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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Ao ataque: 'bombásticas' e inesperadas...

Empresário Tauromáquico Ataca APET
 Rafael Vilhais publicou um post no Facebook onde afirma que a tauromaquia está podre e chama a Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos de coveiro da festa.
E afirma também que há toureiros que pagam para tourear.
Mas que grande novidade, afinal ele só vem reafirmar aquilo que todo o mundo sabe, ou seja que há toureiros que pagam para tourear, ganadeiros que drogam bovinos, toureiros que drogam cavalos, forcados que pagam para abusar de animais e por aí fora já que entre esta gente e a máfia não existe qualquer diferença!
Prótouro
Pelos touros em liberdade

rafael vilhais post facebook

... declarações feitas por Rafael Vilhais, na sua página pessoal de Facebook, sobre a realização de Festivais Taurinos, fora do tempo acordado pelos membros da APET, procurou o TouroeOuro saber junto da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos, qual a posição da mesma face ao escrito que agitou o meio taurino.
Paulo Pessoa de Carvalho falou ao TouroeOuro...

A propósito das afirmações de Rafael Vilhais na sua página de Facebook e que passamos a citar 'A tauromaquia em Portugal não está doente, está podre!!! A Associação de Empresários 'APET' (de coveiros da festa) à qual eu infelizmente pertenço e que não me sinto representada por ela! Em Assembleia Geral neste início de 2016, em que acordámos que não eram permitidos Festivais Taurinos, entre as datas de 25 de Abril, em Sobral de Monte Agraço e terça-feira nocturna de Vla Franca, em plena temporada para não prejudicar os eventos das empresas, bem como dos toureiros chamados de profissionais??? Todo o contrário!!! Está tudo dito!! Eu no que me diz respeito, até já terminei a época, a actividade empresarial! Uma vergonha quando isto está a ser apoiado com gente que deveria ser responsável ou não? Desde empresários que pagam para tourear. Há que pôr o dedo na ferida! Eu nasci nisto! E quem não serve tem um caminho, la calle!'.

A este desabafo do novel empresário, responde no mesmo espaço, Ricardo Levesinho, visto que a ilustração a este post, se fazia com os cartazes dos festivais do fim-de-semana passado, Carregado (com organização a cargo da Tauroleve) e Alandroal. Diz o empresário que 'Rafael Francisco Vilhais você pode dizer o que entender já que estamos num estado de direito democrático mas utilizar as palavras que utilizou referindo se a artistas onde estão Vitor Mendes, Ana Batista, Antonio João Ferreira, Manuel Telles Bastos, Marcelo Mendes e Cuqui só para me referir ao Festival previsto a mais de um ano no Carregado (antes da deliberação ocorrida já este ano) e devidamente autorizada pela Direcção da APET penso que além de não ser correcto é algo injusto para quem colaborou desintressadamente a favor de uma paróquia que possui a sua responsabilidade valências de solidariedade. E para mim e para a minha empresa foi uma honra estar integrado neste projecto e repito totalmente dentro do respeito pelas instituições conforme solicitações devidamente formalizadas e aceites. Se tem dúvidas coloque a quem de direito pois tem toda a legitimidade para tal mas recomendava se me permite que use estas plataformas com o uso da informação correcta pois é tão fácil alavancarmos temas que depois provocam comentários que aqui já circulam e que em nada beneficiam ninguém. Nem mesmo de quem os provocou pois a Tauromaquia e a Festa como estamos ambos totalmente de acordo são superiores a interesses e protagonismos colectivos e pessoais. Um abraço Rafael e estou totalmente disponível para debater consigo onde e quando quiser pois tenho a honra de o respeitar e de sentir reciprocidade.'

Sobre o pertinente tema, procurou saber o TouroeOuro junto da APET, qual a sua posição face à inflamação e sobretudo, querendo obter um esclarecimento sobre a legitimidade ou não da realização de Festivais Taurinos durante o auge da temporada. Paulo Pessoa de Carvalho, Presidente da Associação Portuguesa de Empresários Taurinos, respondeu da seguinte forma, 'Perante o que me pergunta e que sinceramente não vi e não sei se vou ver, o que me constou foi que haveria criticas duras sobre a não união ou respeito dentro da APET sobre regras definidas e assumidas. Algumas pessoas falaram-me sobre o que o Rafael Vilhais escreveu e sobre alguns infelizes comentários a esse texto. O que sei, é que recebi um telefonema do Rafael Vilhais ontem, a dizer-me que o que tinha escrito, não era nada referido a mim, mas sim a outras pessoas (associados APET) que em Assembleia Geral tomam posições e no terreno negam-nas completamente, através das suas atitudes. O que tenho sobre o assunto a dizer é pouco, entristece-me que se venha para os Facebook's da vida escrever estes desabafos, pois é um caminho que não nos leva a lado nenhum. Há espaços próprios para se tratar dos assuntos e acima de tudo, as pessoas devem quando têm intenções sérias em resolver problemas ou aclarar situações, esclarecer-se antes de opinar seja o que for, pois há sempre metade da história que lhes dá razão e outra metade (a não contada) que lhes tira a razão. Eu não conto histórias, mas a propósito deste assunto e sobre o qual também gastei algum tempo, apenas informo que antes dos festivais postos em causa deste último fim de semana (Carregado e Alandroal), houve pelos menos outros cinco, dos quais apenas tive conhecimento à posteriori da sua realização, pois a sua legalização é efectuada no Fundo de Assistência dos toureiros e daí em diante está tudo 'bem', nem nada nem ninguém tem 'força' para parar seja o que for, cabendo ao bom senso, palavra e idoneidade de cada um, fazer cumprir a palavra e os compromissos assumidos, ou pura e simplesmente porque outros interesses pessoais se levantam, ignorar. Assim e para Vosso conhecimento e dos interessados, houve cinco festivais antes destes dois da polémica (informação fornecida pela ANT) que abaixo indico, com o elenco participante e as empresas promotoras dos mesmos.'

touroeouro
«Rafael Vilhais acusa APET: "Associação de Coveiros da Festa"!» in farpasblogue

domingo, 7 de agosto de 2016

Pérolas: A defesa do indefensável

Existem tantos outros sociólogos e professores que defendem a Nossa Causa, Abolicionistas. O sociolólogo Luis Capucha tem tanto direito como nós temos, de defender a Abolição dum espectáculo degradante. Ser sociólogo não lhe dá mais direitos.
Uma resposta que ficará para a História "Negra"  e sangrenta desta cidade e deste país.




«Carta Aberta à Diretora do “Público”

Em defesa do bom jornalismo e da liberdade cultural

Exma. Senhora Diretora

Resolveu V. Exa. no Editorial de ontem, 22 de julho, do “Público” alinhar com os argumentos anti-taurinos cujas materializações numa série de projetos de Lei foram chumbados recentemente na Assembleia da República, por uma maioria de deputados superior a 80%.

Sem reflexão ou justificação acusou os Partidos que chumbaram esses projetos de se moverem em função de meros interesses clientelares, entrando dessa forma numa linha de argumentação perigosamente populista. Melhor seria ter-se informado, como devem fazer os jornalistas e, por maioria de razão, os diretores de jornais, sobre os fundamentos dos factos que toma por verdades, quando na realidade não passam de puras falsidades. Como cidadã, a Diretora do Público pode ter a opinião que entende, incluindo sobre ideias erradas nos planos moral e ético, como o que se esconde atrás da ideia de “direitos dos animais” (embora ninguém explique quais são os correspondentes deveres). Mas não tem o direito de se servir do cargo para emitir meras opiniões assentes em puros e simples preconceitos. Passo a especificar aquilo que a Senhora Diretora deveria ter mandado investigar, ou ter procurado o contraditório antes de cair nos erros em que cai, em vez de alinhar pelas posições que alinhou.

Diz-se no referido Editorial que “quando um pouco por toda a parte tendências de comportamento e movimentos cívicos evidenciam uma crescente sensibilização aos direitos dos animais, a Assembleia da República mostra o quanto está distante dessas preocupações e desses avanços civilizacionais”. Estranho civismo este que esquece o mais importante: um pouco por todo o lado o que cresce é a violência, o autoritarismo, o ódio, o terrorismo, a injustiça social e económica, o recuo dos direitos humanos, as agressões ao ambiente. O recuo do humanismo, o avanço da misantropia e a transferência dos afetos para com os nossos semelhantes para os afetos para com os animais de companhia não fará parte do ambiente cultural em que vingam todos estes grande problemas humanos?

Diz-se depois que o projeto de Lei do PAN sobre financiamento à tauromaquia é o “mais bem fundamentado, com argumentos e muitos dados por certo desconhecidos da maioria dos portugueses”, e que é “…doloroso transcrever parte da descrição pormenorizada feita no documento do PAN sobre os efeitos que a lide taurina provoca num animal”. Com pouco esforço, facilmente poderia um estagiário da sua Redação constatar que os dados avançados pelo PAN são falsos, pura mistificação e mentira demagógica. Quer quanto aos dinheiros, quer quanto ao ritual de que o Toiro Bravo é o centro. Já é costume esse tipo de propaganda completamente indiferente à verdade dos factos e aos resultados da investigação científica por parte dos animalistas, mas a uma jornalista isso fico mal.

Não falta depois o vitupério contra os seus concidadãos que gostam de toiros, Senhora Diretora. Não é a “…exposição nua e crua da tortura animal” que os anima. São valores profundamente inscritos na cultura tauromáquica e que integram a sua identidade cultural. A Senhora Diretora não é melhor cidadã do que nós, e não compreendemos a presunção de superioridade para connosco que transparece do seu Editorial. Se não compreende nem conhece a tauromaquia e os seus valores, nem quer compreender ou conhecer, respeito essa opção. Mas nesse caso não julgue o que não entende, porque a ignorância não é boa conselheira.

Por fim, fecha essa a parte em apreço do Editorial com uma pergunta: “Ou será por acaso que os quatro partidos apoiantes das touradas são os únicos que dispõem de corte camarária?” Pergunto-lhe, Senhora Diretora, se pode pensar na resposta a outra pergunta: não será que os partidos sem presença nos municípios não estão nessa situação porque são incapazes de sair dos meios elitistas de que são originários para tentar compreender, de forma próxima e vivida, os sentimentos dos portugueses, naquilo que eles têm de especificamente local?»


Vila Franca de Xira, 23 de julho 2016
Luís Capucha, Sociólogo, Professor no ISCTE-IUL

terça-feira, 26 de julho de 2016

O Negócio das praças de Touros

A realidade da tauromaquia na região num périplo pelas praças de touros, onde há mais prejuízo do que lucro. A rentabilidade das corridas está longe dos seus tempos áureos, também por culpa da crise.

​ Empresário da Palha Blanco:
“Público de Vila Franca é o mais exigente do país”

O empresário Paulo Pessoa de Carvalho gere a praça de Vila Franca de Xira desde 2015. Sendo possível que se mantenha até 2017 se for vontade do empresário e da entidade proprietária- a Santa Casa da Misericórdia local. “Esta é uma relação que tem estado a correr bem. Sabemos que não podemos entrar em loucuras porque em termos económicos as pessoas já não aderem tanto à tourada. Tentam conter-se o mais possível”.

Imagem
O empresário fala de uma afición difícil

Este empresário não poupa nos elogios ao profissionalismo da entidade proprietária, nomeadamente, “no brio que tem” no que concerne às condições do equipamento, cuja cereja no topo do bolo é a enfermaria que tem à frente o cirurgião Luís Ramos, “um dos melhores médicos da Península Ibérica”, dotada de “condições excelentes”. “A praça de touros é cuidada de forma exímia pela Santa Casa” que naturalmente já se encontra adaptada à nova lei. O empresário que também gere as praças de Almeirim e da Chamusca, igualmente detidas pelas santas casas locais, não tem dúvidas em salientar que prefere gerir equipamentos desta natureza não pertencentes a Câmaras, “onde por vezes se anda ao sabor dos diferentes partidos, e dos seus interesses”. “Nas instituições como as santas casas, mesmo que a direção mude, a filosofia de gestão não se altera muito, é mais institucional, e as regras não mudam. A gestão é mais pura e dura”.

No que se refere aos lucros, “não são os desejáveis nem para mim nem para a Santa Casa. Estamos sempre aquém. Mas posso dizer que as coisas não estão a correr mal face às minhas expetativas”. O empresário, a par do de Azambuja, foi o único neste trabalho que não teve problemas em avançar com o valor da renda que todos os anos entrega à Santa Casa: 17 mil euros mais Iva.

O empresário das Caldas da Rainha refere que encontrou um público difícil em Vila Franca, muito opinativo e crítico, que nem sempre vai às corridas. “Percebemos que as pessoas escolhem muito bem as praças onde querem ir. Por outro lado, a conjuntura nacional também nos afeta”. Vender os preços dos bilhetes a preços mais económicos, na ordem dos cinco euros, como alguns defendem não é visto como solução, “visto não se traduzir como mais compensatório”. O valor mínimo cobrado em Vila Franca é de 12,5 euros. Com praça esgotada, consegue no máximo chegar a uma faturação a rondar os 90 mil euros.

Para Paulo Pessoa de Carvalho, a praça de Vila Franca é um desafio, “porque foi sempre uma praça séria. A empresa que esteve antes de mim fez ali um bom trabalho”. Por outro lado, o desafio é também a afición que lhe é inerente: “a mais exigente de Portugal, e isso nem sempre se traduz em público”. Nestas duas temporadas que leva de Palha Blanco, o empresário desabafa- “Ali já tive alegrias, sofri e transpirei. Já me trataram mal, e dirigiram-me impropérios. E algumas vezes tive que me calar, encolher os ombros, e ouvir com a maior das descontrações”. As críticas normalmente vão desde “a má apresentação do touro até ao desempenho dos artistas”. “Em Vila Franca qualquer coisa serve para ralharem connosco, quando tudo corre bem, e não nos dizem nada, então é sinal que correu mesmo tudo bem”. Imagem

​A Palha Blanco tem uma lotação de 3500 lugares, com quatro corridas principais por ano, duas no Colete Encarnado e duas na Feira de Outubro. Um dos itens do caderno de encargos do contrato com a Santa Casa constam as corridas com toureio a pé em que a cidade tem tradição. “Por vezes não é fácil encontrar nomes, mas faz parte e isso significa defender as raízes da terra”. Neste aspeto há que contratar fora do país: “Comercialmente o toureio a pé não funciona. Apenas com nomes espanhóis. O toureio ficou órfão de Pedrito de Portugal que de facto tinha uma mística, mas ainda assim não tinha o toureio profundo dos espanhóis”.

Questionado sobre a dificuldade de se ser empresário neste meio, garante que já pensou muitas vezes em desistir, até porque o setor é pouco unido. “Cada vez que nós trabalhamos, e nos pomos empenhadamente a fazer as coisas, esperamos o mínimo de retorno financeiro, mas muitas vezes no final temos de ir inventar dinheiro onde ele não há. Só mesmo um maluco é que paga para trabalhar”. Por outro lado, “há empresários que estão neste meio, porque acham piada, por brincadeira, e este é mundo muito difícil”.

A rentabilidade das praças de touros também pode passar por outro género de espetáculos, nomeadamente, musicais. Esta foi uma vertente que explorou enquanto esteve à frente da praça das Caldas. No caso da Palha Blanco vai receber em breve um espetáculo de José Cid.

Já no que às ditas “trocas”, refere que há cavaleiros melhores e piores, “mas nas bilheteiras valem todos o mesmo”. “Um cavaleiro tem todo o direito de pedir sete ou mil euros, mas a verdade é que esse toureiro, normalmente, vale quase tanto como um que vá lá por mil”. Como não há um nome sonante, “isso torna tudo mais difícil”. As “trocas” são algo “que limita bastante o trabalho. “Esta moda dos empresários apoderados tem sido algo complicado, em que essa pessoa só compra o meu toureiro se eu comprar o dele”. “Trata-se de uma grande promiscuidade, que é difícil para o empresário”, não tem dúvidas. No seu caso não é apoderado atualmente de nenhum toureiro. Paulo Pessoa de Carvalho não considera que esta forma de estar nos bastidores das touradas seja limitativa do aparecimento de novos valores, “porque quem tem de romper, rompe!”, mas não deixa de ser verdade “que muitas jovens figuras vão aparecendo não tanto pelo seu talento, mas por circunstâncias económicas que geram essas oportunidades”. E ilustra o quadro – “Por vezes esse toureiro não é grande coisa e anda-se ali numa grande mentira, com o apoderado a tecer elogios que não têm nada a ver”. “Antes as pessoas apareciam claramente por mérito, mas hoje desvirtuou-se essa realidade, que no fim de contas descredibiliza a festa”. Por outro lado, alguns toureiros “recusam-se a pegar touros mais imprevisíveis como os da ganadaria Palha”, ilustra para definir a crise de talento e empenho.

A nova lei que regula a atividade taurina no entender do empresário enferma de um grave problema tendo em conta que na sua feitura, o anterior Governo decidiu ouvir os movimentos antitaurinos, “o que não faz sentido”. “Não quer dizer que quem não goste da atividade taurina não possa opinar sobre a regulamentação da atividade, pois pode ter uma palavra a dizer pela sua experiência, o que não pode acontecer é que que quem queira matar a atividade tenha o direito de vir dizer alguma coisa”.


Leia aqui o artigo completo:
 CAPT: ABOLIÇÃO da tauromaquia em Portugal e no Mundo



sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A Verdade das Mentiras

Excluimo-nos de qualquer comentário porque as palavras e os factos falam por si!
Nos blogs da tauromáfia  pode ler-se:

Anti Taurinos provocam aficionados em Alcochete

Uma manifestação anti taurina, marcou este domingo a corrida de Alcochete.
Uma dezena de apoiantes da casa anti taurina, insultavam tudo e todos à passagem dos aficionados que se dirigiam para a praça de touros alcochetena, estando devidamente salvaguardados pela Guarda Nacional Republicana.
Perto do início da corrida os animos exaltaram-se, havendo mesmo uma pequena escaramuça entre os anti taurinos e aficionados, prontamente sanada pela GNR, sem que ninguém tenha sido identificado.
Os manifestantes foram depois escoltados pela GNR, para fora da Vila de Alcochete, terminando assim este triste episódio.
A luta pela causa anti taurina está cada vez mais perigosa e é tempo de as autoridades competentes tomarem uma atitude, pois vivemos numa democracia, e cada um é livre de fazer as suas escolhas culturais. 
touroeouro



Anti-Taurinos perturbam e ofendem em Alcochete

Os anti-taurinos realizaram ontem (09/08/2015) uma manifestação nas imediações da praça de toiros de Alcochete, dentro do recinto da feira e pouco tempo antes da corrida agendada para as 18h00.
O grupo de pessoas, munido de megafones e de cartazes, ofendiam continuada e reiteramente a honra dos transeuntes, dos artistas, dos aficionados, do público e da generalidade dos visitantes da feira, gritando impropérios a quem passava.
Por mais pacificistas que sejamos nós aficionados e por mais que queiramos ignorar estas pessoas que parecem acreditam que praticam o bem, é difícil aceitar esta constante ameaça e atentados contra a honra.
É do conhecimento comum e geral que as Festas do Barrete Verde e das Salinas estão íntima e intrinsecamente ligadas ao toiro e à tauromaquia.
Daí que, ou os anti-taurinos desconheciam esta óbvia factualidade ou acharam pertinente manifestar-se precisamente nesta feira, onde a tradição e o amor à festa brava é visível e indiscutível.
O direito à manifestação foi reconhecido em 1974.
No entanto, o mesmo decreto-lei que autoriza este tipo de manifestação salvaguarda a moral, os direitos das pessoas singulares e a ordem e tranquilidade públicas.
Ou seja:
Nenhuma manifestação deste tipo deve ser autorizada nestas condições.
Primeiro, porque apesar da suposta «paz», os anti-taurinos não se eximem a tecer comentários ofensivos da moral, do bom nome e da honra das pessoas que, no uso da sua liberdade, se encontram numa feira ou a entrar num espectáculo que é legal, conforme ao direito, aos usos e costumes!
Segundo, porque a presença destes anti-taurinos, com os seus megafones e cartazes ofensivos é susceptível de perturbar grave e efectivamente a ordem e a tranquilidade públicas, e, do mesmo passo contrária à lei – por colidir com o livre exercício de direitos de outras pessoas.
Terceiro e acima de tudo – o BOM SENSO, dita-nos que, nestas circunstâncias concretas, por melhores que se julguem as intenções dos ditos anti-taurinos, os benefícios que dali retiram são evidente, nítida e inequivocamente inferiores aos prejuízos que causam na moral e direitos dos aficionados!
solesombra

sexta-feira, 27 de março de 2015

Se acabarem as touradas acabam os touros bravos?

«Perceberam agora?», perguntou a Helena Matos, «Que se acabarem as touradas acabam os touros bravos?»(1) e, como exemplo, deu uma notícia que não tem nada que ver com touradas mas com gado abandonado (2). À parte da incoerência, o argumento de continuar as touradas para preservar os touros bravos é uma treta. 

O touro bravo não é uma espécie. É seleccionado e criado para ser agressivo mas não tem importância para a diversidade genética dos bovinos. Nem é uma coisa muito natural. «A raça Brava resulta de um processo de selecção e transformação, até à obtenção de um animal que, não perdendo as suas características de investida, permite ser submetido, através do toureio»(3). É um bicho de circo. Se deixarem de criar estes animais, biologicamente não se perde nada. 

O argumento de que se crie o touro bravo pelo valor ecológico do montado também não colhe, e até é inconsistente. É verdade que o montado é um ecossistema importante, com grande biodiversidade e abrigando espécies em perigo como o Lince Ibérico e a Águia Imperial. Tem também um grande valor económico, por exemplo pela produção de cortiça. Mas o touro não faz lá falta e, se o montado é assim tão importante, certamente que não vai desaparecer só por se deixar de fazer touradas. Os montados em Portugal estão legalmente protegidos e, ao contrário do que este argumento assume, o mais plausível é que os proprietários das ganadarias simplesmente aproveitem os montados para criar estes touros. Não é plausível que os montados só sejam úteis por causa dos touros. Parece-me contraditório afirmar que o montado é muitíssimo importante mas que sem o touro bravo ninguém quer montados para nada. 

Mas o maior erro da Helena Matos é julgar que torturar os animais em espectáculos públicos é uma forma adequada de os proteger. Se quisermos preservar o touro bravo, então o melhor será criar reservas naturais para esses animais. A solução da Helena faz tanto sentido como incentivar as lutas de cães para promover a criação do Dogue Argentino. Mas isso, dirão os aficionados da tauromaquia, é uma coisa completamente diferente. A tourada é uma tradição milenar na qual o bravo animal é homenageado pelo público por enfrentar o sofrimento até à sua gloriosa morte. A luta de cães, pelo contrário, é um espectáculo bárbaro e antiquada no qual a assistência se entretém vendo animais a sofrer até à morte. Perceberam agora? 

1- Blasfémias, Perceberam agora?
2- Esta, no Jornal de Notícias, mas ver também esta, no Público, mais detalhada.
3- Café Portugal, Touro bravo é estudado na Faculdade de Medicina Veterinária



Fonte: ktreta

sábado, 2 de novembro de 2013

Superstições...?

Porque começou a temporada tauromáquica...


"QUE DEUS REPARTA AZAR"!!!


"Os Gatos Pretos Desejam SORTE aos TOUROS e CAVALOS
 e AZAR aos Toureiros e Forcados"




Os mitos e medos das superstições associadas às touradas:
O amarelo é a cor que os agentes da tauromaquia habitualmente associam à desgraça, infortúnio e insucesso.

Em 2008 numa manif da ANIMAL
... activistas vestidos de amarelo (cor que simboliza o azar e o infortúnio no mundo da tauromaquia) e segurando faixas dizendo "Que Deus Reparta Azar" (contrário do dizer tauromáquico comum "Que Deus Reparta Sorte") e sinais dizendo "Os Gatos Pretos Desejam SORTE aos Touros e Cavalos e AZAR aos Toureiros e Forcados"
Superstições

Não se consideram supersticiosos mas está rodeado da superstição na tauromaquia. Por exemplo, refere que o “amarelo é uma cor renegada pelos toureiros que recusam-se a vestir num quarto onde os lençóis ou cortinas sejam amarelas”. Não sabem a origem desta superstição contra a cor amarela, recordando que este ano organizou uma corrida de touros e fez-se um cartaz com a cor amarela e surgiram várias reclamações por parte dos toureiros.


Deu nas vistas o grupo de aficionados de Coruche (em Zafra)
... mas ninguém lhes disse que o amarelo não é a côr que dá azar aos toureiros?...




sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Tourada, uma tradição sem futuro


Quem vendeu (e quem comprou) a mentira de que os animais não sofrem e de que não são possuidores de sentimentos, cometeu e disse uma mentira colossal e nada inteligente.

E se agora alguém nos agarrasse e privasse da nossa liberdade? E se alguém se apoderasse da nossa vida, como se faz a um mero objecto pessoal, e nos torturasse? E se alguém nos levasse para um ambiente estranho e nos humilhasse, tratando-nos como um corpo sem alma? E se alguém nos matasse, a troco de umas meras palmas, desprovidas de qualquer sentimento de compaixão e de piedade? E se nos fizessem isto tudo em nome de uma tradição sanguinária e sem escrúpulos, cujo nome é conhecido por tourada? Tenho mais uma pergunta: gostariam de estar nesta situação? Eu respondo: não!

E os touros? Gostariam de estar nesta situação, ou será que são animais que retiram prazer da dor e, como tal, são sadomasoquistas? Eu volto a responder: não! Pois bem, é deste modo que eu classifico as touradas: uma tradição violenta, medieval e completamente desajustada da “suposta” evolução do homem e das sociedades.

Se nós, humanos, seres sencientes, não somos (não somos, não devemos, não podemos…) expostos a actos violentos para fins de lazer, porque é que os outros animais, também eles sencientes, podem estar sujeitos a barbaridades destas? Quem vendeu (e quem comprou) a grande mentira de que os animais não sofrem e de que não são possuidores de sentimentos, cometeu e disse uma mentira colossal e nada inteligente.

Apesar de não ser necessário, realizaram-se inúmeras investigações científicas para mostrar àqueles que têm um campo de visão estreito que, de facto, os animais não humanos (neste caso, os touros) são sensíveis à dor, têm sentimentos e, como tal, não devem ser usados e abusados com o intuito de alimentar a maldade interminável de alguns seres humanos.

Muitas vezes, nós, os defensores da abolição das touradas (em Portugal e no resto do mundo), somos acusados de sermos extremistas. Pois bem, para mim, extremismo é defender um “espectáculo” que junta e atrai pessoas para assistir à morte e humilhação pública de um animal, numa “luta” desigual e cobarde.

E o que dizer de um país que subsidia uma actividade que viola o direito dos animais? Portugal tem centenas de milhares de desempregados, famílias a passar fome, idosos a morrer sozinhos em casa, crianças sem material escolar, artistas (artistas a sério, daqueles que conseguem emocionar as pessoas sem terem de recorrer a uma bandarilha) que não têm trabalho... Torturar um animal é mais importante que tudo isto? Felizmente, cada vez há mais pessoas activas e cientes da decadência e obscuridade desta prática selvagem, ao mesmo tempo que as praças de touros vão estando cada vez mais vazias.

É tempo de acabar com este atraso cultural e deixar esta tradição viver apenas nos livros de História. Chega de vitimar touros, cavalos e pessoas em nome de uma prática sem defesa. É hora de darmos as mãos e liquidar toda esta violência gratuita (contra um ser que apenas se limitou a nascer), promovendo uma atitude de respeito pelos outros seres vivos que partilham o universo connosco. Juntos, chegaremos à abolição!

in  p3.publico

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Como surgiu a tourada?

Na Espanha do século III a.C., a caça aos touros selvagens já era um esporte popular, com raízes em cultos religiosos ancestrais. “O animal era celebrado como deus da fertilidade pelos povos mediterrâneos da Antiguidade. Antes dos casamentos, o ritual exigia que o noivo matasse um touro para invocar uma união próspera”, diz o antropólogo holandês Marco Legemaate, especialista no assunto. No início da Idade Média, por volta do século V, a matança do bicho havia se consagrado, na península Ibérica, como exercício de coragem e destreza e os touros eram perseguidos até a exaustão por multidões, também comemorando casamentos, nascimentos e batizados. Algo parecido ocorre até hoje na festa de São Firmino, em Pamplona – onde, todo ano, mais de 2 mil pessoas correm dos touros soltos nas ruas da cidade espanhola – e na famigerada Farra do Boi, aqui mesmo no Brasil, em Santa Catarina.
Mas o registro mais antigo de algo semelhante às touradas atuais só aparece em 1135, como parte dos festejos da coroação de Afonso VII, rei de Leão e Castela. Nessa época, porém, o toureiro era um nobre que enfrentava o touro montado a cavalo e armado de uma lança. “Esse era o teste supremo na preparação dos cavaleiros medievais espanhóis”, afirma Legemaate. Para os plebeus, restava o papel de escudeiro, que, a pé, ajudava a liquidar o bicho. Esses papéis seriam invertidos numa surpreendente reviravolta histórica. Com a chegada à Espanha da dinastia francesa dos Bourbon, no início do século XVIII, a nobreza local abandonou diversões rústicas como essa para se entregar aos prazeres da corte, deixando a arena livre para camponeses e boiadeiros criarem a tourada moderna. Resultado: o antigo escudeiro assumiu o papel principal de toureiro e o cavaleiro passou a ser o mero coadjuvante que ajuda a minar a resistência do animal.
“Aí começam a surgir o repertório de técnicas e manobras e o conjunto de regras que definem a tourada como arte popular”, afirma Maria de La Concepción Valverde, professora de literatura espanhola da Universidade de São Paulo (USP). A figura-chave nesse processo, ainda no século XVIII, foi o lendário Francisco Romero, o primeiro toureiro profissional, creditado como introdutor da espada, para liquidar o touro, e da muleta, uma capa de tourear menor. Entre 1910 e 1920, a tourada atingiria seu apogeu como febre nacional, estimulada pela rivalidade entre Joselito e Belmonte, famosos por criarem novas manobras espetaculares. Hoje, as 325 arenas espanholas são palco de 17 mil touradas por ano, movimentando mais de 1 bilhão de dólares e empregando 200 mil pessoas – quase 1% da força de trabalho do país. Mas, para os movimentos de defesa dos animais, tudo não passa de tortura sádica. “O sofrimento do touro é explícito, com muita perda de sangue”, diz António Abel Pacheco, do Movimento Anti-Touradas de Portugal.

Sangue e areia
A luta entre homem e animal é de vida ou morte

1. No início, a única defesa do toureiro é o capote, capa vermelha de forro amarelo. Incapaz de distinguir cores, o bicho é atraído pelo movimento do pano – o vermelho só serve para disfarçar as manchas de sangue. A manobra fundamental é a verónica: o toureiro segura o capote com as duas mãos e dribla o animal com um recuo de pernas

2. Especialmente treinados para a batalha, os touros pertencem à espécie selvagem mais feroz que existe: Bos taurus ibericus. Eles ficam no mínimo três anos em cativeiro à espera da arena, mas nem os sobreviventes retornam a ela: os touros têm uma memória tão impressionante que poderiam fugir de uma segunda luta

3. Enquanto o matador cansa o touro, entram em ação os picadores, cavaleiros com lanças que espetam o animal para diminuir a força dos músculos do pescoço e das patas dianteiras. Três estocadas bastam para o touro perder quase 2 litros de sangue. Mesmo vendado e protegido por lonas de algodão e camurça, o cavalo também sai ferido com os ataques

4. Outros ajudantes do toureiro, os banderilleros, fincam varas com ponta de arpão na traseira do pescoço do touro, região cheia de terminações nervosas. O objetivo é enfurecer o bicho para o final da luta. Em geral, seis banderillas são cravadas, uma para cada ataque do banderillero, que atua sem proteção

5. No final da luta, o matador enfrenta o touro com a muleta, uma capa vermelha de apenas 56 cm de largura montada num bastonete de madeira, toureada com apenas uma das mãos. Com o toureiro cada vez mais próximo do bicho, as manobras ficam mais arriscadas

6. O toureiro coloca o animal na posição ideal para o sacrifício, distraindo-o com a muleta e mantendo-o de cabeça baixa e com as patas dianteiras unidas. Assim, fica descoberto o “olho das agulhas”, região entre os ossos na junção do pescoço, que deve ser atravessada com a espada para que o touro tenha uma morte rápida

7. Se a lança de 90 cm de aço atinge a aorta do bicho, a morte é instantânea. Ao todo, a luta dura cerca de 45 minutos e, para o toureiro, o prêmio máximo para um desempenho excepcional é receber as orelhas e a cauda do animal. Pela tradição, os animais mortos são vendidos a açougues depois de retirados da arena

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

“Os grupos anti-taurinos fazem publicidade gratuita às touradas”

Não o chateia ter grupos à porta da praça a manifestarem-se?

É bom haver os que não gostam, porque fazem com que os que gostam ainda gostem mais. A polémica tem que existir na vida senão estamos todos a dormir. Agradeço aos anti-taurinos que façam manifestações porque nos estão a fazer publicidade gratuita. Mas eles esquecem-se que também comem carne. Vendo a carne dos toiros depois de lidados a uns supermercados por um preço mais económico do que vendia a outros. Para que vejam que o toiro não serve só para ser espicaçado na arena, mas também para dar de comer às pessoas e a preços mais baratos numa altura de crise.

O Mirante

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Colectivos!


Um grupo de aves é um bando.
Um grupo de peixes é um cardume.
Um grupo de cães é uma matilha.
Um grupo de touros é uma manada.
Um grupo de forcados é ....????

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Texto argumentativo

Touradas, um assunto capaz de dividir famílias, cidades, países. Quase se poderia dizer que se parece com futebol, só que no caso das touradas parece só haver dois clubes: os Pró e os Contra
Na minha opinião as touradas são cruéis porque com que os touros sofram. As touradas são usadas para entreter os humanos. Bem, tenho alguma dificuldade em chamar humanos, seres que se divertem com a tortura de um animal.
Uma coisa é matar os touros sem que sofram outra coisa é tortura-los espetando farpas que os deixam a jorrar sangue e pô-los cansados para no fim os matarem sem dó nem piedade. “ Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti”. Este é um ditado que se pode aplicar nesta situação, e dizer as pessoas que gostam das touradas, para que se ponham no lugar dos touros e imaginem o que é ser torturado e no fim morto. Não se trata de matar para sobreviver, trata-se de torturar e matar por divertimento! Que mal terão feito os touros? Nenhum. São apenas uma raça inferior e com menos poder, por isso podem servir de passatempo para os mais inteligentes e poderosos.
Há quem diga que os touros não sofrem com as farpas. Pobre argumento, não só não se sabe se é verdade, como mesmo que não sofram, continuam na arena a ser gozados pelas pessoas.
Acho que as touradas podem ser substituídas, por exemplo, por idas ao cinema, ao teatro, a concertos, ou a acontecimentos desportivos, pois estas actividades entretêm e divertem as pessoas e não prejudicam os touros.
Penso que as touradas são algo que deveria deixar de existir pois incentiva a crueldade. Os touros deviam ser livres e quando for necessária a sua carne, devem ser mortos rapidamente.

Filipe Esteves 11º ano

Procura-se aficionado honesto

Quando é que vai aparecer um aficionado, tão sincero, que diga com todas as letras:

Sim, o toiro é retirado do seu ambiente calmo e prazeroso.
Sim, o toiro é levado, sob stress, para uma praça de touros.
Sim, o toiro é espetado, com ferros, por pessoas que ganham dinheiro para fazer isso.
Sim, o toiro perde bastante sangue.
Sim, o toiro sofre dores (eu não gostava de estar no lugar dele).
Sim, o toiro, regra geral, é abatido após a lide (são raros os que têm a clemência da audiência).
Sim, a toirada, sob este ponto de vista, é uma prática cruel.

Mas SIM eu gosto de corridas de toiros!
SIM, sou aficionado!
E SIM, estou-me a borrifar para todos estes argumentos dos anti-touradas!

Fonte

A tourada vista por dentro...


O jornalista declara desde já – correndo o risco de ganhar inimigos de ambos os lados – que não é a favor nem contra as touradas. Declara-se ainda um leigo em matéria tauromáquica e por isso pediu ao empresário Paulo Pessoa de Carvalho que o sentasse ao lado de um aficionado para que este lhe desse umas dicas durante a corrida.
A crónica que se segue tem, pois, a visão e as explicações de Francisco Borges, 51 anos, ex-forcado do Grupo de Montemor, onde fez 85 pegas de caras e três de cernelha. Este bancário de profissão assiste a cerca de 30 corridas por ano e é uma figura bastante conhecida no meio tauromáquico.

São 21h45, a Praça de Touros da cidade está à pinha e cumprido o ritual de cortesia, irrompe pela arena o primeiro toiro da noite. São 510 quilos de músculos e nervo que em breve levam uma primeira estocada do cavaleiro António Ribeiro Telles que lhe desfere, certeiro, um ferro comprido. O bicho reage e persegue o cavalo, o que, para Francisco Borges, revela que o toiro é bravo porque não se intimidou com a dor e insiste em atacar o cavalo.
Segue-se um primeiro ferro curto que arranca aplausos da multidão, seguindo-se mais três até ao final da lide.

Uma lide a cavalo dura dez minutos e o cavaleiro pode desferir as farpas que quiser, mas a partir do quarto ferro curto é de bom tom pedir autorização ao director da corrida para poder continuar.
O director de hoje é Nuno Nery. Ele é a autoridade máxima dentro da praça, com poder para interromper ou cancelar a corrida, para mandar sair quem se porta mal e até para dar ordem de detenção, que deverá ser cumprida por um polícia.

Eis uma coisa curiosa do mundo da tauromaquia. O director de uma tourada é o representante do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura.
António Ribeiro Telles fez uma boa lide. É certo que o toiro também ajudou – era bravo e previsível. Agora o cornetim anuncia a pega de caras pelo Grupo de Forcados de Montemor. Francisco Borges benze-se discretamente, quase por instinto. Afinal foram 14 anos naquelas andanças e ainda hoje reconhece que sente um pico de adrenalina quando vê uma pega. Mais ainda se esta for do seu grupo de Montemor, o segundo mais antigo do país, fundado em 1939 (o primeiro foi o de Santarém).

Os rapazes saltam para a arena, posicionam-se e o forcado Filipe Mendes desafia o toiro, que não tarda em investir. A pega corre bem, muito por mérito deste jovem que soube manter-se agarrado ao toiro porque este fugiu ao grupo e tiveram que correr para o ajudar.
Segue-se Vítor Ribeiro, o segundo cavaleiro da noite, que observa, atento, o comportamento do toiro diante dos peões da brega (também designados bandarilheiros ou subalternos). Em breve desfere o primeiro ferro, destapando no toiro uma bandeira do CDS que ergue ao público, motivando um coro de aplausos. Paulo Portas, que fizera uma entrada discreta nos primeiros minutos da corrida, é o último a deixar de bater palmas.

Francisco Borges explica que as farpas actuais têm um mola que é accionada quando se espeta o toiro e que faz com que esta fique pendurada sob o dorso do animal em vez de se manter espetada. O objectivo é proteger os forcados aquando da pega porque, por mais de uma vez, houve ferimentos graves quando o animal investe e as farpas acertam no rosto do “forcado da cara” (forcado que pega o toiro).

A lide do cavaleiro Vítor Ribeiro está a ser um sucesso, apesar de ter contado com um toiro ainda mais colaborante do que o anterior. Entusiasmado, o público até bate palmas acompanhando o pasodoble, o que motiva o desagrado de quem percebe do assunto. “Vê-se que não é uma corrida de aficionados porque as pessoas batem palmas ao ritmo da música e isso pode distrair o toiro”, diz Francisco Borges. E tem razão. Há aqui dois tipos de público: o da tauromaquia e o do CDS/PP.
A intersecção destes dois grupos é que é grande.
Agora é a vez dos forcados das Caldas. Guilherme Carvalho Pinto dirige-se a Paulo Portas e oferece-lhe a pega, “com uma grande honra porque o senhor é um grande homem que defende a festa brava”. E, claro, novos aplausos.
A primeira pega não correu bem porque o forcado não se agarrou o suficiente. A segunda tentativa também falhou, mas à terceira foi de vez e Guilherme Pinto agarrou-se com genica ao animal enquanto a ajuda (o restante grupo de forcados) o imobilizava.
Às 22h20 solta-se de um lado das bancadas uma enorme faixa da Juventude Popular e ouvem-se vivas à JP. Para quem se tinha esquecido, a corrida de hoje também é política.

O terceiro toiro pesa 500 quilos e entra bem na arena, de forma bravia. Reage bem ao castigo, o mesmo é dizer, ao primeiro ferro, mas vai dar algum trabalho a Pedro Salvador, o cavaleiro que procurará por todos os meios captar a atenção de um animal que está demasiado atento ao que se passa fora da arena e reage a todos os movimentos circundantes. “O toiro não vai ao cavalo”, ouve-se dizer entre os entendidos. Por esse motivo, a dupla cavalo mais cavaleiro tem de se esforçar para lhe conseguir espetar os dois ferros compridos e quatro curtos com que termina a lide.
E segue-se a pega. O forcado de Montemor, Tiago Telles de Carvalho, pegou à primeira e mereceu os aplausos do público.

PAULO PORTAS NA ARENA
A corrida não teve intervalo, mas sim um momento em que o líder do CDS também entrou na arena e foi cumprimentar os artistas (expressão que designa os actores deste espectáculo).

A segunda parte da corrida – com os cavaleiros Brito Pães, Duarte Pinto e Soller Garcia – revelar-se-ia desastrosa para o grupo de forcados das Caldas da Rainha, com dois feridos a serem evacuados da arena. Xavier Ovídeo, que dedicou a pega a Paulo Pessoa de Carvalho, acabaria por se desprender do animal e por ele ser pisado, tendo de ser retirado em maca pelos colegas e pelos bombeiros, enquanto o toiro era mantido a uma distância prudente pelo trabalho dos peões de brega. A pega dos forcados caldenses acabaria por se concretizar com Francisco Rebelo de Andrade.

Seguiu-se o quinto toiro da noite, com 485 quilos, que foi lidado por Duarte Pinto e cuja pega – por coincidência – foi dedicada pelos forcados de Montemor ao próprio Francisco Borges. Modestamente, só nesta altura este aficionado conta que tem dois filhos no grupo de Montemor e que estão ali ambos naquela noite.

A sensação do pai ex-forcado perante os filhos que lhe seguem as pisadas é contraditória: “por um lado não queremos porque sabemos os riscos que se correm, mas por outro é um orgulho porque é uma actividade de grande camaradagem, onde se forma um grupo de amigos capazes de dar a vida uns pelos outros”.

O último toiro da noite, com 536 quilos, revelou-se o menos colaborante de todos. Ficava parado no meio da praça e recusava-se a perseguir o cavaleiro que, apesar de tudo, teve uma boa lide. Entretanto os Forcados Amadores das Caldas da Rainha decidem que este toiro será pegado de cernelha, o que significa fazer entrar os cabrestos (bois mansos que servem de guia aos touros e os encaminham para a saída) na arena para o rodearem e o obrigarem a andar no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Nessa altura, dois únicos forcados devem pegá-lo em simultâneo, um pelos costados e o outro pelo rabo, até o imobilizarem.

José Sousa Dias e Salvador Costa Pereira por duas vezes o tentaram, mas não o conseguiram, até que o primeiro acabou por ser evacuado por, ao estar atento aos movimentos do toiro, não ter reparado num cabresto que chocou contra ele e o pisou.
Os forcados caldenses decidem então realizar uma pega de caras, terminando a noite com muito espectáculo, mas nem sempre fazendo as coisas bem feitas.

Em teoria, os cabrestos deveriam ser retirados da arena e o grupo posicionar-se para pegar o toiro. Mas, algo desesperados por a noite não estar a correr da melhor maneira, os caldenses decidem pegá-lo por entre a confusão dos cabrestos, falhando um primeira tentativa.
Nova tentativa, outra vez improvisada, e Mário Cardeira, que já fora ao chão e tem a cara coberta de sangue, salva a honra do grupo e consegue pegar o maior toiro da noite, sendo bastante ovacionado pela sua coragem.

A corrida chegou ao fim.
Carlos Cipriano
in Gazeta das Caldas

“O CDS defende as touradas”
“O CDS/PP não tem uma posição oficial sobre as touradas. Há muita gente que é contra e muita gente que é a favor. Mas sempre que quiserem atacar as touradas, o CDS defende-as”. A afirmação é de Paulo Portas, no final da corrida, após ter recusado inicialmente prestar declarações, dizendo que “não confundo política com entretenimento”.
C.C.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A morte de um touro...

setembro 2010

... e não chegou a enfrentar, como se queria, o toiro de Murteira Grave (na foto), que entrou aos tropeções na arena e acabou moribundo, com sinais de... fractura na coluna ou outra coisa mais estranha?...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Spartacus, Touradas e Consciência

Ao ler o título poderá perguntar-se o que é que Spartacus tem a ver com Touradas e mais ainda, o que é que ambos tem a ver com a Consciência.

Espero ao longo das próximas linhas poder esclarecê-lo.

Spartacus e as Touradas são temas que me despertavam interesse na juventude e adolescência.

Spartacus porque sempre gostei bastante de assistir a grande produções cinematográficas.


As Touradas porque, talvez como uma grande maioria dos portugueses, era "obrigado" a assistir em minha casa. Nunca assisti um espetáculo de Tourada ao vivo. Porém como a minha família, em especial meu pai, assistia, eu assistia também embora com um sentimento contraditório!

Se meu pai, como meu exemplo, assistia, é porque era bom, então eu imitava-o, quase como qualquer criança que admira seus pais, esperando vir a gostar também. No entanto dentro de mim sentia que o espetáculo não era tão bom assim como aparentava. Era também ela uma grande realização, mas o que estava a ser transmitido por detrás daquelas aparências grandiosas e maravilhosas, ou seja a verdadeira mensagem do espetáculo não era o que parecia...

Com Spartacus a história é diferente. O escravo que luta com as mesmas armas dos outros, seja corpo a corpo, seja com armas idênticas, provocou em mim, por este motivo, uma admiração especial.

A admiração seria ainda maior no caso de Spartacus se tomasse em linha de conta o seu ideal de libertação da escravatura. Já no caso das Touradas continuo a ter dificuldade em encontrar algum motivo válido que justifique a sua realização.

Vivi aquele conflito durante muitos anos. Como a minha vida não dependia destas questões, nunca parei para refletir sériamente sobre o tema e tomar uma decisão clara, gostar ou não gostar de Touradas. Até ao final de Julho passado em que voltei a Portugal e quando dei por mim, uma das noites, estava junto de meu pai, como tantas outras vezes, sobretudo na infância e adolescência, a assistir a mais uma Tourada, na televisão.

Esta reflexão pretende questionar apenas as formas de luta (afinal bem vistas as coisas, a tourada é uma luta entre um homem e um animal) e não as suas motivações!

Como seria uma Tourada em que apenas se realizasse o toureio a pé e sem bandarilhas? Estaria mais de acordo com a luta entre escravos?


Porquê utilizar um nobre animal como o cavalo para fazer um espetáculo assim? Será que em nome da "racionalidade" o homem se serve da "irracionalidade" animal para sua própria diversão? Será que o fato de um homem se achar mais forte que um animal (afinal em que plano ele é mais forte?) lhe dá o direito de utilizar armas que reforçam mais o seu poderio? Que força é essa afinal?

Hoje já se chega ao ponto de proteger os chifres do animal, não para proteger esse mesmo animal mas sim o "ser humano" que lhe vai fazer frente.

Qual a relação que existe entre o que tenho comentado e a chacina dos indios pelos homens brancos com a utilização de armas? Será o mesmo tipo de "superioridade"?

Seria interessante prender os animais a alguma distância e matá-los através de tiros de espingarda? Quem sabe pode vir a tornar-se numa futura modalidade com interesse para os humanos!

A Consciência é um tema que entrou na minha vida apenas depois de ter alcançado a idade adulta e por uma necessidade de busca relacionada com a minha própria sobrevivência.

E ... será que Spartacus ou as Touradas tem alguma relação com a Consciência?

Fonte

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Porquê Touradas?

O titulo que eu escolhi foi sobre as criticas que têm surgido sobre as touradas ao longo destes últimos anos, mas porquê a tourada?
Existem muitos argumentos a favor das touradas e algumas delas são:

Tudo o que é tradição merece ser preservado, a tourada é tradição, logo, a tourada merece ser preservada.
Se não fossem as Touradas e os seus adeptos, a raça dos Touros Bravos já estava extinta.
Quem não gosta ou não concorda, não veja.
Quem é contra as Touradas devia preocupar-se com outras coisas que também são feitas, nomeadamente o abandono de cães.
Quem diz que é contra as touradas é hipócrita porque muitas vezes maltrata os cães e outros animais.
O touro praticamente não sofre com o que lhe é feito na arena.
Os Touros nascem para serem lidados, são animais agressivos por natureza.
Se quem gosta, respeita a opinião de quem não gosta, porque é que quem é contra não respeita a opinião contrária?
A arte de tourear é tão bonita que seria uma pena perdê-la.
As Touradas enaltecem a nobreza do Touro.

Depois destes argumentos válidos porquê quererem acabar com as touradas?
Se é para salvar os touros, então estão enganados pois se acabarem com as touradas, acabam com a raça dos touros, pois os touros são criados muito bem, são bem alimentados, têm uma vida de luxo que até algumas pessoas não o têm, para depois subirem para a arena.
Se acabarem com as touradas os touros já nem criados são.

Por isso a minha pergunta, Porquê as touradas?
Se depois disto tudo se percebe a importância das touradas.

Fonte

domingo, 24 de junho de 2012

A Presumível Raça de Lide


Luis Gilpérez Fraile
Vice-Presidente da ASANDA 
- Asociación Andaluza para la Defensa de los Animales.

Desaparecerá a raça de lide quando acabarem as touradas?

Aqui está uma pergunta que nós defensores dos animais fazemos a nós próprios muitas vezes , e que com um tom acusatório , nos fazem os aficionados como parte da argumentação para defender a sua indefensável afição. Para nos darmos, e poder dar uma resposta razoável, em primeiro lugar temos que partir da premissa será verdade que existe o chamado “touro de lide” como raça animal, se a resposta for negativa, a afirmação “sem touradas não há touros” carece de sentido, já que não pode desaparecer o que não existe. Porém, não adiantemos conceitos, porque senão ver-nos-emos envolvidos num emaranhado de vocábulos tais como “espécie”, “raça”, “variedade”, “casta”, etc, sem saber bem do que estamos a falar, que é ao fim e ao cabo o que fazem os aficionados.

CONCEITOS BÁSICOS DE TAXONOMIA

O “nome e apelido” de qualquer animal é definido pela zoologia, pelo seu género e espécie *1*. Todos os animais que pertencem a um mesmo género têm em comum uma série de características semelhantes (características genéricas). Logo, todos os animais pertencentes ao género canis, como o cão e o lobo têm características comuns suficientemente óbvias (é este o caso) mas também características diferenciadoras *2*. Por tal, o primeiro pertence à espécie familiaris (canis familiaris) e o segundo à espécie lupus (canis lupus) * 3*. Com os bovinos sucede o mesmo: a vaca e o zebu pertencem ao género Bos, porém a primeira é da espécie taurus (Bos taurus) e o segundo é da espécie indicus (Bos indicus). Podemos portanto, dizer em termos gerais, que os animais de uma mesma espécie , além de terem as características genéricas próprias, se assemelham entre si tantos como os seus pais, e distinguem-se das demais espécies do mesmo género, e se reproduzem entre si originando descendentes fecundos.
Porém ocorre com muita frequência , que grupos de animais de uma mesma espécie apresentem entre si características quer permitem claramente diferenciá-los (por exemplo , todos os cães são da mesma espécie, porém é possível diferenciar claramente um caniche de um mastim).
Neste caso estamos perante um facto que obriga a categorias inferiores dentro das espécies: são as espécies politípicas. E são nestas subdivisões que as normas taxonómicas se apresentam mais obscuras: as espécies podem dividir-se em sub-espécies e ou em variedades, e estas em sub-variedades ou biótopos. O uso do sinónimo “raça” por “variedade” é frequente e correcto. Continuando com o nosso exemplo canino, um galgo seria um Canis familiaris de raça galgo.
Estas normas taxonómicas, um tanto simplificadas para facilitar a sua compreensão, não têm outro objectivo para os nossos propósitos senão dar uma ideia de conjunto.
Porém é importante assinalar que as características que permitem classificar um grupo de animais dentro de uma mesma raça devem cumprir inexoravelmente as seguintes regras:

a) Que sejam diferenciadores face às demais raças da espécie (as características que aparecem numa raça não servem para descrever outra).
b) Que sejam estáveis, no sentido de confirmarem e perpetuarem com a descendência (uma característica que possa não aparecer nos descendentes, não serve para descrever uma raça).
c) Que sejam susceptíveis de descrição cientifíca (uma caracaterística como “proporcionado” não é válida para marcar uma característica própria de uma raça, pois é uma apreciação subjectiva).
Enquanto que c) é uma regra de racional, a) e b) são não só por conceito cientifíco, mas também por definição semântica do vocábulo “raça”: Cada um dos grupos em que se divide uma espécie orgânica , formada por indivíduos que têm certas características comuns que os distinguem dos outros de outros gupos da mesma categoria e que se transmitem por herança. (Maria Moliner)
Não há dúvida que estas regras se aplicam perfeitamente ao nosso exemplo canino, mas será que se aplicam também aos Bos taurus que se utilizam na lide ?
Antes de dar resposta , permito-me esboçar a origem e evolução dos ditos animais.

A ORIGEM DOS ACTUAIS TOUROS DE LIDE

O seu mais antigo predecessor conhecido é o Bos planitrons que viveu durante o plioceno (final do terciário). Dele descendem pelo menos duas espécies: o Bos primigenius (o uro europeu) e o Bos nomadicus (o uro afroasiático) o Bos primigenius cruzado possivelmente com alguma espécie de cornos curtos, aparece entre 10000-8000 a.c e o Bos taurus actual, o qual começa a diversificar-se de tal forma, que já no Neolítico ( cerca de 4.000 anos a.c.) se conheciam pelo menos três espécies. A partir de então e devido à sua domesticação, sofre constantes cruzamento, muitas vezes com a intervenção do homem, que procura variedades para carne, trabalho e leite. E para não remontarmos muito mais atrás, já nos encontramos na Espanha do séc.XIV, onde se encontram dados que os touros para a lide se comprar aos carniceiros *4* , os quais, devido ao seu ofício conhecem os touros que se mostram mais bravos de entre as vacadas que comercializam. Quer dizer , escolhem-se exemplares de raças criadas para carne, não para a lide. Entre estas raças espanholas eram frequentes a Berrenda, a Cárdena, a Salmantina, a Retinta,etc. São todas raças pertencentes à espécie Bos taurus, com características fixadas ao longo de séculos ou mesmo milénios.
Porém alguns ganadeiros apercebem-se que criar reses para a lide pode ser tão rentável ou mais do que para carne, e em meados do séc. XVIII começam a aparecer as primeiras ganaderias de touros para lide. Estes vaqueiros, seleccionam e cruzam as raças ao seu alcance e começam a produzir touros condenados desde o nascimento à lide. Criaram por isso uma nova raça de Bos taurus ? Agora estamos de novo no princípio.

EXISTE A RAÇA DE LIDE ?

Sinceramente, a resposta é NÃO , e podemos argumentar sobre o assunto.
Recordemos que para poder definir uma raça são precisas cumprir três regras, basta que uma delas, uma só não se cumpra, para não se poder falar em raça. Pois bem, o denominado gado de lide, não cumpre nenhuma das três:

a) Não existem características morfológicas próprias dos touros da hipotética raça de lide, já que estas (as características morfológicas dos touros de lide) são idefiníveis por díspares. Descreva-se qualquer exemplar de qualquer ganadaria das que criam touros para lide, e poder-se-á comprovar que tal descrição não é aplicável a outros exemplares de outras ganadarias que criam exemplares com o mesmo fim*5*. Tão pouco existem características diferenciadoras definíveis entre os touros da hipotética raça de lide face a outras raças da mesma espécie.

b) As características psicológicas diferenciadores, que se supõem na hipotética raça de lide (principalmente a difícil definição de “bravura”) não parecem perpetuar-se de forma regular com a descendência, a ponto de a imensa maioria carecer dela. Segundo denunciam os próprios tauromáquicos. Aliás se assim fosse, a prova de bravura, seria desnecessária e todos os touros nascido de pais “bravos” seriam igualmente bravos. Tão pouco parecem perpetuar-se as características morfológicas : observando fotografias de exmplares de touros bravos de épocas distintas, inclusivé das mesmas ganadarias, pode observar-se que apresentam características morfológicas muito diferentes.

c) Não conhecemos uma única descrição científica das características diferenciadoras da hipotética raça de lide. E isto, apesar de ter consultado uma ampla bibliografia. A razão é a seguinte: não se pode descrever o que não existe. E, tanto assim é que nem o próprio Regulamento de Espectáculos Tauromáquicos a descreve, limitando-se a proibir que se lidem reses que não estejam inscritas no Registo de Empresas Ganadeiras de Reses de Lide, e que as mesmas tenham as caracterísitcas zootécnicas da ganadaria a que pertencem *6*.

Pelo exposto, pode dizer-se que a raça de lide só existe como ideia ou objectivo a alcançar pelos ganadeiros interessados, e mesmo aceitando que existe um fenótipo *7* ideal, o qual não é certo tanto no conceito de “touro de lide” , tanto no aspecto morfológico, como no psicológico, este vem mudando ao longo dos tempos de acordo com as modas tauromáquicas de cada momento.
A afirmação que não existe raça de lide, não é evidentemente só nossa. Por exemplo, aquele que é possivelmente o mais completo e documentado estudo publicado sobre as raças autóctones espanholas *8* , diz sobre o assunto: “O gado de lide constitui em Espanha uma população bovina heterogénea que é bastante duvidosa integrar numa raça, já que a única caracterísitca comum que se pode assinalar é a sua capacidade para mostrar um temperamento agressivo, a que os aficionados da tourada chamam bravura…Por isso, é duvidoso integrar esta diversa população bovina dentro do conceito de raça”.

O QUE SÃO ENTÃO OS TOUROS DE LIDE ?

É indiscutível e já o assinalamos anteriormente que as actuais raças bovinas espanholas são o resultado de cruzamentos com outras raças mais antigas, e estas o resultado de cruzamentos e ou diversificação de espécies ainda anteriores. Quer dizer que num dado momento se partiu de animais mestiços até que as suas características (aquelas que os seus “criadores” consideraram idóneas para os seus fins) se fixaram por selecção artificial para dar lugar a uma raça propriamente dita. A razão pela qual as características das raças autóctones se fixaram e as dos touros de lide não, têm que se procurar não já no tempo que necessariamente tem que transcorrer para que ela ocorra ( com mais de dois séculos houve tempo suficiente para tal), mas sim nos próprios interesses do negócio taurino.
Se desde um primeiro momento (ou inclusive em tempos posteriores) se tivesse decidido o prótotipo do touro que se queria alcançar, seguramente que hoje existiria uma raça de touros de lide. Porém, as modas e os interesses conduziram a que os gandeiros continuassem mestiçando continuamente *9* , de forma a que os touros de lide de hoje não se parecem com os de ontem, estes com os de anteontem, e tão pouco se parecerão com os de amanhã se se continuar pelo mesmo caminho.
Finalmente: os touros de lide actuais não são senão animais mestiços que não pertencem a nenhuma raça determinada, e só para fixar um conceito que sirva de referência, permito-me defini-los da seguinte forma “animais pertencentes a diversas pseudo-raças de Bos taurus, com a característica frequente, indefinível cientificamente, de manifestar uma agressividade instintiva quando acossados”, característica que repartem com muitas outras espécies e inclusive com exemplares de outras raças bovinas.

SÃO SINCEROS OS AFICIONADOS QUANDO SE PREOCUPAM COM A SUA POSSÍVEL DESAPARIÇÃO ?

É evidente que aos aficionados o que os preocupa é o desaparecimento das touradas, não dos touros : os simples aficionados porque perdiam o seu divertimento ; os outros – ganadeiros, críticos , matadores, etc. – porque perdiam o seu negócio. Porém, nem a uns nem a outros, lhe interessa a sorte das pseudo-raças de lide. E para fazer esta afirmação baseio-me nos seguintes factos:

a) Muitas pseudo-raças perderam-se e muitas outras se perderão, de forma provocada, e quanta a essas eles não preocupam *10*.

b) Várias raças bovinas autóctones (verdadeiras raças) desapareceram nestes últimos anos (campurriana , pasiega, lebaniega, etc) e muitas outras encontram-se em perigo eminente de extinção ( albera, blanca cacereña , cachena , murciana, etc.) e não são os aficionados que reclamam a sua protecção.

DESAPARECERÃO AS PSEUDO-RAÇAS QUANDO ACABAREM AS TOURADAS?

Os touros bravos não existem porque existem touradas, antes pelo contrário: as touradas existem porque existem touros bravos.

Recordemos que os primitivos ganadeiros de bois, tentaram durante séculos erradicar essa característica brava do seu gado, seleccionando os animais mais mansos e consequentemente mais manejáveis.

E assim, no séc. XVIII os primeiros ganadeiros de reses de lide encontraram-se a braços com exemplares cujo gene de bravura não tinha desaparecido. Todavia hoje existem exemplares entre as ganaderias de touros de carne que manifestam uma agressividade instintiva quando provocados ou acossados *11*. Não se duvide pois que este carácter se perpetuará ainda durante muito tempo de forma natural, sobretudo se não se tentar seleccionar em sentido contrário.
Portanto é primordial conservar as raças bovinas autóctones espanholas, verdadeira riqueza zoológica e zootécnica do nosso país, em vez das pseudo-raças de lide. Calcula-se que 32% encontram-se em eminente perigo de extinção e 38% em perigo moderado de extinção *12*.

Quanto às pseudo-raças de lide, com um valor ecológico muito menor que as anteriores, a sua sobrevivência às touradas é um simples problema de vontade. Haveria que decidir que fenótipos se desejam perpetuar para impedir que os ganadeiros continuem a fazê-los desaparecer. Não esqueçamos que o próprio negócio tauromáquico é o seu pior inimigo. Uma vez estabelecidas as características diferenciadoras da raça de lide, só deveriam estar inscritos no livro genealógico de raça bovina de lide os exemplares que as tivessem e em pouco anos já se poderia falar de raça de lide.
E existindo uma raça de lide , a sua protecção em herdades para o efeito seria económico e simples. Muito mais que a protecção a outros animais em perigo de extinção (linces, lobos ou ursos *13*) se tem mostrado possível.

E também não podemos esquecer que sem ser utilizados para a lide, as actuais pseudo-raças de lide são economicamente rentáveis como produtoras de carne, ou pelo menos tão rentáveis como muitas raças espanholas de criação intensiva *14*. Quer dizer, são uma verdadeira alternativa de produção em terras que não permitem manter outras raças mais delicadas, embora o seu manuseamento seja mais complicado.
Em resumo: as pseudo-raças de lide não têm que desaparecer se se acabar com as touradas, e não há dúvidas que quem agora advoga a sua abolição, serão os que a partir de então lutarão pela protecção de tão belos e magnifícos animais.

NOTAS

*1* È a chamada nomenclatura binominal . Consiste em duas palavras latinas das quais a primeira se escreve em maiscúlas e designa o género, e a segunda em minuscúlas e designa a espécie. Estas normas internacionais estão reconhecidas no Código Internacional de Nomenclatura Zoológica.
*2*Não tanto, como por exemplo entre o lobo e a raposa e o cão e a raposa. É por isso que as três espécies pertencem a uma mesma família (a dos canídeos), porém só o cão e o lobo são do mesmo género (a raposa pertence ao género Vulpes).
*3*A espécie é a mais representativa das categorias taxonómicas, e pode ser definida como “um conjunto de população natural que pode cruzar-se entre si, real ou potencialmente” (Mayr”. Em linguagem comum, a espécie designa-se por um substantivo concreto: cão, lobo, vaca, etc.
*4*Por exemplo em 1478, em Sevilha houve uma tourada “oito dos quais se compraram ao carniceiro Juan Ruíz , pagando 2.500 maravedís cada um” (Los Caireles de Oro, de Pascual Millán).
*5*A descrição normal de uma raça bovina inclui pelo menos a altura, peso médio, proporções, forma da cabeça, cornadura, pelo e cores. Como qualquer um pode comprovar , todas estas caracterísiticas são muito diferentes nos touros criados para lide. Para muito autores tauromáquicos, as características diferenciadoras dos touros de lide não são morfológicas, genéticas ou fisiológicas , mas sim psicológicas. Por exemplo para Filiberto Mira um touro de lide é aquele que tem uma “saída alegre e rápida do curro, vai ao encontro nos três esconderijos, dobra humilhado e no percurso ao ser toureado com a capa….etc”. Estes critérios são taxonomicamente inaceitáveis. Outros como Manuel Prieto y Prieto, assinalam aquelas que devem ser as características tipo das raças vacuns de lide, porém terminam como recomendação para as distinguir “os sinais ou marcas e as divisas”
*6*Há que assinalar que “características zootécnicas “ é um disparate semântico: zootecnia é “o conjunto de conhecimentos relativos à criação de animais domésticos e a prática desses conhecimentos”, portanto “características zootécnicas” não tem sentido. Também é de assinalar que para se inscrever no registo de Empresas Ganadeiras de reses de lide, não se exige ao interessado que conte com as reses da vaca de lide, mas sim com as reses inscritas no livro genealógico da raça bovina de lide, na qual se inscrevem as reses pertencentes às ganadarias de reses de lide. Uma pescadinha de rabo na boca, precisamente por não se poder definir cientificamente as características da hipotética raça de lide.
*7*Fenótipo: conjunto de propriedades genéticas, estruturais e funcionais de um organismo.
*8*Miguel A. Garcia Dory, Silvio Martinez Vicente e Fernando Orozco Piñan, Guía de Campo de las razas autóctonas españolas (Madrid, editorial : Alianza Editorial, 1990), 228.
*9*É do conhecimento geral que as “figuras “ do toureio escolhem ou vetam ganadarias consoante os touros se acomodam ou não à sua forma de tourear. E isto já acontece desde o aparecimento das primeiras ganadarias de touros de lide , sendo famoso o memorial escrito por Illo e Costillares (dois famosos matadores do séc.XVII) exigindo à autoridade que não comprasse touros da raça castelhana para os espectáculos onde iriam actuar. Estas exigências das “figuras” têm levado os ganadeiros a produzir touros ditados pelas modas.
*10*A tal ponto que das oito pseudo-raças do séc. XVII (dez, segundo outros autores) – e por pseudo-raças originárias referimo-nos às 8 ou 10 ganadarias que começaram a criar touros com a finalidade exclusiva de os dedicar à lide, e que estavam formadas por exemplares de raças autóctones espanholas – não há hoje uma só ganadaria que conserve exemplares que não sejam mestiços: quer dizer desapareceram todas. Pode mesmo afirmar-se que de algumas daquelas, até o sangue dos seus descendentes se extinguiu nas ganadarias que os tinham: por exemplo da vazqueña, da raso-portillo da jijonesa, etc.
*11*Tanto assim é, que em muitas festas populares, até à entrada em vigor do novo Regulamento Tauromáquico – que o proíbe para zelar pelos interesses dos poderosos ganadeiros de touro bravo – , vinham-se utilizando touros de ganadarias de carne, os quais, se eram bem escolhidos mostravam tanta bravura como os criados como bravos.
*12*Na actualidade restam 27 raças bovinas autóctones espanholas. De 9 delas restam menos de 1000 exemplares. Dados certos indicam que pelo menos 4 raças já desapareceram.
*13*Os ursos foram utilizados em Espanha, durante séculos e até ao séc.XX em espectáculos tauromáquicos. Abolida esta dita “manifestação cultural, os ursos não desapareceram.
*14*O rendimento da carne das reses de ganadarias de lide anda á volta de 57%. As de carne de pastagem, á volta de 55%.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Tourada à Portuguesa ou nem por isso

Ao toque de uma corneta, deu-se início à função.


A multidão adivinha um bom espectáculo. Até a televisão pública está ali a transmitir em directo.
A «Festa Brava» vai começar!

Fizeram entrar na arena um touro de cornos embolados.
Assustado, o animal ainda deu umas corridas, meio estonteado com toda aquela parafernália de gente e de luz. Depois encostou-se resolutamente às tábuas.


Entretanto em Espanha....

Não havia outro remédio: entrou na arena um homem que trazia na mão uma longa vara que terminava numa ponta de ferro afiada, montado num cavalo protegido lateralmente por uma espécie de esteira.


Foi então que esse homem, o «picador» fazendo jus ao nome da sua profissão, começou a picar o touro com a longa vara. Dizem que é para o «espicaçar» e para o tornar mais «esperto» e bravo.


Contorcendo-se de dor e procurando defender-se, o touro investiu violentamente contra o cavalo. A princípio, a protecção da esteira foi eficaz a protegê-lo.
Mas uma cornada mais bem dirigida abriu-lhe um profundo golpe na barriga.
A multidão entrou em delírio à vista do cavalo a sair da arena a tropeçar nos seus próprios intestinos que arrastavam pelo chão: tínhamos touro!

Mas, como mais vale prevenir que remediar, o touro já vem dos curros, «preparado» para a arena...

Depois, entra um cavaleiro vestido num espectacular «traje de luces». Vão-lhe dando as "farpas", "bandarilhas", uns paus compridos, decorados com umas fitinhas de papel de cores garridas, dotados de uma ponta em ferro em forma de seta, o que impede a sua saída depois de espetado.

Resguardado pela sua montada, começa então o valente e garboso cavaleiro uma dança à volta do touro e, de cada vez que acha mais ou menos apropriado, espeta-lhe um daqueles ferros nas costas.
De cada vez que um ferro é espetado no animal, a multidão entra em delírio e aplaude entusiasticamente. Principalmente quando o touro se contorce com dor.

Não há touros de morte em Portugal.
A não ser, claro, que alguém entenda que a sua terra é uma excepção. Então basta desafiar o poder político durante meia dúzia de anos, e o direito a matar touros é «excepcionalmente» garantido.
Resultado de imagem para Não há touros de morte em PortugalBarrancos - Os touros de morte
Monsaraz, regime de excepção desde 2014               Barrancos, regime de excepção desde 2002

Então, como em Espanha, a população depois do ritual dos ferros nas costas do touro, ganha o direito a ver o animal a ser morto na arena à sua frente. Faz ainda parte da celebração da morte do touro o corte ritual das orelhas e do rabo, sempre sob o aplauso entusiástico do público.

Os «aficionados», como a si próprios se chamam, partilham entre si uma espécie de mística e uma sobranceria que os traz convencidos que gostar de touradas os torna superiores ao comum dos mortais.
Em vez de «touro» preferem o termo «toiro» e são frequentemente dotados de um «marialvismo fadista» e de uma fervorosa e fanática religiosidade, que conciliam perfeitamente com uma homofobia militante, o que até os leva a fazer de conta que os trajes dos toureiros não são efeminados.

Os adeptos das touradas dizem que é função nobre do touro e uma «honra» para o animal «combater» e ser lidado numa arena.
Não sei se algum deles alguma vez pediu a opinião do touro, ou até se prontificou a ser voluntário em tão nobre destino.

Dizem também que é graças às touradas que os touros não estão já extintos como espécie.
Também não sei se se preparam para realizar campanhas contra a extinção do panda ou do tigre promovendo espectáculos públicos em que lhes espetam ferros nas costas.


Não sei quando serão proibidas as touradas.
Decerto um dia o serão.

Mas talvez a solução definitiva para as touradas esteja numa rigorosa avaliação psicológica – e até mesmo psiquiátrica – não só de quem se dedica profissionalmente à tortura de animais e a espetar-lhes ferros afiados nas costas, mas também de quem se diverte a assistir e aplaude tão triste e lamentável espectáculo.



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Argumentos: Touradas

Argumentos inválidos quanto às touradas
Alguns argumentos são usados frequentemente, mas são inválidos.

A FAVOR:
As touradas não são apresentadas com o termo "Festa Nacional" sem razão, porque representam a essência de Portugal e Espanha. As acções contra as touradas são certamente resultante de sentimentos anti-nacionalistas.

CONTRA:
É completamente arbitrário identificar Portugal e Espanha com uma tradição específica. Um número crescente de portugueses e espanhóis opõem-se às touradas e portanto não se podem considerar identificados por ela. Pode-se até afirmar o contrário: Quem realmente gosta de Portugal e de Espanha, anseia que a "Vergonha Nacional", como "a festa" é chamada pelos seus opositores, seja totalmente ABOLIDA.


A FAVOR:
Os touros bravos são apenas criados pelas suas qualidades de lide. A abolição das touradas significaria a perda definifitiva duma espécie animal com características únicas.

CONTRA:
Os animais não ganham nada com a conservação da sua espécie se sofrem severamente por a ela pertencerem.


A FAVOR:
Deus criou os touros para lutarem na praça de touros com o toureiro e assim morrerem.

CONTRA:
Demonstra muita pretensão falar em nome de Deus sobre a finalidade dos animais.


A FAVOR:
As touradas têm uma dimensão religiosa, representando a luta do bem e do mal, sendo os touros os representantes do mal.

CONTRA:
Celebrações religiosas não são uma bula que permita reduzir os animais a um símbolo.


A FAVOR:
Uma tourada permite uma saudável descarga colectiva de sentimentos negativos e de agressividade

CONTRA:
Existem alternativas inofensivas (por exemplo o desporto) para uma tal descarga, e que não implicam sofrimentos para os animais.


A FAVOR:
Uma tourada não é para ser vista como um desporto, mas como uma síntese de arte, dança, e dizem os aficionados, virilidade extrema (machismo).

CONTRA:
Que se possam ver nela outros aspectos, não faz que a sua crueldade seja menos cruel.


A FAVOR:
Uma tourada é uma prova de veneração e uma homenagem à força do animal.

CONTRA:
Veneração e homenagens não são prestadas ou mostradas por meio de torturas.


A FAVOR:
Um touro é tratado muito melhor até ser lidado do que um boi que foi criado pela bio-indústria apenas para produção de carne.

CONTRA:
Pode ser verdade mas não é um argumento válido porque por existirem condições ainda mais cruéis não se torna esta menos cruel.


A FAVOR:
A tourada é um componente duma cultura, uma tradição milenar. Representa o último vestígio de culturas antiqissímas não-ocidentais. Querer excomunhá-la demonstra desprezo por este elemento não-ocidental no seio da cultura espanhola.

CONTRA:
Todas as culturas ocidentais ou não ocidentais contêm tradições construtivas e destrutivas. A antiguidade duma tradição não pode servir para a justificar moralmente.