A sentença do Tribunal Internacional dos Direitos dos Animais é simbólica, mas defensores dos animais consideram-na um «primeiro passo»
O Tribunal Internacional dos Direitos dos Animais condenou simbolicamente o ex-Presidente português Jorge Sampaio e o antigo primeiro-ministro e actual presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, por atentados contra os direitos dos animais, sobretudo nas touradas.
O juri acusou-os ainda de tirarem «uma satisfação evidente da tortura de touros«, bem como de terem permitido a abolição parcial da legislação de 1928 que protegia a morte dos touros nas arenas, o que, no entender do tribunal, reflecte um recuo de Portugal «em 80 anos em matéria de protecção animal».
Contactado pela Agência Lusa, o gabinete de Durão Barroso escusou-se a fazer quaisquer comentários sobre o assunto, mas associações defensoras dos direitos dos animais já se manifestaram «agradadas» com a «condenação», esperando que este «passo simbólico» seja o primeiro para acabar com os touros de morte em Portugal e na Europa.
O chefe de Governo espanhol, José Luís Zapatero, o Presidente da França, Nicolas Sarkozy, e seu primeiro-ministro, François Fillón, foram outros dos visados pela sentença simbólica proferida pelo órgão internacional sedeado em Genebra, na Suíça.
«Espero que este simbolismo se torne realidade e que haja outras forças políticas que se juntem a esta voz de condenação para que finalmente se possa acabar com a crueldade dos touros mortos», afirmou o presidente da Sociedade Protectora dos Animais, Tomé de Barros Queiroz.
Por sua vez, Rita Silva, uma responsável da ANIMAL que participou na votação final em Genebra, sublinhou que a sentença acaba por ser uma condenação pela «grande maioria da opinião pública portuguesa e europeia», que é «claramente contra esta prática de tortura».
Na sua sentença, o Tribunal incluiu também um pedido para que sejam fechadas as escolas de tauromaquia e para que o acesso às praças de touros seja proibido a menores de 16 anos. Solicitou ainda ao Parlamento Europeu que convoque um referendo para que os cidadãos da União Europeia se possam pronunciar sobre a abolição desta prática.
Fonte
sexta-feira, 4 de julho de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
"Entre O Homem E O Touro"
NOTA DE IMPRENSA
Gabinete do Dep. José RIBEIRO E CASTRO
Delegação do CDS/Partido Popular no Parlamento Europeu
Críticas de Ribeiro e Castro por ocasião da Exposição "Entre o Homem e o Touro"
"É fundamental reagir. Restringir ou proibir a transmissão televisiva de touradas é atentado à cultura e à liberdade"
"A imposição judicial de restringir a transmissão de touradas na RTP é um sinal lamentável de activismo judiciário, uma decisão irresponsável que insulta gratuitamente todo o mundo taurino e que ofende uma componente importante da cultura portuguesa e de outros povos" - declarou o eurodeputado José Ribeiro e Castro, ontem ao fim do dia, em reacção à notícia da decisão tomada pela 12.ª Vara Cível de Lisboa.
Recorde-se que a juíza da 12.ª Vara Cível de Lisboa deferiu uma providência cautelar interposta pela Associação Animal de que resulta a proibição da transmissão em directo da 44.ª Corrida TV, que se realiza em Santarém às 17h00 do próximo domingo. Segundo o tribunal, o canal televisivo é obrigado a transmitir a corrida de touros apenas entre as 22H30 e as seis da manhã e com um identificativo visual apropriado - a "bolinha vermelha".
"Os tribunais não se fizeram para militâncias ideológicas" - prosseguiu Ribeiro e Castro. "Este tipo de pressões para restringir ou proibir a transmissão televisiva de touradas é um claro atentado à cultura, à inteligência e à liberdade.".
O deputado democrata-cristão acabava de participar na inauguração da exposição "Entre o Homem e o Touro" no Parlamento Europeu, em Bruxelas, promovida pela "Mesa del Toro" - confederação de 15 associações de 8 sectores tauromáquicos espanhóis - e pelo deputado do Partido Popular espanhol Luís de Grandes Pascual.
Este evento juntou centenas de participantes, entre os quais quatro ex-presidentes do Parlamento Europeu, o Presidente do Partido Popular Europeu, deputados ao Parlamento Europeu de diversos partidos e nacionalidades, ganaderos como Eduardo Miúra e algumas das maiores figuras do toureio como o espanhol Enrique Ponce, o português Victor Mendes, o colombiano César Rincón e o francês Sebastián Castella.
Na ocasião, Ribeiro e Castro cumprimentou os organizadores pela iniciativa e fez votos para que, num futuro próximo, a especificidade da Corrida à Portuguesa possa merecer divulgação em moldes idênticos.
"É fundamental que o mundo taurino se organize e reaja contra este gravíssimo sinal do tribunal de Lisboa. É um apelo que deixo a ganaderos, toureiros, forcados, aficionados, gentes das artes, cultura e comunicação, dirigentes de organizações sociais, profissionais e políticas" - alertou José Ribeiro e Castro.
E acrescentou "A tauromaquia é parte integrante do nosso património artístico e cultural. Constitui um veículo privilegiado de transmissão de valores e de saberes que não pode nem deve ser desvalorizado. Os crescentes ataques de que o Mundo Rural e as suas tradições vêm sendo alvo deveriam motivar uma reacção firme e coordenada por parte das suas principais associações."
"Assistimos presentemente a uma clara investida contra as corridas de touros assente em premissas ideológicas. O que aí se revela não é mais do que uma manifestação de totalitarismo cultural a que importa resistir e responder." - continuou o eurodeputado. "O evento organizado pela Mesa del Toro é um exemplo que temos que seguir também em Portugal, onde este vírus totalitário também já está a chegar e, pelos vistos, ao sítio que mais devia defender a liberdade e os direitos fundamentais: os tribunais."
Esta semana realizaram-se também em Bruxelas, no Parlamento Europeu, iniciativas visando impor a proibição das corridas de touros. A campanha anti-taurina chama-se "For a bullfighting-free Europe" (Por uma Europa sem corridas).
Comentando estas últimas iniciativas, o eurodeputado democrata-cristão declarou: "Só confirma o que acabei de dizer e demonstra o momento de perigo em que estamos. São forças organizadas e muito agressivas, a que importa saber responder. No ano que a União Europeia consagrou como o Ano do Diálogo Intercultural, é caricato e extremamente grave assistir a tentativas tão sectárias de impor uma cultura uniforme."
Para mais informações:
Gabinete do Deputado José RIBEIRO E CASTRO
Tel.: +32 (2) 2847783
Fax: +32 (2) 2849783
Email: jose.ribeiroecastro-assistant@europarl.europa.eu
Gabinete do Dep. José RIBEIRO E CASTRO
Delegação do CDS/Partido Popular no Parlamento Europeu
Críticas de Ribeiro e Castro por ocasião da Exposição "Entre o Homem e o Touro"
"É fundamental reagir. Restringir ou proibir a transmissão televisiva de touradas é atentado à cultura e à liberdade"
"A imposição judicial de restringir a transmissão de touradas na RTP é um sinal lamentável de activismo judiciário, uma decisão irresponsável que insulta gratuitamente todo o mundo taurino e que ofende uma componente importante da cultura portuguesa e de outros povos" - declarou o eurodeputado José Ribeiro e Castro, ontem ao fim do dia, em reacção à notícia da decisão tomada pela 12.ª Vara Cível de Lisboa.
Recorde-se que a juíza da 12.ª Vara Cível de Lisboa deferiu uma providência cautelar interposta pela Associação Animal de que resulta a proibição da transmissão em directo da 44.ª Corrida TV, que se realiza em Santarém às 17h00 do próximo domingo. Segundo o tribunal, o canal televisivo é obrigado a transmitir a corrida de touros apenas entre as 22H30 e as seis da manhã e com um identificativo visual apropriado - a "bolinha vermelha".
"Os tribunais não se fizeram para militâncias ideológicas" - prosseguiu Ribeiro e Castro. "Este tipo de pressões para restringir ou proibir a transmissão televisiva de touradas é um claro atentado à cultura, à inteligência e à liberdade.".
O deputado democrata-cristão acabava de participar na inauguração da exposição "Entre o Homem e o Touro" no Parlamento Europeu, em Bruxelas, promovida pela "Mesa del Toro" - confederação de 15 associações de 8 sectores tauromáquicos espanhóis - e pelo deputado do Partido Popular espanhol Luís de Grandes Pascual.
Este evento juntou centenas de participantes, entre os quais quatro ex-presidentes do Parlamento Europeu, o Presidente do Partido Popular Europeu, deputados ao Parlamento Europeu de diversos partidos e nacionalidades, ganaderos como Eduardo Miúra e algumas das maiores figuras do toureio como o espanhol Enrique Ponce, o português Victor Mendes, o colombiano César Rincón e o francês Sebastián Castella.
Na ocasião, Ribeiro e Castro cumprimentou os organizadores pela iniciativa e fez votos para que, num futuro próximo, a especificidade da Corrida à Portuguesa possa merecer divulgação em moldes idênticos.
"É fundamental que o mundo taurino se organize e reaja contra este gravíssimo sinal do tribunal de Lisboa. É um apelo que deixo a ganaderos, toureiros, forcados, aficionados, gentes das artes, cultura e comunicação, dirigentes de organizações sociais, profissionais e políticas" - alertou José Ribeiro e Castro.
E acrescentou "A tauromaquia é parte integrante do nosso património artístico e cultural. Constitui um veículo privilegiado de transmissão de valores e de saberes que não pode nem deve ser desvalorizado. Os crescentes ataques de que o Mundo Rural e as suas tradições vêm sendo alvo deveriam motivar uma reacção firme e coordenada por parte das suas principais associações."
"Assistimos presentemente a uma clara investida contra as corridas de touros assente em premissas ideológicas. O que aí se revela não é mais do que uma manifestação de totalitarismo cultural a que importa resistir e responder." - continuou o eurodeputado. "O evento organizado pela Mesa del Toro é um exemplo que temos que seguir também em Portugal, onde este vírus totalitário também já está a chegar e, pelos vistos, ao sítio que mais devia defender a liberdade e os direitos fundamentais: os tribunais."
Esta semana realizaram-se também em Bruxelas, no Parlamento Europeu, iniciativas visando impor a proibição das corridas de touros. A campanha anti-taurina chama-se "For a bullfighting-free Europe" (Por uma Europa sem corridas).
Comentando estas últimas iniciativas, o eurodeputado democrata-cristão declarou: "Só confirma o que acabei de dizer e demonstra o momento de perigo em que estamos. São forças organizadas e muito agressivas, a que importa saber responder. No ano que a União Europeia consagrou como o Ano do Diálogo Intercultural, é caricato e extremamente grave assistir a tentativas tão sectárias de impor uma cultura uniforme."
Para mais informações:
Gabinete do Deputado José RIBEIRO E CASTRO
Tel.: +32 (2) 2847783
Fax: +32 (2) 2849783
Email: jose.ribeiroecastro-assistant@europarl.europa.eu
sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Sangue e emoção(????) em Vila Franca - Esperas de toiros com feridos durante a Feira de Outubro (2003)
Esperas de toiros com feridos durante a Feira de Outubro (2003)
A tradição renovou-se em Vila Franca de Xira. Os toiros colheram vários aficcionados com gravidade, mas mesmo assim houve queixas de falta de bravura dos animais.
Um ferido com traumatismo craniano e três feridos ligeiros foram o resultado do primeiro dia de esperas de toiros em Vila Franca de Xira. Mas as colhidas não afastaram os aficcionados da Feira de Outubro, que decorre até domingo.
No sábado, 4 de Outubro, a “Sevilha Portuguesa” transformou-se num rebuliço com a perseguição aos seis cabrestos que fugiram da manga. Os animais provocaram danos materiais na chapa das viaturas dos Bombeiros de Vila Franca e atingiram ainda um carro dos Bombeiros de Castanheira do Ribatejo.
No domingo, registaram-se mais três feridos, um deles com traumatismo craniano. Um indivíduo foi colhido pelo toiro junto à lota, outro foi atingido na Praça Palha Blanco e o terceiro foi surpreendido junto à estação. No mesmo dia, um dos toiros ficou com uma fractura exposta numa pata da frente. Na segunda-feira de manhã houve a registar apenas alguns “sustos” sem gravidade, segundo informação do comandante António Pedro dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira.
A largada de toiros desapontou centenas de vilafranquenses...
O público sentado nas bancadas desmontáveis reclamava a falta de bravura dos animais fornecidos pela ganadaria de José Luís Pereira, de Salvaterra de Magos. Os mais corajosos saltaram para dentro das tranqueiras mas andaram de braços cruzados à espera de uma investida do animal. Enfim, o ambiente esteve calmo e até dava tempo para as crianças brincarem na manga sob o olhar dos pais.
De mãos na cintura e peito para fora, dezenas de homens arriscavam uma pega com alma de ribatejano. No entanto, por motivos alheios aos forcados de ocasião, os toiros saíram vivos, ou seja, não foram pegados.
Habituado às lides da festa brava, Vítor de Oliveira, de Alhandra, actualmente reformado, critica a falta de garra da nova geração. O ex-forcado recorda o tempo em que um grupo de homens cansava o toiro num sítio e dava espectáculo. No entanto, não falha a uma largada, já que é uma tradição que na sua opinião deve continuar.
in 'O Mirante'
segunda-feira, 30 de junho de 2003
Reportagem da SIC "Vermelho e Negro"
A exigência ética do fim das touradas
A SIC exibiu, durante esta semana que passou, em cada emissão do "Jornal da Noite", com repetição integral no "Jornal das 10" da SIC Notícias de ontem, a excelente reportagem "Vermelho e Negro", a respeito das touradas em Portugal.
Neste trabalho de grande qualidade, da autoria da jornalista Cristina Boavida, foi possível conhecer melhor o mundo das corridas de touros em Portugal, nomeadamente permitindo reforçar ainda mais a ideia de que este é um meio de violência e crueldade em que as vítimas são os touros (e também os cavalos), perseguidos, molestados, feridos e sacrificados que são, em nome daquilo que é na verdade um negócio, mais do que uma tradição. E, como é óbvio, mesmo que a única razão fosse a tradição, nada se seguiria daí que pudesse justificar uma tal barbaridade.
O requinte do sadismo que caracteriza os cavaleiros tauromáquicos foi revelado por aquele que é considerado o maior de todos eles: João Moura. Como se pode ver nesta reportagem, a forma que este toureiro (responsável pela morte de milhares de touros na sua carreira de barbérie) encontrou de compensar o cavalo que, segundo o mesmo, mais o ajudou e do qual mais gostou, foi usar as suas patas para fazer uma mesa de centro para a sua sala de estar, assim como expor a sua crina e outras partes anatómicas deste animal, nomeadamente a cabeça, presa numa parede juntamente com a cabeça de alguns dos muitos touros que João Moura massacrou durante a sua actividade taurina.
Pode, de resto, ver-se João Moura e João Moura Júnior (filho do primeiro) a treinarem com bezerras de muito pouca idade, espetando os seus frágeis e ainda pouco desenvolvidos corpos com as habituais farpas que usam como seus privilegiados instrumentos de tortura. Pudemos ver as bezerras visivelmente incomodadas com a dor causada por esta prática abjecta, para além de uma delas estar com os chifres serrados de tal maneira que não paravam de sangrar (os chifres são serrados para lhes serem retiradas as defesas naturais e, assim, estarem numa luta ainda mais desigual com os seus agressores, os toureiros e forcados). E estes treinos acontecem numa base quase diária, o que significa que o martírio de animais - nomeadamente de animais muito jovens ou mesmo bébés, como foi o caso da bezerra que Moura levou para o programa "Herman SIC" há umas semanas atrás - é muitíssimo frequente.
Ainda a propósito da família Moura, foi deveras preocupante e assustador ver João Moura Júnior, um adolescente de apenas quatorze anos, já iniciado nestas práticas hediondas, habituado já a, tal como o pai, torturar animais com fins ora lúdicos, ora económicos. Como disse este jovem, "é a profissão". De valores éticos, não sabe, pois evidentemente não teve quem lhos transmitisse (e, segundo mesmo, nem em termos de habilitações académicas quer avançar, pois pretende ficar apenas com o 9º ano de escolaridade, num país que está a determinar o 12º ano como escolaridade mínima obrigatória). É de notar que João Moura, para além das suas primevas actividades tauromáquicas, é também conhecido por organizar provas equestres ilegais (os chamados "raides equestres") sem autorização da Federação Equestre Portuguesa e sem observar qualquer regulamento da mesma ou qualquer legislação vigente, levando, nestas provas, vários cavalos à morte por exaustão para seu gáudio. É, portanto, um homem para quem a moral e a lei nada dizem, sobretudo quando isso possa constituir um obstáculo às suas inclinações mais primitivas.
Nesta reportagem, pudemos ainda conhecer melhor Luís Rouxinol, um cavaleiro tauromáquico também propenso a ter comportamentos ilícitos decorrentes das suas tendências violentas que não só se dirigem contra animais não-humanos como também contra humanos. A prova disso é que, no Verão do ano passado, quando um grupo de activistas anti-tourada se manifestava, no pleno exercício dos seus direitos civis e constitucionais, contra uma corrida de touros que estava a decorrer na Praça da Touros de Torres Vedras e em que participava este cavaleiro tauromáquico, Rouxinol contornou propositadamente a barreira de protecção policial que determinava o espaço reservado aos manifestantes e que os resguardava, e atirou-se com o seu cavalo (outra das suas muitas vítimas) literalmente para cima destes activistas. Quando dois agentes da PSP presentes no local o tentaram deter e fazer com que descesse do cavalo, Rouxinol destinou-lhes o mesmo tratamento que destinou aos activistas, agredindo os agentes da autoridade. Tanto assim que o próprio Comando da PSP de Torres Vedras acabou por proceder judicialmente contra este cavaleiro tauromáquico. É, aliás, importante destacar que é comum ver aficionados das touradas, forcados e toureiros agredirem activistas dos direitos dos animais quando estes legitimamente - e, como sempre, dentro da legalidade - se manifestam contra as corridas de touros nas quais estes participam ou a que assistem. Ainda sobre Luís Rouxinol, é de referir que este cavaleiro tauromáquico foi um dos participantes na Corrida de Touros que aconteceu em Santarém no passado dia 10 de Junho, considerado pelos mesmos o "Dia da Raça", tendo esta sido, supostamente, a "Corrida do Dia da Raça", o que mostra também a tendência xenófoba destas pessoas.
A injustificabilidade das corridas de touros era já conhecida. Contudo, esta reportagem também nos permitiu confirmar ainda mais esta ideia. Quando vimos que os dois cavaleiros praticantes entrevistados (nomeadamente João Moura Júnior) responderem com frases como "É muito complicado explicar agora" ou "não sei" quando lhes foi perguntado se não achavam que o que faziam era cruel, facilmente concluímos que estas pessoas nem rudimentares justificações conseguem apresentar para aquilo que fazem. Por outro lado, o forcado entrevistado deixou também muito claro o que os machistas são os indivíduos ligados às touradas, vendo as mulheres como instrumentos, enfeites ou apoio. Isso ficou também muito claro num célebre debate televisivo sobre as touradas, exibido o ano passado na RTP ("Gregos & Troianos"), quando Gonçalo da Câmara Pereira, aficionado assumido, falou em "namoradas mansas e namoradas bravas" numa muito infeliz analogia com "touros mansos e touros bravos", sugerindo que as primeiras não precisariam de ser domadas mas que as segundas já precisariam de ser dominadas, tal como os touros. O entendimento destas pessoas é, pois, o seguinte: as mulheres estão na mesma linha dos touros, ou seja, são também instrumentos, que deverão ou não ser dominados (eventualmente pela força) consoante sejam "mansas" ou "bravas". Ora, este quadro mental dispensa comentários.
Neste contexto, a cavaleira tauromáquica Sónia Matias, também entrevistada nesta reportagem, orgulhar-se-á de ser respeitada pelos seus pares. Muito possivelmente, não consegue compreender que estas pessoas estão demasiadamente condicionadas do ponto de vista moral, cultural e mesmo intelectual para saberem o que é o respeito, nomeadamente a própria Sónia Matias. Está, claramente, iludida. Também esta lamentável figura do meio tauromáquico português revelou a sua inconsciência sem pejo, pois, quando lhe foi perguntado se alguma tinha sentido pena dos touros, Sónia Matias respondeu prontamente com um "não", soltando imediatamente a seguir uma gargalhada cuja causa ninguém conseguiria compreender: rir-se-ia do facto de não ter pena dos touros que tortura e mata, rir-se-ia de si mesma por não ter pena dos touros que tortura e mata ou rir-se-ia da pergunta? Diremos talvez que o melhor será não apurar a resposta.
Nesta reportagem, ficou também claro que as touradas são um negócio, sendo que João Moura é dos cavaleiros tauromáquicos mais bem sucedidos (dado que é aquele que aufere maiores rendimentos por tourada). É elementar salientar que, no fundo, aquilo que move estas pessoas - desde os toureiros aos ganadeiros e empresários tauromáquicos - não é mais do que os rendimentos que conseguem obter nestas práticas, para além de um suposto estatuto social que, em círculos de uma confrangedora pobreza moral, cultural e civilizacional, é reconhecido e apreciado por pessoas cujo carácter é, no mínimo, duvidoso. Mas foi interessante notar que Manuel Gonçalves, empresário tauromáquico também entrevistado nesta reportagem, reconheceu que, actualmente, "é mais fácil perder cinco mil contos do que ganhar quinhentos contos" neste negócio, dizendo também que "uma praça de touros que tenha capacidade para dez mil pessoas tem apenas mil ou mil e quinhentas pessoas na assistência", o que confirma aquilo que as organizações portuguesas e espanholas de defesa dos animais bem sabem: as touradas são um negócio em franco declínio, quer em Portugal, quer em Espanha. O público das corridas de touros é, de resto, numa grande percentagem, o mesmo público, pois compõe-se de um grupo de pessoas que percorre a maioria das corridas de touros que se realizam em Portugal. As diversas sondagens que ao longo dos anos se têm feito (por diversos centros de sondagens) são, de resto, muito claras: dos resultados habitualmente conseguidos, entre 80% a 85% da população portuguesa não concorda com a existência de touradas.
A verdade, porém, é que, embora as corridas de touros estejam condenadas a um fim que se afigura cada vez mais próximo, Portugal continua de algum modo refém desta triste realidade, que nos choca e envergonha. Milhares de bezerros e touros continuam a ser torturados e mortos anualmente em Portugal em actividades tauromáquicas. A título de exemplo, no domingo passado, dia 8 de Junho, na Labrujeira (concelho de Torres Vedras), três bezerras de quatro meses foram literalmente espezinhadas por populares a cavalo num suposto toureio a cavalo sem farpas. As bezerras ficaram caídas, com ferimentos graves e inconscientes, na arena improvisada desta aldeia. Evidentemente, isto infringiu leis vigentes, desrespeitando até o próprio Regulamento de Espectáculos Tauromáquicos. Alertada para o caso, a ANIMAL dirigiu-se à Labrujeira, encontrando uma população afogada em álcool e preparada para, depois deste massacre, assistir a uma largada de touros que aconteceria horas depois. Chegada ao posto da GNR mais próximo, a equipa da ANIMAL identificou-se (nomeadamente Miguel Moutinho, como dirigente da organização), pedindo aos agentes da autoridade que identificassem a Comissão de Festas responsável por este massacre. A GNR, seguindo os procedimentos que também se "tradicionalizaram" depois de Barrancos, não se dispôs a identificar a Comissão de Festas, remetendo para uma eventual queixa que a ANIMAL apresentasse no Ministério Público, após a qual seria solicitada a esta força policial a identificação dos responsáveis. Só nesta tarde, três bezerras de quatro meses perderam a vida depois de um sofrimento brutal, ao que se seguiu a tortura de mais três touros. A ANIMAL nada mais pôde fazer, desde logo perante a total passividade das autoridades policiais.
Perante tudo isto, o fim das touradas apresenta-se como uma exigência ética que deve urgentemente ser cumprida. Não é admissível que Portugal continue a permitir a perseguição e tortura de animais, nomeadamente nas circunstâncias em que isto acontece no meio tauromáquico. A continuação destas práticas é um autêntico escândalo moral, como defendeu Artur Mendes, Presidente da ANIMAL, quando entrevistado na reportagem "Vermelho e Negro". A ANIMAL está cada vez mais empenhada na defesa dos animais e na promoção do fim de todos os actos cruéis a que sejam submetidos, estando especialmente concentrada (sobretudo numa altura do ano em que a época tauromáquica está no seu auge) em combater as corridas de touros.
É por esta razão e por entender que é altura de, num tom ainda mais elevado, afirmar a necessidade e o dever de respeitar e proteger os animais, que a ANIMAL apela a todas as pessoas para que participem na 2ª Marcha Anti-Tourada e de Defesa Animal, a acontecer a 18 de Julho, a partir das 17h, no Parque Eduardo VII, em Lisboa.
"Vermelho e Negro" é uma reportagem da autoria de Cristina Boavida, da SIC. Foi transmitida em Junho de 2003 mas não há vídeos em lado nenhum. Há esta transcrição com alguns ficheiros mp3, mas dá para ficar a conhecer um pouco melhor o "antes e depois" de uma tourada...
Avisamos que contém conteúdo violento.
A SIC exibiu, durante esta semana que passou, em cada emissão do "Jornal da Noite", com repetição integral no "Jornal das 10" da SIC Notícias de ontem, a excelente reportagem "Vermelho e Negro", a respeito das touradas em Portugal.
Neste trabalho de grande qualidade, da autoria da jornalista Cristina Boavida, foi possível conhecer melhor o mundo das corridas de touros em Portugal, nomeadamente permitindo reforçar ainda mais a ideia de que este é um meio de violência e crueldade em que as vítimas são os touros (e também os cavalos), perseguidos, molestados, feridos e sacrificados que são, em nome daquilo que é na verdade um negócio, mais do que uma tradição. E, como é óbvio, mesmo que a única razão fosse a tradição, nada se seguiria daí que pudesse justificar uma tal barbaridade.
O requinte do sadismo que caracteriza os cavaleiros tauromáquicos foi revelado por aquele que é considerado o maior de todos eles: João Moura. Como se pode ver nesta reportagem, a forma que este toureiro (responsável pela morte de milhares de touros na sua carreira de barbérie) encontrou de compensar o cavalo que, segundo o mesmo, mais o ajudou e do qual mais gostou, foi usar as suas patas para fazer uma mesa de centro para a sua sala de estar, assim como expor a sua crina e outras partes anatómicas deste animal, nomeadamente a cabeça, presa numa parede juntamente com a cabeça de alguns dos muitos touros que João Moura massacrou durante a sua actividade taurina.
Pode, de resto, ver-se João Moura e João Moura Júnior (filho do primeiro) a treinarem com bezerras de muito pouca idade, espetando os seus frágeis e ainda pouco desenvolvidos corpos com as habituais farpas que usam como seus privilegiados instrumentos de tortura. Pudemos ver as bezerras visivelmente incomodadas com a dor causada por esta prática abjecta, para além de uma delas estar com os chifres serrados de tal maneira que não paravam de sangrar (os chifres são serrados para lhes serem retiradas as defesas naturais e, assim, estarem numa luta ainda mais desigual com os seus agressores, os toureiros e forcados). E estes treinos acontecem numa base quase diária, o que significa que o martírio de animais - nomeadamente de animais muito jovens ou mesmo bébés, como foi o caso da bezerra que Moura levou para o programa "Herman SIC" há umas semanas atrás - é muitíssimo frequente.
Ainda a propósito da família Moura, foi deveras preocupante e assustador ver João Moura Júnior, um adolescente de apenas quatorze anos, já iniciado nestas práticas hediondas, habituado já a, tal como o pai, torturar animais com fins ora lúdicos, ora económicos. Como disse este jovem, "é a profissão". De valores éticos, não sabe, pois evidentemente não teve quem lhos transmitisse (e, segundo mesmo, nem em termos de habilitações académicas quer avançar, pois pretende ficar apenas com o 9º ano de escolaridade, num país que está a determinar o 12º ano como escolaridade mínima obrigatória). É de notar que João Moura, para além das suas primevas actividades tauromáquicas, é também conhecido por organizar provas equestres ilegais (os chamados "raides equestres") sem autorização da Federação Equestre Portuguesa e sem observar qualquer regulamento da mesma ou qualquer legislação vigente, levando, nestas provas, vários cavalos à morte por exaustão para seu gáudio. É, portanto, um homem para quem a moral e a lei nada dizem, sobretudo quando isso possa constituir um obstáculo às suas inclinações mais primitivas.
Nesta reportagem, pudemos ainda conhecer melhor Luís Rouxinol, um cavaleiro tauromáquico também propenso a ter comportamentos ilícitos decorrentes das suas tendências violentas que não só se dirigem contra animais não-humanos como também contra humanos. A prova disso é que, no Verão do ano passado, quando um grupo de activistas anti-tourada se manifestava, no pleno exercício dos seus direitos civis e constitucionais, contra uma corrida de touros que estava a decorrer na Praça da Touros de Torres Vedras e em que participava este cavaleiro tauromáquico, Rouxinol contornou propositadamente a barreira de protecção policial que determinava o espaço reservado aos manifestantes e que os resguardava, e atirou-se com o seu cavalo (outra das suas muitas vítimas) literalmente para cima destes activistas. Quando dois agentes da PSP presentes no local o tentaram deter e fazer com que descesse do cavalo, Rouxinol destinou-lhes o mesmo tratamento que destinou aos activistas, agredindo os agentes da autoridade. Tanto assim que o próprio Comando da PSP de Torres Vedras acabou por proceder judicialmente contra este cavaleiro tauromáquico. É, aliás, importante destacar que é comum ver aficionados das touradas, forcados e toureiros agredirem activistas dos direitos dos animais quando estes legitimamente - e, como sempre, dentro da legalidade - se manifestam contra as corridas de touros nas quais estes participam ou a que assistem. Ainda sobre Luís Rouxinol, é de referir que este cavaleiro tauromáquico foi um dos participantes na Corrida de Touros que aconteceu em Santarém no passado dia 10 de Junho, considerado pelos mesmos o "Dia da Raça", tendo esta sido, supostamente, a "Corrida do Dia da Raça", o que mostra também a tendência xenófoba destas pessoas.
A injustificabilidade das corridas de touros era já conhecida. Contudo, esta reportagem também nos permitiu confirmar ainda mais esta ideia. Quando vimos que os dois cavaleiros praticantes entrevistados (nomeadamente João Moura Júnior) responderem com frases como "É muito complicado explicar agora" ou "não sei" quando lhes foi perguntado se não achavam que o que faziam era cruel, facilmente concluímos que estas pessoas nem rudimentares justificações conseguem apresentar para aquilo que fazem. Por outro lado, o forcado entrevistado deixou também muito claro o que os machistas são os indivíduos ligados às touradas, vendo as mulheres como instrumentos, enfeites ou apoio. Isso ficou também muito claro num célebre debate televisivo sobre as touradas, exibido o ano passado na RTP ("Gregos & Troianos"), quando Gonçalo da Câmara Pereira, aficionado assumido, falou em "namoradas mansas e namoradas bravas" numa muito infeliz analogia com "touros mansos e touros bravos", sugerindo que as primeiras não precisariam de ser domadas mas que as segundas já precisariam de ser dominadas, tal como os touros. O entendimento destas pessoas é, pois, o seguinte: as mulheres estão na mesma linha dos touros, ou seja, são também instrumentos, que deverão ou não ser dominados (eventualmente pela força) consoante sejam "mansas" ou "bravas". Ora, este quadro mental dispensa comentários.
Neste contexto, a cavaleira tauromáquica Sónia Matias, também entrevistada nesta reportagem, orgulhar-se-á de ser respeitada pelos seus pares. Muito possivelmente, não consegue compreender que estas pessoas estão demasiadamente condicionadas do ponto de vista moral, cultural e mesmo intelectual para saberem o que é o respeito, nomeadamente a própria Sónia Matias. Está, claramente, iludida. Também esta lamentável figura do meio tauromáquico português revelou a sua inconsciência sem pejo, pois, quando lhe foi perguntado se alguma tinha sentido pena dos touros, Sónia Matias respondeu prontamente com um "não", soltando imediatamente a seguir uma gargalhada cuja causa ninguém conseguiria compreender: rir-se-ia do facto de não ter pena dos touros que tortura e mata, rir-se-ia de si mesma por não ter pena dos touros que tortura e mata ou rir-se-ia da pergunta? Diremos talvez que o melhor será não apurar a resposta.
Nesta reportagem, ficou também claro que as touradas são um negócio, sendo que João Moura é dos cavaleiros tauromáquicos mais bem sucedidos (dado que é aquele que aufere maiores rendimentos por tourada). É elementar salientar que, no fundo, aquilo que move estas pessoas - desde os toureiros aos ganadeiros e empresários tauromáquicos - não é mais do que os rendimentos que conseguem obter nestas práticas, para além de um suposto estatuto social que, em círculos de uma confrangedora pobreza moral, cultural e civilizacional, é reconhecido e apreciado por pessoas cujo carácter é, no mínimo, duvidoso. Mas foi interessante notar que Manuel Gonçalves, empresário tauromáquico também entrevistado nesta reportagem, reconheceu que, actualmente, "é mais fácil perder cinco mil contos do que ganhar quinhentos contos" neste negócio, dizendo também que "uma praça de touros que tenha capacidade para dez mil pessoas tem apenas mil ou mil e quinhentas pessoas na assistência", o que confirma aquilo que as organizações portuguesas e espanholas de defesa dos animais bem sabem: as touradas são um negócio em franco declínio, quer em Portugal, quer em Espanha. O público das corridas de touros é, de resto, numa grande percentagem, o mesmo público, pois compõe-se de um grupo de pessoas que percorre a maioria das corridas de touros que se realizam em Portugal. As diversas sondagens que ao longo dos anos se têm feito (por diversos centros de sondagens) são, de resto, muito claras: dos resultados habitualmente conseguidos, entre 80% a 85% da população portuguesa não concorda com a existência de touradas.
A verdade, porém, é que, embora as corridas de touros estejam condenadas a um fim que se afigura cada vez mais próximo, Portugal continua de algum modo refém desta triste realidade, que nos choca e envergonha. Milhares de bezerros e touros continuam a ser torturados e mortos anualmente em Portugal em actividades tauromáquicas. A título de exemplo, no domingo passado, dia 8 de Junho, na Labrujeira (concelho de Torres Vedras), três bezerras de quatro meses foram literalmente espezinhadas por populares a cavalo num suposto toureio a cavalo sem farpas. As bezerras ficaram caídas, com ferimentos graves e inconscientes, na arena improvisada desta aldeia. Evidentemente, isto infringiu leis vigentes, desrespeitando até o próprio Regulamento de Espectáculos Tauromáquicos. Alertada para o caso, a ANIMAL dirigiu-se à Labrujeira, encontrando uma população afogada em álcool e preparada para, depois deste massacre, assistir a uma largada de touros que aconteceria horas depois. Chegada ao posto da GNR mais próximo, a equipa da ANIMAL identificou-se (nomeadamente Miguel Moutinho, como dirigente da organização), pedindo aos agentes da autoridade que identificassem a Comissão de Festas responsável por este massacre. A GNR, seguindo os procedimentos que também se "tradicionalizaram" depois de Barrancos, não se dispôs a identificar a Comissão de Festas, remetendo para uma eventual queixa que a ANIMAL apresentasse no Ministério Público, após a qual seria solicitada a esta força policial a identificação dos responsáveis. Só nesta tarde, três bezerras de quatro meses perderam a vida depois de um sofrimento brutal, ao que se seguiu a tortura de mais três touros. A ANIMAL nada mais pôde fazer, desde logo perante a total passividade das autoridades policiais.
Perante tudo isto, o fim das touradas apresenta-se como uma exigência ética que deve urgentemente ser cumprida. Não é admissível que Portugal continue a permitir a perseguição e tortura de animais, nomeadamente nas circunstâncias em que isto acontece no meio tauromáquico. A continuação destas práticas é um autêntico escândalo moral, como defendeu Artur Mendes, Presidente da ANIMAL, quando entrevistado na reportagem "Vermelho e Negro". A ANIMAL está cada vez mais empenhada na defesa dos animais e na promoção do fim de todos os actos cruéis a que sejam submetidos, estando especialmente concentrada (sobretudo numa altura do ano em que a época tauromáquica está no seu auge) em combater as corridas de touros.
É por esta razão e por entender que é altura de, num tom ainda mais elevado, afirmar a necessidade e o dever de respeitar e proteger os animais, que a ANIMAL apela a todas as pessoas para que participem na 2ª Marcha Anti-Tourada e de Defesa Animal, a acontecer a 18 de Julho, a partir das 17h, no Parque Eduardo VII, em Lisboa.
"Vermelho e Negro" é uma reportagem da autoria de Cristina Boavida, da SIC. Foi transmitida em Junho de 2003 mas não há vídeos em lado nenhum. Há esta transcrição com alguns ficheiros mp3, mas dá para ficar a conhecer um pouco melhor o "antes e depois" de uma tourada...
Avisamos que contém conteúdo violento.
quinta-feira, 11 de julho de 2002
Touradas dos Gregos e Troianos
Caros amigos e amigas, depois de ontem ver a peixeirada (já habitual) dos Gregos e Troianos vejo-me forçado a escrever algumas palavras sobre o assunto.
Pelo que consigo perceber, do lado dos a favor das touradas, não vale a pena começar por discutir touradas pois o problema não se põe a esse nível. Este facto vê-se quando numa certa altura se fazem comparações entre coisas que acontecem aos touros com coisas que acontecem às pessoas e eles respondem: mas vocês está a comparar um boi a uma pessoa!!! Isto é logo a primeira. Enquanto esta mentalidade antropocentrica não for deitada no lixo, nem vale a pena falar de touradas. Penso que as pessoas só ficam abertas para perceber a atrasadisse mental que aquilo é quando sentirem um animal como um pedaço da criação que tem os mesmos direitos que uma pessoa.
Do lado dos contra das touradas, também me parece haver muita gritaria sem pensar muito no assunto, e pelo que já percebi (muito pelo envolvimento na cena hardcore), cão que ladra não morde, isto é, em geral as pessoas que mais vejo aos gritos por uma causa são as pimeiras a daqui a uns meses (anos) a cagar no assunto porque foi uma fase de maluqueira juvenil (apesar de ontem ter lá visto pessoas no programa que conheço e sei que andam nisto já há alguns anos). Bom, o que quero dizer com muita gritaria sem pensar no assunto é o seguinte: as pessoas levantam bandeiras contra os touros de morte e sentem-se tristes porque foi aprovada essa regressão mental (excepção para Barrancos) e falam das touradas de morte estarem a um passo de se estenderem ao país. Sinceramente, eu acho que o problema não são as touradas de morte mas sim as touradas em geral. Penso que neste ponto estou de acordo com os defensores da abolição das touradas. No entanto, a haver touradas (e tão cedo elas não vão acabar) eu prefiro touradas de morte sem sombra de dúvidas assim como sou a favor da eutanásia. Prefiro que matem o touro ali logo. Se fosse eu não quereria ficar 2 oui 3 dias à espera não sei de quê, a ganhar febre e cheio de dores para no fim só me restar as brasas de um churrasco ou um tacho para me fritar o lombo. Prefeira morrer logo ali. O touro provavelmente nem tem pensamentos nenhuns, mas concerteza que está ali à espera do matadoro com dores e mau estar. Sinceramente prefiro que o matem logo. Sinto-me triste sim, pela aprovação de uma excepção à lei e como é que é possivel haver pessoas a darem os parabens a Barracos!!! Eu acho mesmo muita piada, porque quando são coisas que não convêm as pessoas sabem-se manifestar e aí já não querem excepções. Imaginem só o que era o IVA so ter aumentado em Barrancos. Aí já eram os desgraçados descriminados pelo governo. Se eu fosse agente da autoridade revoltava-me com esta atrasadisse mental. Com que cara é que eu ia dizer a alguém que tem de cumprir a lei. Sabia lá eu se roubar não era uma tradição familiar que já vinha há 15 gerações naquela família!!
Bom, depois vamos aos argumentos que usam as pessoas a favor.
Há um que me deixa mesmo só com vontade de rir, que é aquele que se não houver tourada os touros bravos extinguiam-se e que se perde uma parte da cultura portuguesa com isso. Eu nunca ouvi maior disparate que isto. Os touros até se podiam extinguir, não é isso que acho disparate. Mas por exemplo, já que falamos em cultura e património do país (retrogrado que é Portugal) tenho de ir buscar a história do Lince outra vez. O Lince Ibérico (Lynx pardinus) é o felino mais ameaçado do mundo e é característico só da Penísula Ibérica. Ora se temos o felino mais ameaçado do mundo, que provavelmente estará extinto em 2005, porque não nos juntamos aos toureiros que se dizem amigos dos animais (e atenção porque na mente deles acreditam que o são, não podemos negar isso) e começamos a organizar Linçadas. Era fiche não era? Ao menos assim o Lince não se extinguia e vivia muitos mais anos!!! Por amor de Deus... se o Lince tiver de se extinguir, eu prefiro perder esse animal lindíssimo e pensar que teve o seu tempo e lugar neste mundo e que partiu como uma das espécies mais magnificas que tive a oportunidade de conhecer. Não o quero ter neste mundo, só como a forma física do Lince, mas que perdeu toda a sua essêcia natural e agora é um fantoche, alimentado e tratado com carinho (também acredito que nos campos os toureiros tratem bem os touros, não ponho isso em questão) só com a finalidade de ser gozado, porque é do que se tratam as touradas, gozo e diversão através duma falta de respeito total pela vida. Já agora, os tubarões brancos estão em declínio. Srs toureiros, porque não construímos uns aquários e tubareanamos os tubarões para que eles não se extingam?! Por favor vejam o rídiculo dos vossos argumentos.
Vamos agora aos brincos e afins.
Também algumas pessoas perguntaram aos contra das touradas se os brincos que usam não eram violência. Eu concordo com eles neste ponto. Não percbo a necessidade de usar brincos ou adornos no corpo mas penso ser apenas uma questão de gosto, e a maior parte dos meus amigos tem ou já teve brincos e tatuagens. Não tenho nada com isso. O que falta perceber às pessoas a favor da tourada, é que esses meus amigos não foram levados em camionetas, presos e forçados a entrar no estúdio de tatuagens ou body piercing para lhe espetarem as agulhas. Eles foram lá porque quiseream!!!
Acho que para estes argumento chega esta resposta.
Também há outro argumento dos toureiros e aficcionados que concordo no entanto temos de analisar as situações em que é aplicado. Eles dizem, nós respeitamos a vossa opinião de ser contra, vocês têm de respeitar a nossa de gostar; as touradas são em recintos fechados e só vai quem quer: Gosta vai; Não gosta não vai.
Muito bem. Eu concordo com isto. Eu também não gosto de ir ao Bairro Alto, às dicotecas ou às festas de Drum N' Bass, que é o que se faz agora. No entanto não vou nem para o Bairro Alto nem para as portas de discoteca manifestar-me contra aquilo, porque tanto quanto sei não estão lá a espicaçar ninguém, nem a torturar seja o que for. Se tudo fosse nessa onda do Gosta vai, Não gosta não vai; então é na boa! Que foi então meio mundo fazer ao Afeganistão?! Eles gostam daquela atrasadisse mental. Quem gosta vai, quem não gosta não vai. Deixava-se tudo como estava. Ou então, nós vamos na rua e vemos um grupo de cinco pessoas a violar uma pessoa sozinha. Olha, eu como gosto de sexo até vou lá, mas se calhar um amigo meu menos "machão" não vai. Hã, granda pinta!!!
Srs aficionados, percebam que não estamos aqui a tratar uma simples questão de gosto!! Se me convidarem para ir passar uma noite num discoteca eu não vou porque não gosto. No entanto vocês não iriam lá fazer mal a ninguém. Quanto às corridas de touros, eu não vou da mesma forma porque não gosto, mas não me peçam para não dizer nada sobre isso, porque aí vocês vão fazer mal a seres vivos por simples diversão. Mas eu sei que para vocês o touro é uma coisa, como naquelas corridas de carros em que tem de se partir o carro dos outros concorrentes, o touro para vocês não passa de um carro desses, um objecto que serve para o vosso lazer. Sei que ainda não está na altura de perceberem isso, de sentirem o touro como um ser e não como uma coisa, mas sinceramente rezo para que um dia possam olhar para um touro e ficar maravilhados pelo animal que ele é, pela sua simplicidade e pela sua natureza. Não duvido que gostem dos touros à vossa maneira, mas pensem um pouco que raio de gostar é esse que tem sempre um objectivo por de trás?
O objectivo das corridas.
É como dizer que se gosta de um filho e se trata dele só para ele nos agradar nalguma coisa no futuro e não pelo ser lindo que é o nosso filho. Quer dizer então que se à partida se souber que o nosso filho não vai correspnoder às nossas expectativas não vale sequer a pena criá-lo...
Ainda há um que este acho mesmo mais profundo a nível da raiz desta mentalidade retrógrada. Uma senhora fadista que lá estava falou naquele desfile em iam nus e uma mulher Portuguesa ou lá o que foi ia nua e isto a ela indignou-a. Normalmente no seio das touradas há muito a cena religiosa. Pergunto eu que religião é esta que condena a forma como o Criador nos mandou ao mundo e a celebração dessa natureza. Que vergonha há para ter?! Eu também a tenho. Provavelmente não ia nu para a faculdade. Mas sinceramente, indignar-se com aquilo. Eu indigno-me mais ao ver que esta senhora precisa de brincos e outros objectos metálicos, tintas (batons e rimeis e essas porcarias que não compreendo) para se sentir bonita. Mas isso sou só eu, mais uma vez acho que é uma questão de gosto. Minha senhora, aquilo é como Deus Nosso Senhor nos fez!!! Não acha tão belo o nosso corpo. Acha sinceramente que é uma vergonha mostrá-lo?! Ele é tudo o que temos para esta viagem pela nossa terra. Temos sim de dar um passo em frente e aprender a conhecê-lo e respeitá-lo mais.
Só tenho pena de isto só chegar a um grupo de cerca 10 pessoas que é a minha lista de emails. Sei que 5 ou mais dessas pessoas não vão ler isto, há coisas muito mais belas no mundo não é. Sei também que posso por vezes exagerar nos argumentos mas por amor de Deus, ouve-se com cada barbaridade, que só se pode responder desta forma. Também muitas vezes escrevi como se estivesse a falar directamente com as pessoas. Devem ser reminiscências do feeling de ontem, responder a algumas coisas que ouvi no programa.
Bom, já chega, precisava de desabafar...
Zé
11-07-2002 Tema: Touradas, em que se debatia se as touradas portuguesas eram uma forma de arte ou de crueldade.
Gregos e Troianos – a eterna peixeirada.
Subscrever:
Mensagens (Atom)