Taurino a favor da Associação dos Amigos dos Animais gera polémica 
Edição de 04-02-2010
Tauroleve e a Associação da Casa dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira uniram-se numa iniciativa conjunta de angariação de fundos para a   Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira construir um canil. A associação aceitou, mas veio agora recusar os fundos por pressão de várias entidades de defesa dos direitos dos animais.


A Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira vai recusar o donativo proveniente do Festival Taurino - agendado para o próximo dia 28 de Fevereiro, na Praça de Touros Palha Blanco, em Vila Franca de Xira - ao contrário do que tinha decidido inicialmente.
A polémica instalou-se depois da associação ter aceite receber o donativo da iniciativa conjunta da Tauroleve e Associação da Casa dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, que tinha como objectivo doar 50 por cento dos lucros para a Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira, que iria utilizar essa verba para construir o tão ansiado canil para os muitos animais abandonados no concelho de Vila Franca de Xira.

Os fundos provenientes de um festival taurino geraram de imediato a revolta de várias associações nacionais (e até mesmo internacionais) de defesa dos direitos dos animais, que pressionaram a associação a recusar a verba e agendaram uma reunião de urgência, no dia 27 de Janeiro. A reunião foi agendada a pedido do Partido pelos Animais (Lisboa), na Junta de Freguesia, mas a entidade não compareceu à reunião agendada, nem nenhuma das associações nacionais de protecção aos animais que se insurgiu contra a iniciativa.

A presidente da Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira emitiu de imediato um comunicado, através do site na Internet, esclarecendo que a direcção “recusa e recusará, sempre qualquer contrapartida financeira de qualquer iniciativa relacionada com actividades tauromáquicas, nomeadamente este Festival Taurino”. Telma Ferreira explicou a O MIRANTE que tudo não passou de “um acto irreflectido, feito com a melhor das intenções. A direcção da associação viu neste donativo a solução para uma questão que se arrasta há muitos anos e inocentemente pensámos que esta verba poderia resolver o problema porque o prazo para construção do canil estava ultrapassado, sem pensar na proveniência”, explica.

A câmara municipal cedeu um terreno com 2500 metros quadrados para construção do canil a 23 de Junho de 2004, em Castanheira do Ribatejo, tendo a associação o prazo de cinco anos para construir o abrigo para os animais. “Compreendo que foi uma atitude precipitada, mas pensámos que íamos ficar sem o terreno e nem reflectimos sobre as consequências de aceitar este donativo. Era algo que para nós não tinha nada a ver com os toiros de morte. Era apenas uma festa de beneficência, mas entendo agora o erro que cometemos e obviamente não podemos aceitar essa receita, que é contrária aos princípios das associações de apoio aos animais”, sublinha a presidente.

A Associação Animal considerou porém que a aceitação da verba seria “moralmente condenável”. Segundo a presidente Rita Silva, apesar das dificuldades pelas quais passam as associações, “isso seria o mesmo que uma associação de protecção de crianças receber dinheiro de uma associação de pedófilos”.
Apesar de aceitar as acusações, Telma Ferreira critica a atitude das entidades que apontaram o dedo à atitude da associação “mas não apareceram na reunião para ajudar a criar alternativas para a construção do canil”.

Ana Câncio, da escola de toureio José Falcão, lamenta a decisão e lastima “as campanhas terroristas de intimidação e as pressões” de que foi alvo da Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira. “Há cães e gatos abandonados a proliferar pelas ruas de Vila Franca de Xira e tenho pena que a associação não tenha conseguido superar esta prova de força, mas acho que já seria de esperar”, explica. “Em relação ao festival taurino faz parte da nossa tradição e penso que o problema é só porque a vida do touro acaba na arena. Porque muitos outros animais, como vacas leiteiras, sofrem durante toda a vida uma crueldade constante e diária e nós não vemos este mediatismo”, realça com convicção.

Vasco Dotti, dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, garante que o espectáculo não vai ser cancelado e adianta que já estão confirmadas as presenças do Maestro Victor Mendes e do novilheiro Nuno Casquinha. “O que tentámos fazer foi uma festa de beneficência para resolver os problemas da associação”, justifica. O forcado adianta ainda que a intenção era “lançar a primeira pedra do projecto do canil, o qual teve grande adesão por parte dos ganaderos”.
Com a recusa da verba do Festival Taurino, mantém-se o problema de falta de financiamento para a construção do canil, cujo prazo já foi ultrapassado. “Este é um problema grave e neste momento precisamos muito que surja outro benemérito que nos ajude a tornar este sonho em realidade”, sublinha a presidente da Associação dos Amigos dos Animais.

Entretanto a Câmara de Vila Franca de Xira já fez saber que mantém a total disponibilidade para perpetuar a cedência do terreno, para o fim ao qual foi destinado. 
O MIRANTE tentou contactar o Partido Pelos Animais, mas não obteve qualquer resposta até ao fecho desta edição.


Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira reitera que não aceita verbas da iniciativa 
Receitas do Festival Taurino ficam à guarda da Junta de Freguesia 
As receitas do Festival Taurino, que inicialmente ia realizar-se para   ajudar a Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira a construir um canil, vão ser entregues à junta de freguesia da cidade. A presidente da direcção continua a recusar receber dinheiro de espectáculos tauromáquicos.


Metade das receitas provenientes do Festival Taurino que está a ser organizado pela Casa dos Forcados de Vila Franca de Xira e a Tauroleve a decorrer no próximo domingo, 28 de Fevereiro, vão ficar à guarda da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira para serem entregues à Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira (AAAVFX), de acordo com o protocolo assinado entre as partes.
A iniciativa tinha por objectivo doar esses fundos à associação para construção de um canil, mas depois da polémica gerada por várias associações de protecção de animais em todo o mundo, como O MIRANTE nocitiou, a instituição voltou atrás na decisão e recusou receber o donativo proveniente de uma corrida de touros. Posição que continua a manter.
Apesar de ainda constar no cartaz que o evento se realiza a favor da AAAVFX, a presidente Telma Ferreira, garante que a entidade “não vai receber nem um cêntimo proveniente desta iniciativa” e que já comunicou a decisão à comunicação social, às entidades organizadoras do Festival Taurino e à presidente da Câmara de Vila Franca de Xira.
Conforme já havia adiantado, a responsável da associação explica que a “decisão de recusa assenta essencialmente numa posição reflectida sobre a imoralidade da aceitação de verbas provenientes de actividades que envolvam o sofrimento e a indignidade animal”. Telma Ferreira acrescenta ainda que esta recusa “se estende a quaisquer dividendos de quaisquer iniciativas relacionadas com actividades tauromáquicas”.
Esta tomada de posição levou os organizadores do espectáculo a decidir entregar a quantia destinada à AAAVFX à Junta de Freguesia, “que ficará com o dever de libertar esse mesmo montante no apoio à construção do sonhado canil”, lê-se na nota de imprensa. Vasco Dotti, dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, explica que metade da “verba apurada irá ser aplicada conforme ficou estipulado no protocolo através da intervenção da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, instituição de grande credibilidade e que aceitou pertencer ao conjunto de entidades organizadoras deste espectáculo”.
Também o presidente da Junta de Freguesia esclarece que o protocolo ainda não foi anulado pela associação e por isso está disposto a honrar o compromisso. “Há mais parceiros envolvidos e enquanto o protocolo não for anulado, vamos manter o que foi escrito”.
A organização do evento informa ainda que as “ameaças e ofensas que direcção da Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira, a Casa dos Forcados de Vila Franca de Xira e a Tauroleve através dos seus representantes sofreram implicaram uma cada vez maior vontade de sucesso e de afirmação perante elementos integrantes de grupos amigos dos animais que até ao dia de hoje não se dignificaram a ofertar à AAAVFX qualquer verba mínima que seja, preocupando-se unicamente com as suas ideologias mas nada com os animais que necessitam de acolhimento e de condições de sobrevivência”.
O Festival Taurino realiza-se no próximo dia 28 de Fevereiro pelas 16h00, na Praça de Touros Palha Blanco e conta com a presença dos cavaleiros Vítor Ribeiro, Ribeiro Telles, Manuel Caetano e Francisco Palha, do espada Vítor Mendes, o novilheiro Nuno Casquinha e dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira.


QUINTA-FEIRA, 04 DE FEVEREIRO DE 2010
FESTIVAL TAURINO A FAVOR DA LIGA DOS AMIGOS DOS ANIMAIS DE VILA FRANCA
Nota de Imprensa da Tauroleve sobre o festival: “No próximo dia 28 de Fevereiro após os festejos de Carnaval, a Praça de Toiros Palha Blanco reabrirá as suas portas para a realização de um marcante Festival Taurino de Beneficência a favor da Liga dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira. Este espectáculo será marcante porque possibilitará a obtenção de receitas desejadas para a tão necessária construção de um Canil que albergará os animais necessitados e desprotegidos não só pela cidade mas também pelo concelho vilafranquense. Não ficando indiferente às pressões nunca imagináveis por nós sentidas nos últimos dias, que a única coisa que criou foi mais vontade de sucesso para este projecto, temos firme que a vontade e força de todos os aficionados e público em geral será determinante e extremamente necessária para mostrar aos olhos do mundo que somos HOMENS e MULHERES de crenças, vontades, desejos e sentimentos que nunca nos deixaremos derrubar por gente pouco educada e absorvida por comportamentos mesquinhos que só se interessam por polémicas mas pouco pelos animais necessitados. Mesmo tendo a Liga dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira após ameaças sentidas pela sua direcção através de comportamentos inaceitáveis numa sociedade dita democrática afirmado publicamente que se desligava deste projecto mesmo existindo um protocolo de cooperação assinado, cabe-nos informar que talvez por sermos AFICIONADOS e HOMENS de verdade honraremos os nossos compromissos com os verdadeiros necessitados: os cães e gatos abandonados. Vamos encher a Palha Blanco e publicamente descriminar as contas deste Festival e mostrar a obra que sonhamos. VIVA A TAUROMAQUIA. VIVA PORTUGAL CASA DOS FORCADOS AMADORES DE VILA FRANCA DE XIRA EMPRESA TAUROLEVE Vila Franca de Xira, Dia 3 de Fevereiro de 2010”

VILA FRANCA DE XIRA 25-02-10
Tourada para ajudar animais está a gerar polémica
Grupo de forcados propôs à Associação dos Amigos dos Animais a realização de uma tourada para angariar fundos, mas pressões levaram a instituição a recusar
A tourada para angariar fundos para a construção de um canil da Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira (AAAVFX) que causou polémica realiza-se no domingo. Mas parece não haver consenso quanto ao destino das verbas. É que enquanto a AAAVFX se nega a receber o dinheiro, a Associação da Casa dos Forcados Amadores da cidade garante que as verbas serão mesmo usadas na construção do canil.
O desentendimento teve início quando o espectáculo começou a ser divulgado e várias associações nacionais e internacionais de defesa dos animais pressionaram a AAAVFX para esta recusar a ajuda, o que acabou por acontecer. A organização do festival tauromáquico quer doar 50% dos lucros para a construção do canil, ou seja, espera entregar 30 mil euros.
A direcção da AAAVFX, que começou por aceitar a doação, decidiu há cerca de um mês recusar o dinheiro angariado pela tourada. "Agradecemos mas não vamos querer um tostão", garante a presidente da associação, Telma Ferreira. A dirigente confirma que receberam muitos telefonemas a pressionar para que a associação re- cusasse o dinheiro do festival e a oferecer ajuda.
Apesar de a associação recusar o dinheiro, as entidades organizadoras do evento garantem que vão contribuir na mesma para a construção do canil, que já está pendente há cinco anos. "A partir do momento em que assinámos o protocolo vamos fazer o espectáculo e o primeiro objectivo é a construção do canil", defende Ricardo Levezinho, responsável da empresa que gere a praça de touros de Vila Franca de Xira.
No entanto, pode já ter sido encontrada uma solução para fazer chegar o dinheiro ao seu objectivo. Vasco Dotti, dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, explica que foi proposto à Junta de Freguesia que aceitasse a verba e criasse uma conta específica para construir o canil. Depois caberá à junta "gerir a situação de forma a que o canil seja construído", acrescenta o forcado.
Em cima da mesa parece estar também a hipótese de a asso- ciação aceitar os donativos de-pois da tourada de forma não oficial, refere Vasco Dotti. O elemento dos forcados que sugeriu este evento para ajudar a associação dos amigos dos animais adianta, contudo, que, se o organismo aceitar o dinheiro, irá tornar essa informação pública. Isto porque, "não quero que fiquem dúvidas quanto às verbas", indica.
A directora da AAAVFX confessa que num primeiro momento não pensou nas consequências e que apenas queria encontrar uma solução para os animais abandonados que já não têm lugar no canil da instituição. Mas associações de defesa dos animais já afirmaram que consideram imoral que a AAAVFX aceite dinheiro de um espectáculo como a tourada.
No entanto, o grupo de forcados e a empresa que gere a Praça de Touros Palha Blanco rejeitam as acusações de que não são amigos dos animais. "Que fique claro que nós gostamos de animais", sublinha Vasco Dotti. O forcado diz que até percebe as opiniões contra a tourada, mas deixa claro que não considera que tourear um touro seja "magoar um animal".
FonteDN Portugal



Um festival taurino marcado para as 16h00 na Praça Palha Blanco, em Vila Franca de Xira, tem a originalidade de prever que metade das receitas sejam entregues a uma associação de defesa de animais da cidade que está a enfrentar dificuldades. No entanto, parece difícil que o dinheiro conseguido através de um espectáculo, tradicionalmente condenado pelos activistas dos direitos dos animais, chegue ao destino, pois a associação já veio anunciar que não o pode aceitar. A maioria dos membros recusa associar-se à tourada.

Os organizadores do festival taurino de hoje à tarde prevêem entregar cerca de 30 mil euros. Os bilhetes custam entre 15 euros (geral) e 25 euros (barreira e camarotes) e a Praça Palha Blanco tem uma lotação próxima de quatro mil lugares, pelo que a enchente renderia para cima de 60 mil euros.
Estão confirmadas as presenças dos cavaleiros Vítor Ribeiro, Telles Bastos, Manuel Caetano, Francisco Palha e do amador Tomás Pinto, bem como dos matadores Vítor Mendes e Nuno Casquinha e dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira. Já os animais que podem gerar receitas capazes de garantir a construção de um canil em Vila Franca de Xira são oferecidos pela Associação Portuguesa de Criadores de Touros.
Apesar de a iniciativa ser polémica, não estão previstas manifestações frente à praça de touros de Vila Franca de Xira.
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Correio da Manhã - ‎25 de Fev de 2010‎
Realiza-se no domingo, às 16h00, na Praça Palha Blanco, em Vila Franca de Xira, um festival taurino cuja receita se destina à Associação dos Amigos dos ...
Diário de Notícias - Lisboa - ‎24 de Fev de 2010‎
A tourada para angariar fundos para a construção de um canil da Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira (AAAVFX) que causou polémica ..
Diário de Notícias - Lisboa - ‎24 de Fev de 2010‎
No festival tauromáquico que vai acontecer no domingo em Vila Franca de Xira vão estar presentes nomes como os dos cavaleiros Victor Ribeiro, Ribeiro Telles ...
O Mirante - ‎25 de Fev de 2010‎

Festival Taurino a favor da Associação dos Amigos dos Animais gera polémica. Tauroleve e a Associação da Casa dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira ...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

“Não nos manifestamos no Ribatejo porque queremos continuar vivos”

fotoAssociação Animal protesta em Lisboa contra touradas e enfrenta aficionados

A Associação Animal tem-se manifestado em frente ao Campo Pequeno em Lisboa contra a festa brava mas evita fazê-lo no Ribatejo com medo da reacção dos aficionados. Associações organizaram segundo convívio do aficionado e O MIRANTE ouviu ribatejanos que marcaram presença na praça lisboeta.

Desde que a praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, reabriu portas há três anos, activistas da associação ANIMAL têm-se manifestado em frente à praça contra as touradas, mas evitam fazê-lo no Ribatejo. “Porque queremos conservar-nos vivos e inteiros para continuarmos a defender os direitos dos animais”, explica a vice-presidente da associação, Rita Silva. Uma justificação dada a O MIRANTE durante o protesto, feito pela associação em frente ao Campo Pequeno, na quinta-feira, 14 de Maio, pouco tempo antes de ter início mais uma corrida de toiros na praça da capital.

A responsável lembra que a associação não tem capacidade logística para ir a todo o lado. Que já foram feitas manifestações em terras com fortes raízes tauromáquicas, mas as coisas não correram bem. “Tivemos muitas más experiências sempre que tentávamos fazê-lo porque havia uma falta de pacifismo da parte dos aficionados muito assustadora”, garante a vice-presidente.

Rita Silva admite que é mais seguro e uma questão de bom senso ficar por Lisboa do que rumar a terras de abrangência de O MIRANTE, onde vão decorrer em breve várias corridas e iniciativas ligadas à festa brava, como a Feira da Ascensão na Chamusca, Feira de Maio na Azambuja, as corridas de Junho em Santarém ou o Colete Encarnado em Vila Franca de Xira.

Não há necessidade de nos expormos ou provocar uma reacção que, à partida, sabemos será muito mais violenta em terras ditas tauromáquicas, do que na capital do país”, confessa. Quanto à organização de um possível protesto anti-taurino em terras ribatejanas, a vice-presidente da Associação ANIMAL joga à defesa e prefere não revelar “a estratégia de trabalho que está bem delineada”.

Com 28 anos e a trabalhar a tempo inteiro na associação há cinco, Rita Silva liderou a manifestação que juntou cerca de meia centena de activistas defensores dos direitos dos animais que se concentraram do lado direito da entrada principal do Campo Pequeno, para protestarem contra as corridas de touros.

Os jovens, quase todos com idades compreendidas entre os vinte e os trinta anos, vestiam t-shirt preta onde estava escrito: “Sou Português, Sou Civilizado”. Empunhando cartazes e com megafone gritavam palavras de ordem como “cobardes”, “vergonha” ou “assassinos” e pediam que as touradas fossem proibidas.

Do outro lado da barricada, a poucos metros de distância, decorria ao mesmo tempo o segundo encontro de aficionados, alguns identificados com uma t-shirt branca, onde se podia ler “Sou Português Sou Aficionado” e que podia ser comprada por dois euros. Organizado por várias associações ligadas à festa brava, o encontro serviu para reunir amantes da tauromaquia. “No Ribatejo, quando há corrida de touros as pessoas juntam-se um pouco antes para fazerem uma tertúlia. No encontro do aficionado queremos que vivam a tourada antes e durante o espectáculo”, salienta José Potier, presidente da Associação Nacional de Grupos de Forcados e um dos organizadores da iniciativa.

À medida que se aproximava a hora da corrida e começava a chegar mais público, intensificavam-se e aumentavam de tom as palavras de repúdio e desagrado por parte da meia centena dos manifestantes anti-touradas.

A noite ia arrefecendo e enquanto de um lado se protestava, do outro assistia-se a danças de Sevilhanas. Dezenas de pessoas paravam e admiravam o desempenho das seis dançarinas. O espectáculo começou pelas 20h30, durou cerca de 45 minutos e foi durante esse período em que houve maior concentração de aficionados no local.

A noite acabou fria, os protestos continuaram até às 22h15, hora marcada para o início da corrida e nós acabamos com os bolsos cheios de panfletos a anunciar futuras corridas de touros, todas no Ribatejo. A polícia esteve sempre por perto e não houve incidentes a registar. Ambas as partes garantiram que marcarão presença em frente ao Campo Pequeno sempre que houver uma corrida de touros na praça lisboeta.

Activistas anti-tourada “são uns ditadorzinhos”

Muitos ribatejanos marcaram presença na segunda corrida da temporada realizada no Campo Pequeno. João Ramalho, 74 anos, ganadero e ex-forcado do grupo de Santarém é um espectador assíduo das corridas na praça da capital portuguesa, que considera ser a mais importante do nosso país. Quanto aos manifestantes é bastante crítico. “São uns chatos que querem ser uns ditadorzinhos. Num país em que há liberdade, que se vota tudo por maiorias absolutas, haver minoritários que se querem impor, antigamente chamavam-se ditadores. São pessoas à espera de chamar a atenção”, diz o ganadeiro de Salvaterra de Magos.

Questionado sobre a possibilidade de se fazer uma manifestação anti-tourada no Ribatejo, João Ramalho não tem dúvidas: “Acontecia o mesmo que aqui. Está toda a gente a ir para os toiros, estão para ali a fazer barulho e ninguém lhes liga”.

Domingos Xavier, 59 anos, lidou com touros e cavalos toda uma vida. Natural de Coruche, o médico veterinário é frequentador das corridas da praça lisboeta. “Se fossemos só aficionados nas corridas éramos capazes de ser mais nefastos à festa do que aqueles fulanos que estão ali ao lado a gritar”, garante Domingos Xavier, aludindo ao facto de haver público em geral nas bancadas e não só aficionados.

Respeita a posição de quem não concorda com as touradas mas não tem dúvidas: “Desgraçadamente são ignorantes. Custa-me a sua desonestidade intrínseca pois têm mentido ao longo dos anos sobre o que fazemos aos animais. São mal-educados e já vi na mão desta gente um cartaz a dizer, “queres brincar com cornos brinca com o teu pai”, revela o veterinário.

Luís Junça viajou de Santarém. O jovem de 28 anos costuma vir à praça lisboeta quando o cartel lhe agrada. Diz que a tourada é uma tradição. “Os protestos não fazem sentido nem têm qualquer fundamento. Só temos de os ignorar. Quem não gosta, respeita como nós respeitamos”, revela o aficionado.

Luís Junça diz que a praça lisboeta é a mais marcante, mas Santarém está no bom caminho. “O presidente Moita Flores tem feito um bom trabalho pondo o preço dos bilhetes mais acessíveis. A praça de toiros está sempre cheia”, afirma o jovem.

Edição de 2009-05-21

segunda-feira, 30 de junho de 2003

Reportagem da SIC "Vermelho e Negro"

A exigência ética do fim das touradas

A SIC exibiu, durante esta semana que passou, em cada emissão do "Jornal da Noite", com repetição integral no "Jornal das 10" da SIC Notícias de ontem, a excelente reportagem "Vermelho e Negro", a respeito das touradas em Portugal.

Neste trabalho de grande qualidade, da autoria da jornalista Cristina Boavida, foi possível conhecer melhor o mundo das corridas de touros em Portugal, nomeadamente permitindo reforçar ainda mais a ideia de que este é um meio de violência e crueldade em que as vítimas são os touros (e também os cavalos), perseguidos, molestados, feridos e sacrificados que são, em nome daquilo que é na verdade um negócio, mais do que uma tradição. E, como é óbvio, mesmo que a única razão fosse a tradição, nada se seguiria daí que pudesse justificar uma tal barbaridade.

O requinte do sadismo que caracteriza os cavaleiros tauromáquicos foi revelado por aquele que é considerado o maior de todos eles: João Moura. Como se pode ver nesta reportagem, a forma que este toureiro (responsável pela morte de milhares de touros na sua carreira de barbérie) encontrou de compensar o cavalo que, segundo o mesmo, mais o ajudou e do qual mais gostou, foi usar as suas patas para fazer uma mesa de centro para a sua sala de estar, assim como expor a sua crina e outras partes anatómicas deste animal, nomeadamente a cabeça, presa numa parede juntamente com a cabeça de alguns dos muitos touros que João Moura massacrou durante a sua actividade taurina.

Pode, de resto, ver-se João Moura e João Moura Júnior (filho do primeiro) a treinarem com bezerras de muito pouca idade, espetando os seus frágeis e ainda pouco desenvolvidos corpos com as habituais farpas que usam como seus privilegiados instrumentos de tortura. Pudemos ver as bezerras visivelmente incomodadas com a dor causada por esta prática abjecta, para além de uma delas estar com os chifres serrados de tal maneira que não paravam de sangrar (os chifres são serrados para lhes serem retiradas as defesas naturais e, assim, estarem numa luta ainda mais desigual com os seus agressores, os toureiros e forcados). E estes treinos acontecem numa base quase diária, o que significa que o martírio de animais - nomeadamente de animais muito jovens ou mesmo bébés, como foi o caso da bezerra que Moura levou para o programa "Herman SIC" há umas semanas atrás - é muitíssimo frequente.

Ainda a propósito da família Moura, foi deveras preocupante e assustador ver João Moura Júnior, um adolescente de apenas quatorze anos, já iniciado nestas práticas hediondas, habituado já a, tal como o pai, torturar animais com fins ora lúdicos, ora económicos. Como disse este jovem, "é a profissão". De valores éticos, não sabe, pois evidentemente não teve quem lhos transmitisse (e, segundo mesmo, nem em termos de habilitações académicas quer avançar, pois pretende ficar apenas com o 9º ano de escolaridade, num país que está a determinar o 12º ano como escolaridade mínima obrigatória). É de notar que João Moura, para além das suas primevas actividades tauromáquicas, é também conhecido por organizar provas equestres ilegais (os chamados "raides equestres") sem autorização da Federação Equestre Portuguesa e sem observar qualquer regulamento da mesma ou qualquer legislação vigente, levando, nestas provas, vários cavalos à morte por exaustão para seu gáudio. É, portanto, um homem para quem a moral e a lei nada dizem, sobretudo quando isso possa constituir um obstáculo às suas inclinações mais primitivas.

Nesta reportagem, pudemos ainda conhecer melhor Luís Rouxinol, um cavaleiro tauromáquico também propenso a ter comportamentos ilícitos decorrentes das suas tendências violentas que não só se dirigem contra animais não-humanos como também contra humanos. A prova disso é que, no Verão do ano passado, quando um grupo de activistas anti-tourada se manifestava, no pleno exercício dos seus direitos civis e constitucionais, contra uma corrida de touros que estava a decorrer na Praça da Touros de Torres Vedras e em que participava este cavaleiro tauromáquico, Rouxinol contornou propositadamente a barreira de protecção policial que determinava o espaço reservado aos manifestantes e que os resguardava, e atirou-se com o seu cavalo (outra das suas muitas vítimas) literalmente para cima destes activistas. Quando dois agentes da PSP presentes no local o tentaram deter e fazer com que descesse do cavalo, Rouxinol destinou-lhes o mesmo tratamento que destinou aos activistas, agredindo os agentes da autoridade. Tanto assim que o próprio Comando da PSP de Torres Vedras acabou por proceder judicialmente contra este cavaleiro tauromáquico. É, aliás, importante destacar que é comum ver aficionados das touradas, forcados e toureiros agredirem activistas dos direitos dos animais quando estes legitimamente - e, como sempre, dentro da legalidade - se manifestam contra as corridas de touros nas quais estes participam ou a que assistem. Ainda sobre Luís Rouxinol, é de referir que este cavaleiro tauromáquico foi um dos participantes na Corrida de Touros que aconteceu em Santarém no passado dia 10 de Junho, considerado pelos mesmos o "Dia da Raça", tendo esta sido, supostamente, a "Corrida do Dia da Raça", o que mostra também a tendência xenófoba destas pessoas.

A injustificabilidade das corridas de touros era já conhecida. Contudo, esta reportagem também nos permitiu confirmar ainda mais esta ideia. Quando vimos que os dois cavaleiros praticantes entrevistados (nomeadamente João Moura Júnior) responderem com frases como "É muito complicado explicar agora" ou "não sei" quando lhes foi perguntado se não achavam que o que faziam era cruel, facilmente concluímos que estas pessoas nem rudimentares justificações conseguem apresentar para aquilo que fazem. Por outro lado, o forcado entrevistado deixou também muito claro o que os machistas são os indivíduos ligados às touradas, vendo as mulheres como instrumentos, enfeites ou apoio. Isso ficou também muito claro num célebre debate televisivo sobre as touradas, exibido o ano passado na RTP ("Gregos & Troianos"), quando Gonçalo da Câmara Pereira, aficionado assumido, falou em "namoradas mansas e namoradas bravas" numa muito infeliz analogia com "touros mansos e touros bravos", sugerindo que as primeiras não precisariam de ser domadas mas que as segundas já precisariam de ser dominadas, tal como os touros. O entendimento destas pessoas é, pois, o seguinte: as mulheres estão na mesma linha dos touros, ou seja, são também instrumentos, que deverão ou não ser dominados (eventualmente pela força) consoante sejam "mansas" ou "bravas". Ora, este quadro mental dispensa comentários.

Neste contexto, a cavaleira tauromáquica Sónia Matias, também entrevistada nesta reportagem, orgulhar-se-á de ser respeitada pelos seus pares. Muito possivelmente, não consegue compreender que estas pessoas estão demasiadamente condicionadas do ponto de vista moral, cultural e mesmo intelectual para saberem o que é o respeito, nomeadamente a própria Sónia Matias. Está, claramente, iludida. Também esta lamentável figura do meio tauromáquico português revelou a sua inconsciência sem pejo, pois, quando lhe foi perguntado se alguma tinha sentido pena dos touros, Sónia Matias respondeu prontamente com um "não", soltando imediatamente a seguir uma gargalhada cuja causa ninguém conseguiria compreender: rir-se-ia do facto de não ter pena dos touros que tortura e mata, rir-se-ia de si mesma por não ter pena dos touros que tortura e mata ou rir-se-ia da pergunta? Diremos talvez que o melhor será não apurar a resposta.

Nesta reportagem, ficou também claro que as touradas são um negócio, sendo que João Moura é dos cavaleiros tauromáquicos mais bem sucedidos (dado que é aquele que aufere maiores rendimentos por tourada). É elementar salientar que, no fundo, aquilo que move estas pessoas - desde os toureiros aos ganadeiros e empresários tauromáquicos - não é mais do que os rendimentos que conseguem obter nestas práticas, para além de um suposto estatuto social que, em círculos de uma confrangedora pobreza moral, cultural e civilizacional, é reconhecido e apreciado por pessoas cujo carácter é, no mínimo, duvidoso. Mas foi interessante notar que Manuel Gonçalves, empresário tauromáquico também entrevistado nesta reportagem, reconheceu que, actualmente, "é mais fácil perder cinco mil contos do que ganhar quinhentos contos" neste negócio, dizendo também que "uma praça de touros que tenha capacidade para dez mil pessoas tem apenas mil ou mil e quinhentas pessoas na assistência", o que confirma aquilo que as organizações portuguesas e espanholas de defesa dos animais bem sabem: as touradas são um negócio em franco declínio, quer em Portugal, quer em Espanha. O público das corridas de touros é, de resto, numa grande percentagem, o mesmo público, pois compõe-se de um grupo de pessoas que percorre a maioria das corridas de touros que se realizam em Portugal. As diversas sondagens que ao longo dos anos se têm feito (por diversos centros de sondagens) são, de resto, muito claras: dos resultados habitualmente conseguidos, entre 80% a 85% da população portuguesa não concorda com a existência de touradas.

A verdade, porém, é que, embora as corridas de touros estejam condenadas a um fim que se afigura cada vez mais próximo, Portugal continua de algum modo refém desta triste realidade, que nos choca e envergonha. Milhares de bezerros e touros continuam a ser torturados e mortos anualmente em Portugal em actividades tauromáquicas. A título de exemplo, no domingo passado, dia 8 de Junho, na Labrujeira (concelho de Torres Vedras), três bezerras de quatro meses foram literalmente espezinhadas por populares a cavalo num suposto toureio a cavalo sem farpas. As bezerras ficaram caídas, com ferimentos graves e inconscientes, na arena improvisada desta aldeia. Evidentemente, isto infringiu leis vigentes, desrespeitando até o próprio Regulamento de Espectáculos Tauromáquicos. Alertada para o caso, a ANIMAL dirigiu-se à Labrujeira, encontrando uma população afogada em álcool e preparada para, depois deste massacre, assistir a uma largada de touros que aconteceria horas depois. Chegada ao posto da GNR mais próximo, a equipa da ANIMAL identificou-se (nomeadamente Miguel Moutinho, como dirigente da organização), pedindo aos agentes da autoridade que identificassem a Comissão de Festas responsável por este massacre. A GNR, seguindo os procedimentos que também se "tradicionalizaram" depois de Barrancos, não se dispôs a identificar a Comissão de Festas, remetendo para uma eventual queixa que a ANIMAL apresentasse no Ministério Público, após a qual seria solicitada a esta força policial a identificação dos responsáveis. Só nesta tarde, três bezerras de quatro meses perderam a vida depois de um sofrimento brutal, ao que se seguiu a tortura de mais três touros. A ANIMAL nada mais pôde fazer, desde logo perante a total passividade das autoridades policiais.

Perante tudo isto, o fim das touradas apresenta-se como uma exigência ética que deve urgentemente ser cumprida. Não é admissível que Portugal continue a permitir a perseguição e tortura de animais, nomeadamente nas circunstâncias em que isto acontece no meio tauromáquico. A continuação destas práticas é um autêntico escândalo moral, como defendeu Artur Mendes, Presidente da ANIMAL, quando entrevistado na reportagem "Vermelho e Negro". A ANIMAL está cada vez mais empenhada na defesa dos animais e na promoção do fim de todos os actos cruéis a que sejam submetidos, estando especialmente concentrada (sobretudo numa altura do ano em que a época tauromáquica está no seu auge) em combater as corridas de touros.

É por esta razão e por entender que é altura de, num tom ainda mais elevado, afirmar a necessidade e o dever de respeitar e proteger os animais, que a ANIMAL apela a todas as pessoas para que participem na 2ª Marcha Anti-Tourada e de Defesa Animal, a acontecer a 18 de Julho, a partir das 17h, no Parque Eduardo VII, em Lisboa.

‎"Vermelho e Negro" é uma reportagem da autoria de Cristina Boavida, da SIC. Foi transmitida em Junho de 2003 mas não há vídeos em lado nenhum. Há esta transcrição com alguns ficheiros mp3, mas dá para ficar a conhecer um pouco melhor o "antes e depois" de uma tourada...
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